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sábado, 12 de janeiro de 2019

✓ Resenha: Todo Mundo Merece Morrer - Clarissa Wolff


Título: Todo Mundo Merece Morrer (Skoob) | Autor: Clarissa Wolff  | Gênero: Suspense | Editora: Verus | Páginas: 168 | Onde comprar: Amazon / Submarino | Classificação: 4 Estrelas | Livro cedido pela editora


A trama ocorre na linha verde do metrô de São Paulo: um desconhecido saca um revólver e atira em um médico, contudo, um dos passageiros detém o atirador, salvando as demais pessoas de serem atingidas. O ocorrido logo vira manchete: há o herói, o vilão e várias vítimas inocentes.

"O metrô parou na estação seguinte e, quando partiu novamente, eu vi um movimento do cara misterioso. As mãos estavam dentro do casaco e pela primeira vez eu acho que entendi o que Helena falava quando se referia a "sentir" alguma coisa. Ele parou entre as duas portas, descruzou os braços e atirou no cara que tava sentado mais perto dele. E, de repente, sem explicação ou intenção consciente, eu me joguei sobre ele." (p. 23)

Mas será que as pessoas podem realmente se enquadrar nos estereótipos de vítima ou vilão?
Todo mundo merece morrer é uma forte e reflexiva crítica à sociedade. O assassino é mesmo o monstro que a mídia expôs? O herói é realmente uma boa pessoa? O quanto os demais passageiros são inocentes? O que vemos é realmente quem somos? Afinal, no vagão há um padre, uma professora, um médico, entre outras pessoas, inclusive adolescentes. Podemos julgar a índole de cada um apenas por quem elas demonstram ser?
Há muita crítica social abordando temas como preconceito racial, abuso, estupro, miséria, misoginia, diferença social e falta de oportunidade. A cada capítulo conhecemos uma pessoa e seus pecados.
O cenário é muito rico, ambientado em vários pontos de São Paulo, até mesmo dentro do Aquário de São Paulo (me chamou a atenção pois visitei uma vez e adorei, rs).
A narrativa da Clarissa é forte e envolvente, sendo quase impossível parar de ler antes de descobrir quem é quem dentro do vagão (por mais que não possamos sentir empatia por quase ninguém). Os diálogos também são muito bem elaborados, pois mantém as gírias da linguagem coloquial de acordo com cada personagem.
A obra em si vai muito além do suspense. Fiquei chocada com alguns relatos, somos tomados dos mais diversos sentimentos durante a leitura, inclusive repulsa. Porém, a autora foi muito além de um simples caso de homicídio, trazendo as raízes dos problema atuais da sociedade brasileira, o preconceito e a violência enraizada em nossa cultura.
Todas as pessoas daquele vagão fizeram ou colaboraram com algo ruim, seja de forma proposital ou acidental. As atitudes extremamente perturbadoras se chocam com a nossa capacidade de julgar pelo que vimos.
Para quem não se importa com um pouco de spoiler, adianto alguns personagens: há a professora racista e preconceituosa da escola pública, a adolescente linda que vai muito além da pratica de bullying, um cara extremamente machista e que faz parte de um clube do Carimbo de usuários de HIV, uma mulher que não queria ter seu filho de jeito nenhum, uma infiel, entre outros personagens marcantes, que vamos conhecendo a cada capítulo da obra estruturada em três partes: O herói; As vidas da linha verde; O vilão.

"[...] Não aguentava encarar minha irmãzinha chegando em casa envolta em sangue, o rosto sangrando, alegando se mutilar para ficar feia como eu, e então salva da violência dos homens." (p. 101)

Em suma, a obra traz uma narrativa forte, em alguns momentos agressiva, justamente com o propósito de impactar e causar reflexão. Afinal, será que todos merecem morrer?

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1 comentários:

  1. Fiquei bem curiosa, ainda não conhecia esse livro!

    https://www.submersaempalavras.com/

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