✓Resenha: A Mordida do Vampiro - Laerte Verrier

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Sinopse: Brian teve seu futuro escrito pelo seu próprio pai. Obrigações com os negócios da família e um casamento com alguma aristocrata qualquer estavam na lista de suas tarefas. Porém, a chegada de uma bela dama muda seu destino. O jovem rapaz deseja conhecer o lado sombrio da existência, e ela lhe mostra o caminho da morte. De repente, seu mundo é tragado, e seus olhos ganham uma nova cor... Vermelho... Sangue! Conheça a trajetória demoníaca do primogênito da família Van Dom, seus amores e temores, contados em diversas versões dos fatos.

Título - A Mordida do Vampiro
Autor - Laerte Verrier
Editora - Publicação Independente
Formato - 14 X 21 cm
Número de Páginas - 215
Melhor Preço - R$ 30,00 (direto com o autor)



Observação:

Laerte Verrier é o pseudônimo do escritor Clayton da La Vie, um jovem inteligente, divertido e com um talento inegável para a escrita. Eu já tinha lido e resenhado essa obra do autor, porém, na antiga versão. Vibrei de alegria quando recebi a nova edição do livro, com cenas e personagens inéditos, situações que proporcionaram um desenrolar infinitamente mais interessante à trama. Na verdade, eu já era fascinada pelo enredo vampiresco, e minha emoção chegou em níveis ninjas de empolgação quando descobri que uma das novas personagens – Vanessa Myst Bernine – era uma homenagem a mim... Melhor ainda, a poderosa (me sentindo) é esposa do detetive que mais amo nessa trama. Conclusão, o livro é especial para mim em muitos quesitos – por sua excelente construção, pelos personagens –, mas, principalmente, por ser um título assinado (ainda que com pseudônimo) por um amigo que eu amo – pobre do Whatsapp, porque nossas conversas são longas e dignas de muitas gargalhadas.
Bem, pessoal, quero lembrá-los de que, apesar da minha amizade com o Clayton (ou Laerte), minha resenha será sincera, com suas devidas críticas e elogios. Então, vamos ao que interessa.



Você recebeu a mordida do vampiro... Veja o mundo com seus novos olhos!

Resenha:

Gramática e Revisão: Conforme comentei acima, já conhecia a escrita do autor. Porém, devo enfatizar sua maturidade nessa nova versão da obra. Tratando-se de uma história de época, a linguagem mais rebuscada, contracenando com o coloquial “certinho”, mostrou o vasto vocabulário do autor e seu cuidado em manter a acuidade típica dos personagens aristocratas que criou. Em determinadas cenas, os diálogos seguiam para o ritmo clássico da escrita, extremamente formal – e tal artifício se fazia necessário, pois o protagonista, nesses casos, atuava ao lado de coadjuvantes da realeza e/ou da alta sociedade. – Algo que me preocupou na gramática foi o tempo verbal, que, na maioria das vezes, estava no passado e, na frase seguinte, pulava para o presente. Como o texto foi todo elaborado por meio de cartas (explicarei melhor no tópico específico), essa jogada não combinou, pois, a meu ver, ficou estranho imaginar o correspondente em questão contando (em palavras escritas ou datilografadas) o que supostamente lhe acontecia naquele instante.
Tratando-se de uma publicação independente, e estando eu ciente de que o próprio autor cuidou de cada detalhe da mesma, afirmo que seu cuidado nesse quesito é digno de aplausos. Obviamente, há alguns (pequenos) lapsos que poderiam ser sanados, como, por exemplo: o uso excessivo da conjunção “mas”, que poderia ser trocada por “porém, contudo, no entanto, entretanto, todavia, não obstante”, entre outros; ou o excesso de pronomes pessoais aliados aos possessivos, gerando repetições fonéticas um tanto irritantes (ele/dele). Ainda assim, garanto que tais idiossincrasias não afetam em nada o talento do autor, que – não duvido – chegará a ser um ícone da literatura.

Eu preferia que a morte me levasse ou que o próprio belzebu viesse e me arrancasse a alma. E ele veio... Estava na forma de uma linda dama.

