✓ Resenha: Um Menino em Um Milhão - Monica Wood

quinta-feira, 20 de julho de 2017



Sinopse: Quinn Porter é um guitarrista de meia-idade que nunca conseguiu deslanchar na carreira. Enquanto aguardava sua grande chance na música, foi um marido e pai ausente, e jamais conseguiu estabelecer um vínculo afetivo com o filho, uma criança obcecada pelo Livro dos Recordes e algumas peculiares coleções.
Quando o menino morre inesperadamente, alguém precisa substituí-lo em sua tarefa de escoteiro: as visitas semanais à astuta Ona Vitkus, uma centenária imigrante lituana.
Quinn assume então o compromisso do filho durante os sete sábados seguintes e tenta ajudar Ona a obter o recorde de Motorista Habilitada Mais Velha. Através do convívio com a idosa, ele descobre aos poucos o filho que nunca conheceu, um menino generoso, sempre disposto a escutar e transformar a vida da sua inusitada amiga. Juntos, os dois encontrarão na amizade uma nova razão para viver.
Um Menino em Um Milhão é um livro sensível, poético e bem-humorado, formado por corações partidos e aparentemente sem cura, mas unidos por um elo de impressionante devoção pessoal.

Título: Um Menino em Um Milhão (Skoob)
Autor: Monica Wood
Gênero: Drama
Editora: Arqueiro
Páginas: 352
Onde comprar: Amazon
Classificação: 9,7 (Excelente!)
Livro cedido em parceria com a editora.




Ona Vitkus é uma senhora de 104 anos, que recebe a ajuda semanal de um garoto de 11 anos que faz parte de um grupo de escoteiros, chamado Tropa 23. Certo sábado, o garoto não aparece, e é seu pai Quinn quem realiza os reparos na casa, como consertar coisas, aparar a grama e alimentar os pássaros.

Quinn é guitarrista de uma banda, porém, o desejo em se tornar um grande músico o fez se tornar um pai ausente, até mesmo faltando às visitas do filho, que morava com sua ex-mulher Belle.

O garoto, certa manhã, faleceu enquanto andava de bicicleta, com uma doença rara conhecida como Síndrome do QT Longo, que causou uma espécie de pane elétrica em seu coração.

O garoto não era um menino convencional de onze anos, ele era tímido, tinha a mania de listar tudo, estocar coisas, gostava de recordes estranhos, sendo fascinado pelo Guinness Book, também queria conquistar medalhas como escoteiro, e para isso estava aprendendo sobre pássaros.

“Segundo Belle, a necessidade de acumular era uma reação mais do que compreensível para quem tinha um pai ausente, um pai que não fazia mais do que gotejar visitas e carinho feito uma torneira quebrada. “Pense bem”, dissera ela certa vez. “Por que um garoto de 11 anos cria estoque das coisas de que precisa?” (p. 16)

Aos 104 anos, Ona morava sozinha e contava com a ajuda dos escoteiros para manter a casa em ordem. O garoto, ao se tornar amigo de Ona, compartilha seus desejos com a senhora e acaba arrastando-a para o que era sua maior paixão: os recordes do Guinness Book. Para Ona, havia algumas possibilidades para ficar marcada na história: como a pessoa mais velha do mundo ou, ainda, como a pessoa mais velha do mundo habilitada.

“− Não é dos recordes de esporte que eu gosto... – foi logo explicando – É dos recordes tipo... Um, maior tempo rodando uma moeda sem deixar ela cair. Dois, a maior coleção de minilápis do mundo. Três, o maior fio de cabelo da orelha.” (p. 31)

Ona se tornou a minha personagem preferida. Ao longo da narrativa conhecemos vários aspectos da sua vida, uma vida muito difícil aliás. Ela se mudou com os pais para os Estados Unidos (Maine) com apenas quatro anos, seus pais, para a criarem como uma garota americana, abdicaram do contato com a filha pelo idioma natal, Lituano, fazendo com que eles trocassem pouquíssimas palavras em inglês. Ona passou sua infância com a vizinha que ensinava inglês, Maud-Lucy, considerando-a uma mãe. Porém, o pouco contato com seus pais fez com que, ainda garota, fugisse junto com um circo. Ona teve uma história complicada, se casando mais tarde com um homem difícil de lidar, se esforçando para conseguir estudar e fazendo apenas mais uma amiga durante sua vida: Louise, com quem trabalhava em uma universidade.

Um menino em um milhão é um livro muito bonito, uma história triste, mas inspiradora, que mostra o amadurecimento enorme dos personagens frente a uma dor, que atinge-os de formas diferentes. Junta-se à isto uma amizade inusitada que vem para tornar tudo mais claro e mais fácil de ser enfrentado.

A narrativa de Monica Wood é ótima, traz uma leitura fácil e rápida, fluindo muito bem, com capítulos intercalados à tabelas muito interessantes de alguns recordes que compõe o Guinness Book, além de também apresentar uma entrevista de Ona, que o garoto realizou em dez partes.

