✓ Resenha: A Zona Morta - Stephen King

quarta-feira, 28 de junho de 2017





Sinopse: Depois de quatro anos e meio, John Smith acorda de um coma causado por um acidente de carro. Junto com a consciência, o que John traz do limbo onde esteve são poderes inexplicáveis. O passado, o presente, o futuro – nada está fora de alcance. O resto do mundo parece considerar seus poderes um dom, mas John está cada vez mais convencido de que é uma maldição. Basta um toque, e ele vê mais sobre as pessoas do que jamais desejou. Ele não pediu por isso e, no entanto, não pode se livrar das visões. Então o que fazer quando, ao apertar a mão de um político em início de carreira, John prevê o que parece ser o fim do mundo?


Título: A Zona Morta (Skoob)
Autor: Stephen King
Gênero: Thiller / Suspense
Editora: Suma de Letras
Páginas: 480
Onde comprar: Amazon / Saraiva
Classificação: 10 (Excelente!)
Livro cedido em parceria com a editora.




A Zona Morta é um clássico de Stephen King, lançado originalmente em 1979. Contudo, eu tive contato com a obra apenas em seu relançamento em 2017.

Apesar de escrito na década de 70, não sentimos diferença para as leituras atuais, nos deparando com um thriller moderno de suspense. A narrativa de King é muito envolvente, e faz com que os leitores dificilmente consigam parar de ler. A linguagem também é muito boa, de fácil entendimento e com vários pontos da trama que vão se ligando, o que faz com que tenhamos suspense atrás de suspense, e não uma narrativa monótona.

A história começa em 1953, quando John Smith ainda é uma criança de 6 anos e sofre uma pancada na cabeça enquanto patinava, ficando inconsciente por alguns instantes. Nos anos que se seguem, passa a ter alguns pressentimentos, como por exemplo saber qual será a próxima música a tocar no rádio. Contudo, os episódios são pouco frequentes e John não dá muita importância para isso.

John cresce e se forma professor, ministrando aulas na cidade de Cleave Mills, no Maine, em 1970. Conhece Sarah e passam a ter um relacionamento, ela também é professora. No Halloween, vão até um parque com várias atrações e, após irem em alguns brinquedos e comerem um cachorro-quente que provavelmente estava estragado, John para em frente à Roda da Fortuna, um jogo de apostas, e acaba testando sua sorte, que se mostra absurdamente à seu favor, levando uma bolada de dinheiro após algumas rodadas. Entretanto, a noite termina de forma inesperada: após deixar Sarah em casa, voltando de táxi, sofre um grave acidente, que leva Johnny para um coma de quatro anos e meio.

Quando acorda, algo de muito estranho ocorre: ao tocar pessoas ou objetos, ele passa a sentir algo que aconteceu ou irá acontecer, uma espécie de visão, por exemplo, ao tocar uma foto, descobre quem é e onde está a mulher do retrato, apesar de não conhece-la.

A notícia logo incendeia a mídia, transformando John em uma espécie de celebridade e acendendo sentimentos controversos. Tudo o que ele queria, entretanto, era voltar a ser uma pessoa normal – ou ter a sua vida de volta. Entre muitos que o procuram, destaca-se o Xerife Bannerman, que pede sua ajuda para desvendar um caso de assassinato em série.

“Tocar nas roupas das pessoas e de repente conhecer seus pequenos temores, pequenos segredos, seus insignificantes triunfos – isso era anormal. Era um dom anormal, era uma maldição.” (p. 272)

Os personagens de Stephen King, como sempre, são muito bem construídos, temos na obra Johnny Smith como protagonista e Herb, seu pai, Sarah, sua namorada e Vera, sua mãe, como personagens secundários, além de outros personagens importantes, como seu médico Dr. Weizak, seu aluno Chuck e a figura peculiar de Greg Stillson.

Greg Stillton é uma figura bem estranha, tomado por impulsos violentos repentinos e um emocional bem instável. Ao longo de sua vida, fracassou em muitos trabalhos, mas também obteve sucesso apelando para a violência ou outras formas sujas de crescer na vida. Para Greg, o céu é o limite e seu próximo passo é conseguir um bom cargo na política, para isso ganhando a confiança do povo trabalhador e prometendo redução de impostos, reabilitação de delinquentes e várias outras modificações nas cidades, algumas tão surrealistas quanto mandar todo o lixo para Marte.

A trama gira em torno de John, alguém que realmente me cativou. O professor de inglês é simpático e doce, possui empatia pelos outros e, mesmo com todas as reviravoltas de sua vida, permanece disposto a ajudar as pessoas. Ele nutre por Sarah um amor invejável, o que acaba se tornando um fardo após seu acidente. Mesmo quando está no alvo da mídia ainda consegue manter a cabeça no lugar e usa seu “dom” – ou maldição, como prefere chamar – de forma sensata, destratando apenas os sensacionalistas estúpidos que insistem em persegui-lo.