Capa e Diagramação: Nova edição, nova capa. Apesar de singela, há um enigma interessante no adorno principal da publicação. O vermelho grita, escorrendo como sangue, ganhando o negro de fundo com sutileza. E nada mais seria preciso, pois o título do livro já avisa do que se trata o enredo. A fonte é simples, dando a impressão de palavras datilografadas, adaptando-se sublimemente de forma visual à trama. O acabamento em laminado brilhoso foi o toque primoroso da finalização.
Fiquei imensamente feliz ao notar que o autor acatou minhas sugestões – citadas na resenha da primeira edição –, colocando uma separação distinta entre os capítulos, que, agora, se iniciam sempre nas páginas ímpares. O fundo negro das folhas que separam as cartas dos personagens deu um glamour único à publicação. O cabeçalho segue a mesma fonte do título exposto na capa, e o rodapé tem os números adornados com um arabesco charmoso. O espaçamento entre as linhas ficou perfeito, sem agredir a visão do leitor.
No todo, o livro é uma peça bonita, com o texto bem encaixado em seu volume. O autor ganhou o meu respeito nessa empreitada, cuidando de sua obra com uma dedicação extrema, digna de reconhecimento e de aplausos.



Booktrailer editado por Simone Pesci

Talvez a morte não seja tão ruim... Ela pode ser apenas desconhecida.

Enredo: A primeira jogada de mestre do autor foi criar um livro sem capítulos. Calma, galera, explico... Toda a jornada de Brian Van Dom é contada por cartas escritas por ele e por todos que cruzaram seu caminho. Porém – e esse é o fator mais instigante –, as versões não se repetem. Pelo contrário, uma epístola dá continuação à outra, explanando os fatos de maneira sucinta e com a visão dos mais diversos personagens. Cada correspondência é importante, citando detalhes que parecem mínimos, sutis ou sem importância, mas que muito se engrandece ao longo do enredo.
Nessa nova versão da obra, o vampiro Brian se depara com bruxas e com uma matilha nada convencional – eis a segunda jogada de mestre. – Bem, todo enredo vampiresco que se preze tem seus percalços com lobos. No entanto, o autor foi em busca de lendas europeias bem antigas, deparando-se com o a crença urbana típica da região de Gévaudan, na França. Em uma pesquisa curiosa e nada aprofundada, descobri que tal fera realmente existiu. Era um animal que se assemelhava a uma mistura excêntrica de lobo com hiena, e seus ataques, na maioria das vezes, eram fatais. A matéria ex-posta no site Wikipédia cita o documentário do canal History, de outubro de 2009 – vale a pena conferir.
Repetindo as palavras usadas na minha resenha da primeira edição da obra, mantenho minha opinião sobre o enredo, enfatizando quão embasbacada fiquei ao me deparar com uma trama tão deleitosa. Certamente, a maioria dos títulos que abordam o tema vampiresco apresenta um flashback do passado. Dificilmente nos deparamos com um enredo totalmente vivido em outros séculos – e, não... “Entrevista com o Vampiro” tem sua carga contemporânea, moderna à época em que foi escrita (anos 80, se não me engano). – E o autor inovou nesse quesito.
Desmistificando algumas lendas e certificando outras, o texto permite que os vampiros caminhem à luz do sol, contanto que estejam cobertos dos pés à cabeça. Porém, alho lhes causa enorme repulsa, queimando-os como ferro em brasa. 
Com fatos interligados, todos se encontram, se esbarram, se amam e se odeiam. Aliás, o romance surge apenas como uma brisa suave. Em contrapartida, a violência é marca registrada nesse emaranhado sanguinário dos vampiros de Laerte (Clayton). Sanguinário, sim. Contudo, elegante. A narrativa do autor é tão instigante que consegui imaginar cada cenário apresentado. Em parágrafos sucintos, ele descreveu os ambientes apenas com os detalhes importantes, deixando os pormenores de lado. E essa foi outra excelente jogada do autor, que nos livrou dos enfadonhos “enchimentos de linguiça”. Direto ao ponto, a leitura é rápida e prazerosa.


Depois de muito tempo, a felicidade batia na minha porta, e vinha em forma de garras e presas longas.