A trama é bem elaborada, pois traz uma chuva de sentimentos para os leitores. Sentimos a dor da perda do garoto de diversas maneiras: pela mãe coruja que o amava acima de tudo, pelo pai que não teve a oportunidade de conhece-lo de verdade, por medo e outras prioridades, também pelos olhos de Ona que, apesar de conhece-lo a pouco tempo, viu o que o garoto possuía de mais profundo, tornando-se a amiga que ele nunca teve. Também percebemos como a presença de Ona nas vidas de Quinn e Belle muda-os para sempre, dando forças para Belle superar sua perda e fazendo Quinn enxergar seu filho como ele era de verdade. Ona também é mudada ao final de toda a história: o garoto trouxe para sua vida lembranças e desejos que ela jamais teria aos 104 anos, buscando seu passado esquecido na Lituânia, o contato com seu primeiro filho, a vontade de viver por algo a mais, que ela já não possuía.

O mais interessante da obra é que o garoto, nosso personagem principal, dono de uma personalidade única e o responsável por mudar a vida inteira de três pessoas, não recebe um nome durante a obra. Assim como o título, “Um menino em um milhão”, ele poderia ser qualquer garoto do mundo, qualquer filho entre tantos pais. A história poderia ocorrer em qualquer lugar do mundo... 

A história de Quinn é a mais forte, pois em onze anos ele jamais conheceu a fundo seu próprio filho. Decidido a viver da música, dedicou-se à conseguir ganhar seu sustento como guitarrista, mesmo que para isso precisasse deixar de lado sua esposa Belle, com quem divorciou e reatou algumas vezes, e seu próprio filho.

Há vários pontos marcantes na história: o fascínio do garoto pelos recordes do Guinness Book e as passagens que relatam alguns deles; os pontos em comum de um garotinho de onze anos e uma senhora de cento e quatro; o fato de o garoto, mesmo após ter falecido, conseguir mudar a vida de Quinn por intermédio de Ona, que também teve sua vida mudada pelo garoto.

É uma história linda sobre amizade, amor e a necessidade de estarmos com as pessoas e conhece-las realmente. Remete ao fato de nos importarmos mais com quem está ao nosso redor, e nos ama do seu jeito. Esse garoto em um milhão poderia ser qualquer um. Poderia ser seu filho, seu irmão, seu amigo... E, se apenas um garoto consegue mudar a vida de tantas pessoas, o que ainda precisa para olharmos o mundo e as pessoas que estão ao nosso redor de outra forma?

“[...] Mas tem certas fases, certas pessoas que... Que ocupam muito mais espaço que outras. Na memória da gente. Fui casada com o Howard por 28 anos, mas na maior parte das vezes nem lembro que ele existiu. Outras pessoas, no entanto, chegam na sua vida e se instalam nela sem nenhum pudor, depois nadam de braçadas na sua história. Pessoas de envergadura.” (p. 223)

Gostei da capa, apesar de ser simples se encaixa perfeitamente ao contexto. A diagramação está linda e quanto a revisão, apenas um errinho escapou. Os personagens são incríveis e a trama mostra a tristeza da perda e a dor de perder alguém que você sequer conheceu por culpa própria, porém também nos mostra como a amizade pode ajudar a superar as coisas, e como ela pode existir mesmo em pessoas completamente diferentes.



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19 comentários:

  1. Oi, Amanda!!
    Amei a resenha e achei a estória muito interessante e triste ao mesmo tempo!! E difícil lidar com a morte e imagine de um garoto super ativo que do nada morre? Acho que esse pai sem dúvida, vai aprender muito sobre a vida do filho, e como ele faz a diferença para as pessoas!!
    Beijoss

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  2. Adorei a resenha, parece ser um livro muuito lindo !! Realmente é incrível como uma pessoa pode mudar a vida de várias pessoas, acredito que todos nós temos esse dom só não sabemos usá-lo, essa história me lembrou um pouco Up- altas aventuras kkk por causa do menininho escoteiro e a senhora( no caso do filme, era um senhor, mas que o menininho mudou a vida do senhor tbm), deve ser um livro nem fofinho, que envolve a família e a amizade, e acho qe ate nos faz pensar o q vale a pena renunciar pelos nossos sonhos. Quero muito ler.

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  3. Parece ser uma história bem sensível mesmo, profunda e apaixonante.
    Apesar de não curtir muito esse gênero literário e meu coração não estar lá muito bem para fortes emoções, leria o livro sim.
    Fiquei super interessada, confesso!
    Beijos,
    Caroline Garcia

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  4. Oi Amanda, que história interessante, uma senhora com uma enorme bagagem, tendo vivido muito e cheia de história pra contar e um garoto que morre jovem mas que deixa sua marca em todos os personagens principais. Achei bem bonita a premissa e espero ter a oportunidade de ler futuramente ;)

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  5. Quero muito ler esse livro e conhecer a história da Ona e da família do garoto. Ele morre logo no início, mas a história continua passando sobre a vida dele. Acho que vou gostar muito da Ona por ela ter feito transformações na vida da família do menino fã do livro dos recordes e por ter se transformado também como pessoa.
    Espero ler logo *-*

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  6. Olá!
    Quero muito ler esse livro! A premissa é muito boa e fiquei muito curiosa para saber mais sobre o livro <3
    Apesar de não ler muito esse gênero, tenho muito interesse porque sempre gostei dos que li. Parece ser uma história muito profunda que emociona e traz várias reflexões.
    Beijos

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  7. Olá, não conheço o trabalho da autora, mas vejo que ela tem uma escrita profunda que nos provoca várias reflexões. O livro ainda conta com traços inovadores, como a presença de trechos do Guiness Book, que deixam a trama ainda mais interessante. Beijos.

