Destaques

assine a newsletter

domingo, 28 de junho de 2020

✓ Resenha: A Peste das Batatas - Paulo Sousa


Título: A Peste das Batatas (Skoob) | Autor: Paulo Souza | Gênero: Sátira Política | Editora: Pomelo | Páginas: 192 | Onde comprar: Amazon / Pomelo (com brinde) | Classificação: 4 de 5 | Publicidade



Assista aqui ↴




Prefere ler? Pode fazê-lo aqui ↴


A PESTE DAS BATATAS nos traz uma sátira político-social no nosso Brasil contemporâneo. Nessa obra revivemos o período pré-eleitoral de 2018, que na verdade é apenas um plano de fundo para uma peste que assola as plantações de batata e consequentemente, a economia.

No Vale da Batata, Omar Salgado leva sua vida simples, legado de seu pai, plantando batatas e vivendo o aperto financeiro entre uma safra e outra. Omar espera por um empréstimo do banco direcionado para pequenos agricultores, um empréstimo burocrático que custa vir. Como a vida do trabalhador simples sempre pode piorar, uma peste quase sobrenatural invade sua plantação, e Omar começa a notar diferença no peso das sacas, até que essa se torne gritante e em meio aos colegas de plantio, percebam que as batatas simplesmente somem, deixando em seu lugar sal puro.

O Vale entra em desespero, já que a maior fonte de renda está literalmente esfarelando, e logo o impacto causado na produção torna-se interesse público e político. Então é aqui que entra Jameson, um prestigiado pesquisador, especialista em tubérculos

“(...)rumo a Brasília, neste país lugar melhor não há.”

Aqui nós temos uma mudança de narrativa, parece estranha até você notar que é totalmente proposital por parte do autor. Mesclando o formal e a oralidade, que torna agradável a leitura, nos capítulos de Omar as palavras escolhidas são coloquiais, carregadas de gírias, enquanto nas escolhidas para Jameson são em grande parte cultas, carregadas de termos científicos; sem esquecer do machismo e do racismo que emprega ora aqui, ora ali. Jameson traz a primeira pessoa na narrativa que anteriormente pertencia a terceira, deixando Omar numa posição “inferior”, logo que sua vida é narrada por alguém que diferente de Jameson, narra suas próprias peripécias, tentando apresentar-se a nós como o culto herói educado, aliado à ciência, que salvará com certeza a nação da extinção das batatas. Porém, ao longo da trama, entre ambição, meritocracia e desonestidade (muito presentes no cotidiano da maioria dos brasileiros), Jameson figura mais como anti-herói ou aproveitador do que salvador da pátria.

Todos os personagens possuem seus delitos, pequenos ou grandes, assim como atitudes politicamente incorretas. Ninguém está a salvo, claro que há diferença entre o quanto cada uma delas afeta ao próximo e a sociedade em si.

O autor capricha nas informações técnicas, na descrição dos ambientes e nos fatos históricos, puxando o leitor para paralelos e reflexões durante toda a leitura.

Não posso falar dessa obra sem citar as referências que o autor buscou para seus personagens, em tons críticos e humor ácido. Algumas referências são indissociáveis como o famoso "sê-lo-ia" do presidente José Vlad da Silva e sua preocupação com a opinião pública.

“‘Quase um vampiro’, brincou Mara, e o presidente sorriu moderadamente.”

O final chuta o pau da barraca - ou da batata - com um presidente mostrando suas “presas” autoritárias e o impulso do trabalhador - que fora prejudicado do início ao fim - de cortar o mal pela raiz.

Estaria Paulo Sousa prevendo nosso atual cenário?
“Assim como no Brasil, Omar virou bruscamente à direita, (...)”

Comentários via Facebook

0 comentários:

Postar um comentário

© Fundo Falso | Andréa Bistafa – Desde 2010 - Tema desenvolvido com por Iunique - Temas.in