Sua fama de paranormal não é bem aceita. Mesmo tentando, é impossível controlar suas visões, que muitas vezes podem salvar vidas, mas faz com que todos o vejam como aberração ou um charlatão. Quando uma visão surge, ela se apossa do corpo de John, que age como em delírio.

“Ninguém seria capaz de agir ou encenar algo assim. E a parte mais terrível daquilo era... que ele parecia tomado por alguém. O sorriso... o tom de voz... Johnny Smith desaparecera; parecia ter sido substituído por um espaço humano em branco.” (p. 293)

Decidido a viver isolado e longe das cartas e assédios dos que desejam suas visões, John acaba se interessando pela vida dos políticos e um aperto de mão com o controverso deputado Greg faz com que a vida de John vire novamente ao avesso, afinal, como se manter indiferente frente a todas as sensações ruins que sentiu, além do futuro caótico que presenciou?

Sarah também é uma personagem marcante pois torcemos por ela, mesmo quando já está casada com outro homem após o coma de John. No fundo, mantemos aquela vontade de que Sarah e John voltem a ser um casal, pois está nítido o quanto ela o ama, e nunca deixou de amá-lo de fato, foi apenas uma crueldade sem limites da própria vida que os afastou. Herb e Dr. Weizak também são personagens importantes, ambos preocupam-se muito com John, e Weizak, além de seu médico, também é um amigo. Já sua mãe Vera é uma personagem um tanto desconfortável, devido ao seu fanatismo religioso, que piora com os acontecimentos da vida do filho.

O cenário do Maine é bem característico dos livros de King, o que acho bem interessante, pois é como se a maior parte das suas histórias ocorressem neste Estado. Um ponto bacana é que o livro Cujo (lançado em 1981) faz referência à um personagem polêmico de A Zona Morta: o policial Frank Dodd, da cidade de Castle Rock (que, a propósito, é uma cidade fictícia). Fanatismo religioso também é outro tema abordado pelo autor em outras obras.

A capa está bem bonita e moderna, estampada pela roleta da Roda da Fortuna, onde ocorre uma das cenas mais importantes da trama, que desencadeará o longo coma no qual John será submetido. O acidente, na verdade, ocorre devido à um racha que dois veículos disputavam, um deles vindo na direção oposta ao táxi ocupado por John. Contudo, a estranha onda de pressentimentos que se apossou de John durante suas jogadas de sorte foi o gatilho de suas visões.

O título, A Zona Morta, refere-se à uma parte do cérebro de Smith que é inalcançável, ou seja, uma área onde ele não consegue acessar certas partes de suas visões. O tema do livro é muito instigante, pois este tipo de paranormalidade é um tema que, apesar de abordado em outros livros, mantem-se atual mesmo após quase quarenta anos do lançamento original. A forma como King o aborda também foge dos clichês e traz uma explicação plausível (como sequela de um coma muito longo), mesclando o “dom” com a personalidade de Smith e mostrando como o personagem, apesar de se sentir amaldiçoado, consegue usar o que adquiriu para o bem, apesar da grande pressão da mídia e de todos que preferem manter distância dele.

“Mas essa teoria supõe que as pessoas com tendência a se recuperar de um longo estado de coma já sofreram algum tipo de lesão cerebral no passado... É como se o cérebro delas tivesse feito alguma adaptação como resultado do primeiro dano, uma adaptação que lhe permitiria sobreviver a um segundo.” (p. 140)

No todo, A Zona Morta é um livro muito envolvente, cheio de suspenses que vão se ligando e formando uma trama muito maior, com um tema abordado de forma não convencional e com profundidade, explorando aspectos médicos, como o coma e as alterações cerebrais causadas pelo mesmo. A história convence e os personagens, principalmente John Smith, cativam, mas também temos alguns vilões como Greg Stillton que prometem complicar mais ainda a vida do protagonista. Questões religiosas também são muito abordadas na obra, assim como amor e relações familiares. Mesclando política com ciência, paranormalidade e assassinato em série, A Zona Morta é uma obra completa, complexa e que conquista os leitores apaixonados por suspense e mistérios sobrenaturais. Como boa fã de Stephen King, eu não poderia deixar de amar!







