✓ Resenha: Prometo Perder - Pedro Chagas Freitas

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Sinopse: A mais recente incursão do escritor português, que é sucesso na internet, por um universo poético e cheio de sensações, do qual leitor algum sairá o mesmo. Em uma viagem intimista e desconcertante, Pedro Chagas Freitas caminha, em Prometo perder, até o interior da emoção: da saudade ao desejo, da rebeldia à submissão, da dor ao amor, nada ficará por tocar. Permita-se sentir. “Prometo perder. Prometo por vezes fraquejar, por vezes cair, por vezes ser incapaz de ganhar. Nem sempre conseguirei superar, nem sempre conseguirei ultrapassar. Nem sempre poderei ser capaz de ir tão longe como você me pede, de te dar exatamente o que você merecia que eu te desse. O que desesperadamente te quero dar. Nem sempre conseguirei sorrir, também. “Prometo perder”. Prometo ainda me manter vivo depois de cada derrota, resistir ao peso insustentável de cada impossibilidade. Há de haver momentos em que sem querer te magoarei, momentos em que sem querer tocarei no lado errado da ferida. Mas o que nunca vai acontecer é desistir só porque perdi, parar só porque é mais fácil, ceder só porque dói construir. “Prometo Perder”. Porque só quem ama corre o risco de perder; os outros correm apenas o risco de continuar perdidos. “Prometo Perder”. Porque só quem nunca amou nunca perdeu.”

Título: Prometo Perder (Skoob)
Autor: Pedro Chagas Freitas
Gênero: Crônicas
Editora: Verus
Páginas: 308
Onde comprar: Amazon / Saraiva
Classificação: 9,8 (Excelente!)
Livro cedido em parceria com a editora.




“Há um menos a mais em cada mais ou menos que se vive.” (p. 11)

Prometo perder reúne crônicas do autor Pedro Chagas Freitas nos mais diversos temas, sendo a crônica um estilo textual que possui como base fatos que acontecem em nosso cotidiano, narrados em primeira pessoa.

“As caras feias são um vírus. As caras feias passam de pessoa para pessoa. Se eu chegar ao ônibus e vir todo mundo de cara feia e cansada e desligada e com “estou farto disto” e “não aguento mais” e “sou tão infeliz” eu mesmo ficarei de cara feia. E a rede vai se alastrando, se alastrando – até que não reste uma única cara bonita. Uma sociedade em que é mais aceitável uma cara feia do que uma cara bonita é uma sociedade feia. Uma sociedade doente. [...] Uma sociedade em que estar feliz é estranho é uma sociedade estranha.” (p. 115)

Temos textos em forma de poesia, de carta, formados por apenas uma frase ou mais extensos, ocupando duas páginas; há conselhos de pessoas mais velhas e pensamentos de crianças. Os narradores ora são homens, ora são mulheres, às vezes são jovens, outras senhores, crianças, ou até mesmo idosos que se consideram jovens. Os temas mesclam amor, correspondido ou não, trabalho, sonhos, sociedade, entre outros, todos abordando aspectos do cotidiano.

“Os adultos levam o corpo demasiado a sério. Dizem que é isso que define se uma pessoa existe ou não, já viram que baboseira? As pessoas existem quando existem em nós, qualquer criança sabe isso.” (p. 18)

Um ponto em comum em vários textos é o fato de que a verdadeira idade depende de como agimos e não de quantos anos temos. Podemos ser jovens apesar da idade e, na verdade, há certos aspectos das crianças que jamais deveríamos perder. Outro ponto marcante das crônicas é a tentativa de abrir os olhos dos leitores para a necessidade de vivermos o que sonhamos, sem deixar o medo atrapalhar.

“Uma criança é feita para cair. Um adulto é feito para se levantar. Todos os dias levantar. Perde-se o emprego e tem de se levantar. Perde-se um amigo e tem de se levantar. Perde-se uma oportunidade e tem de se levantar. Perde-se tudo e tem de se levantar.
Levantar todos os dias magoa.” (p. 41)

O autor nos faz querer correr atrás de nossos sonhos, seja ele encontrar o amor de nossas vidas ou fazer o que se gosta para sempre. Muitas das crônicas possuem em sua essência a prioridade em seguirmos os nossos sonhos e não o que a sociedade impõe, além da necessidade de vencermos o medo e os paradigmas, por isso me identifiquei com muitos dos textos. Há também crônicas que nos mostram como ser forte e resiliente perante as adversidades da vida, sempre buscando o aprendizado e o lado bom de tudo.

“Entre a sua saúde e a saúde da sociedade não hesite: escolha a sua. A sociedade se adapta. [...] Vá cuidar da sua vida: eis o segredo, eis a fórmula. Vá cuidar da sua vida. Cinco palavras, cinco simples palavras, e está tudo dito. Vá cuidar da sua vida. Vá sempre cuidar da sua vida. É ela que te importa. É sobretudo ela que tem de te importar. A sua vida e a vida de todos aqueles eleitos que fazem parte dela. Trate dela. Trate deles. Concentre-se no que importa. Guarde as forças para o que importa. O resto é merda.” (p. 46)

Apesar da narrativa formal na maior parte do tempo, há textos em que o autor não poupa palavras e usa gírias, palavrões e expressões fortes, sem papas na língua.

