✓ Resenha: Cujo - Stephen King

sexta-feira, 5 de maio de 2017




Sinopse: Frank Dodd está morto e a cidade de Castle Rock pode ficar em paz novamente. O serial-killer que aterrorizou o local por anos agora é apenas uma lenda urbana, usada para assustar criancinhas. Exceto para Tad Trenton, para quem Dodd é tudo, menos uma lenda. O espírito do assassino o observa da porta entreaberta do closet, todas as noites. Você pode me sentir mais perto… cada vez mais perto. Nos limites da cidade, Cujo – um são Bernardo de noventa quilos, que pertence à família Camber – se distrai perseguindo um coelho para dentro de um buraco, onde é mordido por um morcego raivoso. A transformação de Cujo, como ele incorpora o pior pesado de Tad Trenton e de sua mãe e como destrói a vida de todos a sua volta é o que faz deste um dos livros mais assustadores e emocionantes de Stephen King.


Título: Cujo (Skoob)
Autor: Stephen King
Série: Coleção Biblioteca Stephen King
Gênero: Terror
Editora: Suma de Letras
Páginas: 376
Onde comprar: Amazon / Saraiva
Classificação: 
Livro cedido em parceria com a editora. 




“Lobisomem, vampiro, carniçal, criatura sem nome de terras arrasadas. Monstro que é monstro nunca morre.” (p. 14)

O livro começa relatando o caso de Frank Dodd, um serial killer do Maine – mas também policial –, responsável pela morte de várias mulheres nos anos 70.

Somos então apresentados à família Trenton: Vic, Donna e o pequeno Tad, de quatro anos. Certo dia, Tad passa a ver um monstro em seu closet durante as madrugadas: ele apresenta ombros grandes, a cabeça caída para o lado, olhos âmbar e uma boca morta. Seus pais, contudo, consideram algo natural o temor do filho.

Joe Camber é o mecânico local do Maine, que mora com a esposa, o filho e um enorme cão São-Bernardo em uma região afastada da cidade. Cujo, o cão, apesar de enorme é muito manso e amigável.

Todavia, Cujo, ao perseguir um coelho, acaba descobrindo um buraco na fazenda, onde, ao ficar com o focinho preso, é mordido por um morcego contaminado por um tipo de raiva bem virulenta.

Vic enfrenta sérios problemas em sua vida: a agência de publicidade que compartilha com Roger passa por maus bocados devido à um incidente infeliz com uma marca de cereal, além disso, também enfrenta problemas de relacionamento com a esposa.

E então as coincidências começam. Vic precisa viajar à trabalho, o Corcel de Donna apresenta problemas, fazendo com que ela e Tad dirijam até a oficina de Joe, a esposa de Joe, Charity, por sua vez, decide visitar a irmã em outra cidade e Joe aproveita para sair com seu amigo, Gary. E no meio do caos, Cujo aparece como o inverso do que sempre foi: está completamente possuído pela raiva e pela dor que sente, com olhos vermelhos demoníacos e babando.

Em Cujo temos três eventos macabros que climatizam a trama: o episódio do assassino de mulheres Frank Dodd, nos anos 70, o cão raivoso e assassino Cujo e o monstro do closet de Tad. Essa combinação de eventos assustadores no Maine é um mistério, afinal, os três teriam alguma relação? O “mau” que envolve as três criaturas poderia ser o mesmo ou tudo não passou de uma coincidência infeliz para a cidade? A forma como Tad descreve o monstro do armário e a forma como os olhos vermelhos do cão observam Donna... me remetem à um mal maior, tão ruim quanto Frank Dodd.

“Não tinha um cachorro na proa do barco na história do barqueiro do rio Caronte? O cachorro do barqueiro. Pode me chamar de Cujo. Todos a bordo para o vale da Morte.” (p. 230)

A nova edição de Cujo está incrível! Um livro publicado pela primeira vez em 1981 que ganha uma edição com direito a capa dura, uma pata em baixo relevo, o tom mega vivo de vermelho e ainda por cima há uma entrevista super bacana com Stephen King no final do livro. Essa nova coleção Biblioteca Stephen King promete reviver os clássicos do autor nessas edições maravilhosas!

A trama me agradou muito, pois apresenta um clima de terror diferente. O sobrenatural aparece sim, mas não de forma explícita, o interessante é justamente as pequenas pinceladas no decorrer da história, fazendo-nos questionar sobre as terríveis tragédias no Maine. O monstro do closet, porém, tem um ponto de destaque, uma vez que pode ser interpretado tanto como apenas um medo infantil e normal para um garoto de quatro anos, ou algo a mais, uma vez que seu pai Vic também percebeu algo sinistro no closet. Uma presença. E é justamente essa especulação do sobrenatural que enriquece o terror psicológico da obra.

E claro que também temos muitas cenas de causar angústia, pois todas as coincidências do mundo parecem ocorrer para que ninguém passe pela estrada da casa de Joe e ajude Donna e Tad a fugirem de Cujo. São coincidências demais. O desespero é crescente a cada página, onde a esperança parece morrer a cada gota de suor que os dois enfrentam presos no calor escaldante do carro. Não podemos esquecer dos olhos vermelhos fixos de Cujo, ou o jeito como parece rir da situação. Mas ele é apenas um cachorro doente, certo?

A narrativa é super envolvente e li quase tudo em um só folego. Gostei também do fato de não existirem tantos personagens, mas sim uma história mais centrada nas famílias Trenton e Camber. O cenário é, claro, o Maine, e a estrada longe de tudo dá um ótimo clima para as cenas de pavor que acontecem ali. E, como não poderia faltar, há sangue e cenas mórbidas para os leitores mais ávidos por terror rs.
“O mundo estava cheio de monstros e todos eles conseguiam morder os inocentes e os descuidados.” (p. 326)


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Um comentário:

  1. Uau! Com essa nota máxima eu fiquei ainda mais curiosa haha. Eu desejo todos os livros de King, mas, confesso que Cujo era o que menos me despertava interesse. Gostei de saber que tem poucos personagens pois os livros que li de King, fora Misery, sempre falavam de muitos personagens e isso me embaralhava toda haha. Com certeza to mais ansiosa pra ler ele agora. Beijos.

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