Personagens: Conforme as observações iniciais, minha tietagem com o autor me rendeu uma coadjuvante de peso na trama – e meu ego atingiu níveis ninjas de satisfação com tal fato. – O interessante na escrita do autor é que cada personagem apresenta uma idiossincrasia instigante, particularidades que prendem nossa atenção na trama. Infelizmente, falar sobre todos poderia comprometer a leitura alheia, entregando spoilers que tanto tento evitar. Porém, convido vocês, caros visitantes do Fundo Falso, a conhecerem um pouquinho das principais criaturas do mundo sombrio de “A Mordida do Vampiro”.
— Brian Van Dom – praticamente o protagonista. Brian é decidido e não hesita em ir contra os planos que o pai traçou para o seu próprio futuro. Porém, depois de se deparar com o mais belo demônio, o jovem se vê obrigado a seguir o destino que seu genitor escolheu. O tempo passa, e a insanidade o assola, transformando Brian em um admirador da morte alheia.
— Aaron Louis Colis – um servo ganancioso por poder. E quando recebe tal dádiva, brinca com o perigo, obrigando seu mestre a mudar o rumo de seus passos e a se aventurar em uma nova jornada, onde a fuga constante se faz necessária. Seu fim foi merecido, porém, surpreendente.
— Francis Paul Bernine – um detetive intrigado com uma série de crimes insólitos. Ansioso para resolver tal caso dotado de mistérios, Francis se depara com criaturas que só imaginou existir nas mais sombrias lendas. Por fim, decidido, sua busca pela verdade o transforma em um caçador.
— Vanessa Myst Bernine – uma misteriosa criatura que chega para arrebatar o coração do determinado detetive Francis. Elegante (olha a modéstia jogada na lixeira da alma), Vanessa se apodera de um importante tesouro de Brian, e sua luta pela destruição de uma raça tem um custo alto, um preço que lhe dói na alma.
— Catherine Van Donessi – a jovem esposa de um crápula arrogante e desrespeitoso. Seu destino é traçado quando ela esbarra com o mal... E esse mal se transforma na sua salvação e, também, na sua condenação.
— Josette Marie Johnson – eis o mal encarnado. Sedutora, ela envolve suas presas com sorrisos instigantes e fitares lascivos. Josette é o ponto chave de todo o enredo; não o início de tudo, mas a intersecção dos pontos.

“A Mordida do Vampiro” é uma leitura recomendada para mentes inteligentes que se prendem em mínimos detalhes para nunca perder o fio da meada – porque, acreditem, é grande. – Para quem é fã dessas sedutoras criaturas sanguinárias – e duvido que existam muitos que não sejam –, o livro é um tiro certo. Totalmente aprovado!
Pessoal, peço desculpas por sempre me estender demais ao relatar minhas opiniões sobre os diversos quesitos de uma obra nas resenhas. Porém, esse é o meu jeito – nada sucinto – de convidá-los a uma leitura. Em minha defesa, alego que não deixo spoilers estragar suas curiosidades... 
Por hoje é só... Espero que tenham gostado. Um grande abraço e até a próxima! ;)

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5 comentários:

  1. Muito bom... Mais um livro para a minha lista de desejados... Bjs

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    1. Esse livro é delicioso, Robertinha... adoro, adoro, adoro... Ah, e eu virei personagem do enredo =D

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  2. Olá!

    Eu não conhecia este autor, mas fiquei muito curiosa com a história. Gosto de recriações no mundo dos vampiros(eu mesma faço várias). Sei que é difícil um autor fazer tudo independente. Eu sou estudante de Letras e mesmo assim tenho uma grande dificuldade em revisar os meus livros. Adorei a dica. Quando eu estiver procurando mais coisa sobre vampiro, vou me lembrar desse livro.

    http://www.refugiorustico.com.br/

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    1. Oi, Maria. Obrigada pela sua visitinha e pelo comentário ♥
      Já estou seguindo seu blog, que, aliás, é delicioso... Vou ler as matérias com calma e deixar minha opinião por lá.

      Esse livro vale a pena, ele é rápido, gostoso, intenso. Tenho certeza de que você vai adorar!
      Fiquei feliz de saber que você também é escritora. Não se esqueça de me avisar assim que publicar seus textos, certamente me tornarei uma leitora ;)

      Beijos!!!

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  3. Oi Vanessa!

    Adorei sua resenha! Não conhecia o autor e nem o livro e fiquei curiosa! Sou fã de enredo sobrenatural e claro que quero lê-lo!

    Tbm gostei da capa, apesar de simples. Deu um diferencial na obra, acho eu!

    Bjo bjo^^

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