“A essência humana é, no fundo, bastante simples de entender. Quer-se o que não se tem. E, quando se tem, continua-se a querer o que não se tem.” (p. 72)

Gostei da maioria das crônicas, mas não de todas. As minhas preferidas são as que falam sobre como devemos agir e pensar perante o mundo e a sociedade. O que mais gostei na leitura é que ela te faz sentir. As crônicas fazem você compará-las com a sua vida, porque sempre tem algo parecido acontecendo com você. Muitas dizem exatamente o que você precisava ouvir ou o que você queria dizer para o mundo todo. Já as que tratam sobre amor não correspondido e superação não me agradaram tanto (porque eu realmente não sou muito fã do tema, mas este tipo de prosa pode agradar você!). Porém há textos muito bonitos e poéticos sobre o amor, tanto entre um casal quanto entre pais e filhos. Um ponto interessante é que o autor erotiza vários textos, utilizando passagens mais explícitas (o que não faz meu estilo, mas traz uma característica marcante em seus textos de amor). Também é frequentemente utilizado a palavra orgasmo de forma não sexual (para exemplificar o ato de se ter prazer em tudo o que se faz).

“[...] E é por isso que quando me perguntam como se faz para não ser absolutamente eu quando sou absolutamente sua eu digo apenas que só se partilha o que se divide. E não há matemática que nos aparte.
Sou tão sua que quando te abraço me sinto abraçada.” (p. 206)

Resumindo: a revisão e a diagramação estão impecáveis, a narrativa flui muito bem, pois os textos são curtos, tornando aquele tipo de leitura que podemos levar para qualquer lugar e encaixar em nosso dia-a-dia. Os temas são abordados de forma reflexiva, trazendo sempre algo em que se pensar ou questionar. É um livro composto por várias lições de vida, onde textos profundos te farão ver o mundo de outra forma. Para quem gosta de crônicas ou uma leitura rápida, leve e com muita reflexão, com certeza irá adorar a obra!

“Viver bem é uma questão de ordenamento.
Os infelizes são os que têm medo do caos. Mas todo o caos é apenas uma inversão da ordem que um dia te venderam como apropriada. Viver bem é, por isso, uma questão de se apropriar do caos; melhor: de se ordenar no interior do caos. [...] Adapte-se. Se você achava que ia para a direita e tem de ir para a esquerda: adapte-se. [...] Se pensava que ia estar sol e ia para a praia e afinal está chovendo e não sabe o que fazer: adapte-se. Vá ao cinema, fique em casa vendo um filme, escreva um poema. Mexa-se. É claro que você pode muito bem pensar que isso é tudo uma grande treta e que às vezes não é mesmo possível ordenar o que quer que seja. E tem toda a razão. Mas até a isso, até àquilo que não pode se adaptar, tem de se adaptar. Aprenda.” (p. 207)
“Sou o que sei que talvez nunca poderei ser, é isso o que sou.” (p. 226)








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18 comentários:

  1. Oi Andrea, achei a capa bem legal e o título desse livro curioso e pelo que li na resenha a maioria das crônicas são muito boas. Acho que o bom das crônicas é nos identificarmos nelas e refletirmos através do que ela expressa e do momento em que estamos vivendo ou até mesmo sobre algo que já passou. Gostei da resenha e fiquei interessada em conhecer a obra ;)

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  2. Amanda!
    Já tive oportunidade de ler Prometo falhar do autor e lembro que o deixei na cabeceira da cama por meses, porque sempre tinha de ler uma de suas passagens antes de dormir.
    Realmente a escrita do autor nos conquista e fiquei bem curiosa por poder ler Prometo perder e todas as crônicas que ele traz.
    “Não saber é o que torna nossa vida possível.” (Lya Luft)
    Cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA DE JULHO 3 livros, 3 ganhadores, participem.
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/

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  3. Olá, gosto muito de livros de crônicas, pois mesmo que estejamos com pouco tempo dá para ler pelo menos uma. O autor faz questão de abrir nossos olhos para o que realmente importa e ainda nos estimula a não nos conformar diante de uma certa situação. Espero ler em breve, beijos.

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  4. Oi Amanda!

    Juro que não imaginava que este livro é de crônicas! A capa é tão linda... imaginei um romance chick-lit! rsrsrsrsr

    Bem, que bom que errei! Adoro crônicas, poemas e poesias! Gostei muito da sua resenha e parece-me que o livro sabe tocar fundo e trás ótimas lições!