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11 comentários:

  1. Oi Amanda, como King é um rei do terror, eu confesso que não sou exatamente uma fã de suas obras, mas tenho acompanhado algumas que fogem um pouco do terror e entram mais na área do suspense e que tem me deixado bem interessada. Gostei da resenha, não conhecia o livro e todas as informações que você forneceu no texto me deixaram curiosa, já gostei do protagonista e assim fiquei triste que o amor dele já esta casada quando ele acorda do coma. Mas a história tem muitos ganchos interessantes e apesar de não conhecer as obras de King sei que ele é muito bom (tem muitos fãs que atestam isso) e espero ter a oportunidade de ler esse livro em algum momento, pois realmente gostei ;)

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  2. A história do livro em questão parece ser muito bem desenvolvida mesmo e pelo que pude perceber os personagens, os cenários, tudo muito bem construído.
    Me parece que o autor consegue envolver o leitor do início ao fim.
    Vejo muitos comentários positivos em relação a suas obras, mas como não sou adepta a ler livros de suspense, sempre acabo passando longe do King rs.
    Mas pela sua classificação, vejo que essa é uma obra e tanto. E confesso que fiquei um tantinho curiosa sim.
    E acredito que para os fãs, essa seja uma ótima pedida de leitura não é mesmo!?
    Beijos,
    Caroline Garcia

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  3. Nossa acredita que eu ainda não li NADA do Stephen King!! mas quero muito começar a ler algum livro desse homem porque Meu Deus, como essas resenhas me atraem e eu fico curiosa de mais com as sinopses. Adorei sua resenha, e com todas essas notas boas é capaz de ele ser minha primeira leitura do autor

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  4. Oi, Amanda!!
    Que resenha mais legal, adorei tudo nela !! E no momento em que comecei a ler a resenha fiquei a sensação que já tinha visto essa história em algum lugar, depois quando li novamente o nome do protagonista foi que lembrei que assisti a uma série na TV chamado O vidente, e como sou muito curiosa pesquisei e vi que tinha razão essa série e baseada na história desse livro do autor!! E agora que descobri essa informação fiquei mais animada para ler essa obra.
    Bjoss

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  5. Oieeee, genteeee que livro babado 😍 eu adoro a escrita do King ele tem uma maneira única de te prende durante toda leitura. Se eu quero esse livro? Querooooo muito na verdade quero todos os livros desse mestre 😍 Adorei sua resenha e a forma q vc falou sobre o livro sem spoilers.
    Bjinhos

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  6. Oi Amanda,
    E vamos a mais uma resenha do mestre, mais um livro dele que não li e mais um a acrescentar na lista que cresce a cada dia. O fato do livro apresentar uma narrativa mais moderna, considerando sua época de escrita, deve-se ao fato de que King é um autor a frente do seu tempo, algo bem nítido em suas obras. Um ponto que acho positivo neste livro é acompanharmos Johnny durante anos, permitindo uma maior conexão com o personagem. Mesmo jogando com o paranormal e trazendo com isso muitas interpretações sobre as pessoas que lidam os eventos, o autor criou um protagonista estável e pé no chão que sabe ser sensato na hora de usar seu dom.

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  7. Olá Amanda!
    Que leitura incrivel. Tenho sempre uma vontande imensa de conhecer as escritas de King, os livros dele tem aquele terror, suspense que gosto bastante, esse livro e bem interessante, tem aquele ar de suspense e que te faz pensar o que realmente está acontecendo e porque disso. Ao seguir a resenha fiquei pensando o porque de varios acidente que ele teve na vida e acabou sendo uma pessoa paranormal com poderes, fiquei bem curiosa sobre isso.

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  8. Andreia!
    Certeza que vindo do King tem de ser um bom livro.
    E o que mais gosto é justamente que ele gosta de detalhar as personagens e situações, o que me atrai mais para leitura, porque amo os detalhes.
    Quero demais poder ler mais esse livro do mestre.
    Desejo um final de semana de luz e paz!
    “Quem já passou por essa vida e não viveu, pode ser mais, mas sabe menos do que eu...” (Vinicius de Moraes)
    Cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA DE JULHO 3 livros, 3 ganhadores, participem.
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/

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  9. Oi Amanda,
    Quero muito ler um livro do mestre King, o que me falta é a coragem. Mas pelo que percebi esse livro apesar de inserir na trama a paranormalidade, é mais “leve” que os demais livros do ator. Ainda não estou preparada para encarar um livro tenebroso kkk.
    Achei esse livro genial, o protagonista John com sua zona morta e suas habilidades paranormais é muito intrigante, e a forma como o autor conduz a narrativa é bem envolvente. É o tipo de livro que prende o leitor do inicio ao fim, uma leitura de tirar o fôlego!
    Beijos

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  10. Este comentário foi removido pelo autor.

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  11. Eu ainda não li nada do Stephen King. Nadinha. Acredita? Pois é, nem eu. Sou meio medrosinha, mas mesmo assim quero ler. Pois sei que a escrita dele é fantástica. Um autor muito elogiado. Sua nota pra Zona Morta foi melhor impossível, mas ainda assim acho que vou começar por outros, com mais suspense, porque isso de paranormal vai me fazer ficar sem dormir e tudo.

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