✓ Resenha: As Sobreviventes - Riley Sager

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Sinopse: “Ela corria por instinto. Um alerta inconsciente de que precisava continuar, independentemente do que acontecesse.”
Há dez anos, a estudante universitária Quincy Carpenter viajou com seus melhores amigos e retornou sozinha, foi a única sobrevivente de um crime terrível. Num piscar de olhos, ela se viu pertencendo a um grupo do qual ninguém quer fazer parte: um grupo de garotas sobreviventes com histórias similares. Lisa, que perdeu nove amigas esfaqueadas na universidade; Sam, que enfrentou um assassino no hotel onde trabalhava; e agora Quincy, que correu sangrando pelos bosques para escapar do homem a quem ela se refere apenas como Ele. As três jovens se esforçam para afastar seus pesadelos, e, com isso, permanecem longe uma da outra; apesar das tentativas da mídia, elas nunca se encontraram.
Um bloqueio na memória de Quincy não permite que ela se lembre dos acontecimentos daquela noite, e por causa disso a jovem seguiu em frente: é uma blogueira culinária de sucesso, tem um namorado amoroso e mantém uma forte amizade com Coop, o policial que salvou sua vida naquela noite. Até que um dia, Lisa, a primeira sobrevivente, é encontrada morta na banheira de sua casa com os pulsos cortados; e Sam, a outra garota, surge na porta de Quincy determinada a fazê-la reviver o passado, o que provocará consequências cada vez mais assustadoras. O que Sam realmente procura na história de vida de Quincy?
Quando novos detalhes sobre a morte de Lisa vem à tona, Quincy percebe que precisa se lembrar do que aconteceu naquela noite traumática se quiser as respostas para as verdades e mentiras de Sam, esquivar-se da polícia e dos repórteres insaciáveis. Mas recuperar a memória pode revelar muito mais do que ela gostaria.

Título: As Sobreviventes (Skoob)
Autor: Riley Sager
Gênero: Thriller Suspense
Editora: Gutenberg
Páginas: 336
Onde comprar: Amazon
Classificação:
Livro cedido em parceria com a editora. 




Quincy foi a única sobrevivente de um massacre que ocorreu no Chalé Pine, há dez anos. Na ocasião, ela e mais cinco amigos da faculdade alugaram o chalé para um final de semana de festa, em comemoração ao aniversário da sua melhor amiga, Janelle. Contudo, a vida de Quincy muda para sempre após ser a única sobrevivente de uma noite de terror que custou a vida de todos os seus amigos.

Após o ocorrido, a mídia a rotula como a terceira “Garota remanescente” – apelido que faz referência a única garota sobrevivente em um filme de terror. Lisa Milner e Samantha Boyd são as outras mulheres que passaram por tragédias semelhantes: a primeira sobreviveu à um massacre em uma república estudantil, e a segunda no hotel em que trabalhava.

Quincy, no entanto, não se recorda de tudo o que aconteceu naquela noite. Como sofreu amnésia dissociativa, há um grande espaço vazio em suas memórias, justamente o intervalo entre ver sua amiga Janelle ensanguentada e pedir ajuda ao policial que a resgatou da floresta.

“Basicamente, o que testemunhei foi aterrorizante demais para que minha mente frágil conseguisse reter. Então eliminei o acontecido mentalmente.” (p. 15)

Após o ocorrido, Quincy fugiu ao máximo dos repórteres e se esforçou para ter uma vida normal, criando um blog de confeitaria e uma vida estável com seu namorado, Jeff.

“Confeitar é uma ciência tão rigorosa quanto a química ou a física. Há regras que devem ser seguidas. Uma quantidade exagerada de algum ingrediente ou pequena demais de outro pode ser a ruína de uma receita. Encontro conforto nisso. Lá fora, o mundo é um lugar sem regras, onde homens estão à espreita com facas amoladas. Na confeitaria, só existe ordem.” (p. 59)

Quando Lisa Milner comete suicídio, no entanto, tudo volta à tona, colocando as Garotas Remanescentes novamente sob os holofotes, ao mesmo tempo em que Samantha, após anos sem ser vista, aparece na vida de Quincy, disposta a ajudá-la. Porém, a presença misteriosa e nada convencional de Sam a faz agir como nunca antes, desestabilizando ainda mais as suas lembranças, que insistem em voltar a assombrá-la.

“Não queria escrever um livro, nem dar outra entrevista, nem admitir que as minhas cicatrizes ferroavam toda vez que trovejava. Não queria ser uma daquelas garotas presas a uma tragédia, eternamente associada ao pior momento de sua vida.” (p. 30)

As Sobreviventes é um thriller de tirar o fôlego. Com muito suspense, cenas inusitadas e sangue, prende o leitor do início ao fim, tornando praticamente impossível interromper a leitura.

A narrativa de Riley Sager é extremamente envolvente e flui de forma rápida, com vários suspenses que se unem à trama principal, como o que realmente ocorreu no Chalé Pine, o passado de Samantha e o súbito suicídio de Lisa.

O ponto alto do livro são os acontecimentos nada previsíveis, o fato de Quincy se lembrar tão pouco da fatídica noite do massacre (e nos deixar totalmente desesperados por informações novas!), o mistério envolvendo as Garotas Remanescentes, tanto o que ocorreu com Lisa quanto o aparecimento misterioso de Sam e o interesse repentino em tornar-se amiga de Quincy.

É uma leitura repleta de suspense e homicídio, instigante a ponto de causar aflição: até onde as pessoas são capazes de ir? O único aspecto negativo consiste no intervalo de tempo relativamente grande para o desenrolar da história, para mim, alguns capítulos poderiam ser enxugados, tornando a leitura mais dinâmica.

A Quincy é uma personagem bem interessante, pois, apesar de tentar a qualquer custo parecer estável, é emocionalmente instável e utiliza o esquecimento como melhor forma de lidar com o seu passado. O que, na verdade, a torna alguém que ela não conhece inteiramente, deixando suas escassas lembranças ainda mais assustadoras.

“Eu poderia ter sido essa mulher em outra vida. Uma vida sem o Chalé Pine, sem sangue e sem um vestido que mudou de cor como em um terrível pesadelo.” (p. 14)

Lisa e Sam surgem para tornar a trama ainda mais dramática, ressaltando a mídia oportunista e sem escrúpulos que, não apenas perseguem as garotas, mas também as criaram, afinal, foram os responsáveis pelo rótulo de “Garotas remanescentes”.

Outros personagens também marcam a obra, como o policial Coop – a quem Quincy recorre todas as vezes em que se sente ameaçada – e seu atual namorado, o compreensível Jefferson.

“[...] É a torturante e inabalável sensação de que não era para eu ter sobrevivido. De que não passo de um inseto desesperado e desconcertado que o destino esqueceu de esmagar.” (p. 57)





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Um comentário:

  1. Amanda!
    Imagino que seja um enredo cheio de dor e muito drama.
    Pena que algumas coisas ficaram sem respostas.
    Gostei porque mostra o antes, o agora e o futuro, dando uma visão bem ampla de todo o enredo.
    Uma semana carregado de luz e paz!
    “A arte de ser sábio é a arte de saber o que ignorar.” (William James)
    cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA novembro 3 livros, 3 ganhadores, participem!

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