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  8. Amanda!
    Acredito que o mais importante em uma leitura é, o quanto ela nos toca e nos faz quebrar alguns paradigmas.
    É pelo visto o livro traz isso para o leitor ao acompanhar a caminhada do garoto ao lado de uma centenária cheia de experiências e um menino calado, retraído...
    Fiquei bem curiosa, viu?
    “Educar é semear com sabedoria e colher com paciência.” (Augusto Cury)
    Cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA DE JULHO 3 livros, 3 ganhadores, participem.
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/

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  9. Oi Amanda,
    Estou bem intrigada pra ler esse livro, e o conto também, pois me encantei com a sinopse. Não vou criar muitas expectativas, mas esse livro promete trazer uma emocionante história que conquista pela simplicidade e pelas lições de perda e luto.
    Já gostei da Ona, uma senhora que enxergou e valorizou a beleza da amizade com um garotinho tão especial como o “menino”.
    Espero me surpreender com esse livro e me encantar com as lições e reflexão que a história traz.
    Beijos

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  10. Esse livro parece ter uma historia muito envolvente e emocionante e que deixa o leitor refletindo sobre suas atitudes, pois precisou o filho morrer para o pai conhecê-lo melhor através de Ona. E gostei por mostrar as dificuldades que uma pessoa mais velha passa nos seus afazeres e precisar da ajuda desses escoteiros. O livro parece ser realmente muito bom, e vai entrar para a minha listinha!

    Beijos!

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  11. Oi.
    Sempre que leio resenhas desse livro, tenho curiosidade para fazer a leitura do mesmo. Acho que é um enredo que cativa e emociona. Se fala em amizades e tudo que nos proporciona, já vale muito a pena. Obrigada pela dica!
    Linda resenha.
    Beijos.

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  12. Oi! Já li diversas resenhas sobre esse livro e os comentários são sempre bem positivos! Tenho muita curiosidade em ler pois realmente parece ser uma história muito linda (apesar de triste). Adorei saber que a leitura é super tranquila de ler! Beijoss

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  13. Eu já li diversos comentários sobre este livro e tenho curiosidade em ler ele, é uma história que fala da amizade, e que como você citou é triste mas inspiradora. Gostei muito da sua resenha e quero ler este livro.

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  14. Eu nunca tinha ouvido falar desse livro. Mas percebi que a história é muito boa, achei a premissa bem interessante, e bem diferente, nunca li nenhum livro parecido. Já percebi também que eu iria gostar muito do Quinn, ele parece ser muito legal, e é uma pena saber que ele vai morrer. O livro realmente parece ter uma história linda, e bem tocante. Fiquei com bastante vontade de lê-lo
    Bjss ^^

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  15. Acabei relacionando com o filme Up também pelo fato do menino ser escoteiro e fazer amizade com um idoso. É uma relação muito bonita quando nasce pura assim, amo tanto que nem sei e por isso o livro me chamou atenção. E ah... eu também adoro o Guinness Book, que nem ele, certamente adoraria descobrir sobre alguns recordes que eu ainda não conheça. Muito interessante! <3 Beijos.

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  16. Gosto muito de livros nesta temática, o amadurecimento das pessoas em frente a dor, e vejo que a autora conseguiu aborda este assunto de maneira leve e fluida, mas que ao mesmo tempo consegue fazer com que o leitor se emocione com a estória deste garoto, e das pessoas que estavam ao seu lado, como seu pai. Esta obra esta na minha lista de desejados, e espero ter oportunidade de lê-lo.

    Participe do TOP COMENTARISTA de Julho, para participar e concorrer aos livros "O Casal que mora ao lado" e "Paris para um e outros contos".
    http://petalasdeliberdade.blogspot.com.br/

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  17. Estou vendo ótimas resenhas deste livro nos blogs, e realmente ele parece muito inspirador, pois imagino a dor que esse personagem passa e o quanto ele amadurece ajudando a senhorinha.
    Mais uma vez sua foto está linda.

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  18. Muito tocante, uma história incrível, confesso que ultimamente estou puxada para os dramas.
    Gosto de histórias que marcam e nos fazem refletir também.

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  19. Olá!
    Já li tantas resenhas desse livro e fiquei tão encantada com a historia. O livro tem aquele sentimento que faz você pensar muito sobre sua vida e as pessoas ao seu redor, são coisas que você tem que pensar antes de falar, se afastar de alguém. O livro é super fofo e merece ser lido com tanta delicadessa e absorvendo a trama.

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