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sábado, 13 de janeiro de 2018

✓ Resenha: Belas Adormecidas - Stephen King e Owen King



Sinopse: Pelo mundo todo, algo de estranho começa a acontecer quando as mulheres adormecem: elas são imediatamente envoltas em casulos. Se despertadas, se o casulo é rasgado e os corpos expostos, as mulheres se tornam bestiais, reagindo com fúria cega antes de voltar a dormir. Em poucos dias, quase cem por cento da população mundial feminina pegou no sono. Sozinhos e desesperados, os homens se dividem entre os que fariam de tudo para proteger as mulheres adormecidas e aqueles que querem aproveitar a crise para instaurar o caos. Grupos de homens formam as “Brigadas do Maçarico”,incendeiam em massa casulos, e em diversas partes do mundo guerras parecem prestes a eclodir. Mas na pequena cidade de Dooling as autoridades locais precisam lidar com o único caso de imunidade à doença do sono: Evie Black, uma mulher misteriosa com poderes inexplicáveis. Escrito por Stephen King e Owen King, Belas Adormecidas é um livro provocativo, dramático e corajoso, que aborda temas cada vez mais urgentes e relevantes.

Título: Belas Adormecidas (Skoob)
Autor: Stephen King e Owen King
Gênero: Ficção
Editora: Suma
Páginas: 728
Onde comprar: Amazon / Submarino
Classificação: 10 (Excelente!)
Livro cedido pela editora.


Certo dia, uma mulher muito bonita, chamada Eve, entra em um trailer de produtores de metanfetamina e mata todos de forma violenta, poupando apenas a única mulher do grupo: Tiffany.

Não demora muito para a xerife da cidade, Lila Norcross, encontrá-la e a levar ao Instituto Penal para Mulheres de Dooling. Contudo, enquanto os policiais tentam desvendar o crime, uma notícia inusitada e assustadora surge nos jornais de todo o mundo: uma doença misteriosa estava afetando todas as mulheres que dormiam.

Após dormirem, as mulheres não acordavam mais e eram envoltas em uma substância branca, uma espécie de casulo. A doença passa a ser chamada de Doença do Sono ou Aurora – em referência ao conto de fadas da Bela Adormecida. Contudo, há um detalhe importante: se essas mulheres forem acordadas ou removidas de seus casulos, se tornam extremamente agressivas. 

“Eram imagens de segurança de uma garagem subterrânea. Um mulher, com idade e raça indeterminadas pela posição da câmera e pela imagem granulada, embora vestida claramente com o uniforme de atendente de estacionamento, estava em cima de um homem de terno. Ela parecia estar esfaqueando a cara dele com alguma coisa. Um líquido preto escorria pelo chão, e fios brancos estavam pendurados no rosto dela. O noticiário da TV nunca mostraria uma coisa assim antes daquele dia, mas parecia que a Aurora tinha tirado de cena as linhas de ética e moral das emissoras.” (p. 341)

Quando a notícia se espalha pela cidade de Dooling, o caos é instaurado. Multidões vão até os supermercados em busca de energéticos e até mesmo de drogas para as mulheres se manterem acordadas.

Como se tudo já não estivesse uma bagunça, a notícia de que a nova presidiária, Eve, acordou normalmente depois de dormir, se espalha como fogo pela cidade, instigando um grupo – liderado por Frank Geary, o agente de controle de animais da cidade – a encontrá-la na cadeia.

Há muitos personagens na trama e todos contribuem um pouco com a bola de neve que a situação se torna em Dooling. Clinton Norcross, o psiquiatra da prisão, acaba no comando, após a diretora Janice Coates dormir. A misteriosa Eve, ao mostrar ter conhecimento de informações que ninguém mais teria, diz ser responsável pelo que está ocorrendo. Michaela Morgan, jornalista, se mantém acordada durante dias por meio de drogas ilícitas e retorna para a cidade em busca da mãe. Terry Coombs assume o comando da polícia, mas sua fraqueza emocional abala toda a equipe policial. Don Peters, guarda da prisão, leva seu machismo ao extremo.

“Clint estava abalado. Ela era realmente perturbada, ficava coerente e perdia a coerência, como se o cérebro estivesse no equivalente neurológico de uma cadeira de oftalmologista, vendo o mundo por uma série de lentes variadas.” (p. 177)

Há ainda a existência da Brigada do Maçarico: homens que passaram a incendiar as mulheres adormecidas, após um boato de que os casulos faziam a doença se espalhar. (Obs.: A existência dessas brigadas me lembrou o livro de Joe Hill, Mestre das Chamas, no qual um Bonde da Cremação também incendiava pessoas infectadas. Vale lembrar que Joe Hill é filho do Stephen King, rs.)

Com um cenário tão inimaginável, o mundo todo ameaça virar um caos: há uma porcentagem minúscula de mulheres acordadas, saques de lojas, desespero generalizado e, ainda, uma infestação de mariposas.

Stephen e Owen King criam uma incrível obra de ficção, no qual acontecimentos estranhos – seriam sobrenaturais? – se mesclam aos caos humano frente à uma situação difícil. Porém, também abordam assuntos complexos, como o machismo, a violência e o futuro da humanidade, além, é claro, da existência de um mundo sem mulheres, e vice-versa.

O livro foge um pouco dos clássicos de terror do Stephen King, trazendo uma obra de suspense com muitos aspectos da realidade humana, lidando principalmente com a violência e a reação das pessoas frente à uma situação inusitada e assustadora. Volto a ressaltar a semelhança com a obra de Joe Hill, Mestre das Chamas, no qual a natureza humana sobressai aos aspectos sobrenaturais – embora haja seus toques de mistério.

“[...] Com os próprios olhos, ele testemunhou uma coisa que não podia ser explicada. Havia um outro lado do mundo. Havia um estrato mais profundo que estava totalmente invisível até aquela manhã.” (p. 344)

A narrativa é muito envolvente, tanto que nem percebemos que a obra conta com mais de 700 páginas. A trama é convincente e bem amarrada, há muitos personagens e todos são bem trabalhados (para o leitor não se confundir, antes da história iniciar há uma relação de todos os personagens da obra, suas respectivas profissões e idades, é muita gente!). O foco maior do cenário é a cidade de Dooling, na Geórgia (EUA), mas o mundo todo é citado e afetado pelo fenômeno da Aurora. 

Belas Adormecidas vai além de uma obra instigante e repleta de suspense que entretêm os leitores. Há crítica nas entrelinhas desde a relação humana com a natureza, a própria natureza agressiva do homem e a reflexão sobre um mundo sem as mulheres, ressaltando a importância de discutir o machismo, misoginia e as relações de abuso.



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1 comentários:

  1. Amanda!
    Na verdade nem todos os livros do King (e de sua prole) são de terror, alguns são mesmo de ficção com um jeito de thriller psicológico e acredito que é o caso aqui do livro, onde há uma série de novas doenças, o conflito entre os sexos, os mistérios em relação aos assaddinatos e por aí vai.
    Gostei de ver que há uma introdução falando sobre as diversas personagens, o que deve facilitar o entendimento.
    O livro foi perfeito para você, não é mesmo?
    Bom final de semana e Novo Ano repleto de realizações!!
    “Que a paz, a saúde e o amor estejam presentes em todos os dias deste novo ano que se inicia. Feliz Ano Novo!” (Desconhecido)
    cheirinhos
    Rudy
    1º TOP COMENTARISTA do ano 3 livros + Kit de papelaria, 3 ganhadores, participem!

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