    Bjo bjo^^

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  5. Me parece ser um bom livro de reflexão e muito bem escrito.
    Não conheço nenhuma obra do autor, mas venho ficando interessada nos últimos tempos.
    Ele parece nos conseguir envolver de uma tal maneira, que é até difícil de explicar, foi o que me pareceu lendo algumas resenhas rs
    Não sou muito chegada a ler crônicas, mas espero conferir as obras dele em breve.
    Beijos
    Caroline Garcia

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  6. Ainda não li nem um livro do autor Pedro Chagas Freitas, mas já tenho o livro Prometo Falhar em minha listas de leituras e após ler sua resenha, adicionei também Prometo Perder, pois fiquei muito curiosa para ler este livro e a história parece ser muito boa.

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  7. Não pensei que esse livro fosse de crônicas. Imaginei que fosse uma história com começo, meio e fim.
    Gostei dos temas das crônicas. Essa questão de se sentir novo e velho é uma coisa espiritual mesmo. Os questionamentos que fazemos com a gente e sobre a sociedade são sempre bem-vindos.
    Obrigada pela indicação, Amanda.

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  8. geeente !! que liivroooo haha, nunca ouvi falar do autor e também nunca li um livro nesse estilo, mas gente, que livro maravilhoso !! eu ja fico imaginando-o na minha estante kkkkk eu amo textos que poetizam sobre o amor, e que nos fazem ter vontade de correr atrás daquilo que amamos, amo esses tipos de texto !! adorei gente, já quero pra mim, acho que ate as cronicas que vs n gostou eu vou gostar kkk ! e gostei de saber que ele n tem papas na lingua ahaha

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  9. Olá!
    Ainda não conhecia esse livro. Nunca li nada parecido.
    Não gostei muito da capa, confesso que se tivesse visto na livraria sem ler a resenha não teria me chamado a atenção.
    Vou anotar a dica ;)
    Beijos

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  10. Tenho o primeiro livro deste autor, que inclusive pretendo ler este ano sem falta este ano ainda, por isso quando soube deste lançamento fiquei super entusiasmada. Realmente e possível notar que sua escrita podemos nos identificar como pessoas, as crônicas nos traz uma realidade no qual vivemos atualmente. Imagino que também não irei gostar de todas igualmente, umas mais que outas, porém a leitura como um todo deve ser bastante envolvente e cativante.

    Participe do TOP COMENTARISTA de Julho, para participar e concorrer aos livros "O Casal que mora ao lado" e "Paris para um e outros contos".
    http://petalasdeliberdade.blogspot.com.br/

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  11. Ainda não conhecia o autor, mas adoro contos e isso já é um ponto super positivo, provavelmente os contos que mais gostaria são os de amor, gosto bastante deles e as que nos mostram como devemos agir e pensar perante o mundo e a sociedade também devem ser super interessantes.
    Beijos!

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  12. Olá.
    Nuca li nada do autor, mas por sua resenha, percebe-se que é uma ótima leitura.
    Gosto de crônicas, quando bem escritas e que nos trazem uma boa reflexão.
    A dica está anotada, espero ter a oportunidade de conferir em breve.
    Excelente resenha.
    Beijos.

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  13. Eu não conhecia esse livro, e confesso que não gosto muito de livros de crônicas, mas fiquei com vontade de ler esse. Gostei de saber que você gostou da maioria das crônicas, e achei bem legal que essas crônicas te fizeram sentir e provavelmente eu também iria comparar elas com minha vida. Adorei a dica :)

    Beijos!

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  14. Já tinha visto falar, mas nunca me interessei,achoque por causa da poesia que não gosto muito, mas acho que para mim seria uma leitura que não iria apreciar, mesmo assim obrigado pela dica.

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  15. Eu ganhei esse livro de aniversário esse ano, e confesso que não tinha gostado muito de ter ganhado ele. Mas acabei me surpreendendo muito com o livro e mordi minha língua. Eu também não gostei de todas as crônicas, mas gostei muito da maioria delas, e várias delas me fizeram refletir. A única coisa que não gostei foi a capa, acho ela bem sem graça =P
    BJss ^^

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  16. Oi! Não sou muito fã de crônicas, mas adorei a proposta do livro! Achei legal o autor escrever coisas na qual nos identificamos algumas vezes! Também gostei muito dele nos mostrar que não devemos ter medo na hora de seguir nossos sonhos. Pretendo ler! Beijoss

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  17. Oi Amanda,
    Nossa, li essa resenha no momento certo. Quero muito ler o outro livro do autor - Prometo Falhar - mesmo que não esteja acostumada a ler crônicas, pois fiquei encantada com a proposta do livro. Adoro livros que podemos ler sem pressa alguma, sem toda aquela ansiedade frenética em sabe o final da história.
    Fico animada em saber que esse livro segue o mesmo estilo também, com muitas reflexões e belas lições que nos fazem pensar. Tenho o pressentimento de que vou me identificar com muitas crônicas também, especialmente devido ao momento que estou passando na minha vida. É o tipo de livro que preciso ler, espero gostar e apreciar essa obra.
    Beijos

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  18. Sempre gostei muito livros tem crônicas, mas ainda não li nada do autor. Achei bem interessante os trechos destacados e fiquei bem curiosa para dar uma olhada mais de perto nesse livro.
    Bjoss

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