✓ Resenha: Eu Estou Pensando em Acabar Com Tudo - Iain Reid

quarta-feira, 19 de abril de 2017



No romance de estreia do canadense Iain Reid, Jake conduz o carro em que ele e a namorada, que narra a história, vão à fazenda dos pais do rapaz. Durante a longa viagem por estradas desertas e escuras, a garota, atormentada com a perseguição de um homem misterioso que deixa sempre a mesma mensagem de voz em seu telefone, pensa em encerrar o relacionamento com Jake. Mas talvez seja tarde demais. Reid, que tem dois livros de não ficção elogiados pela crítica e contribui para veículos de prestígio como a revista New Yorker, une, numa narrativa profundamente psicológica, tanto referências de terror clássico, quanto elementos de suspenses menos tradicionais, sustentando a trama para além das limitações inerentes ao gênero. Um thriller denso que esconde, em meio ao medo provocado pela sensação de uma tragédia iminente, alegorias sobre a própria vida ser uma tragédia anunciada.


Título: Eu Estou Pensando em Acabar Com Tudo (Skoob)
Autor: Iain Reid
Gênero: Thriller Psicológico
Editora: Rocco
Páginas: 224
Onde comprar: Amazon / Saraiva
Use nossos 10% de desconto - Cupom: LIVRO10
Classificação: 9,8 (Excelente!)
Livro cedido em parceria com a editora. 




Eu li duas sinopses para esse livro, a que deixei aqui em cima e a outra que está na contra capa do livro. Mas no fim, nenhuma delas faz jus a o que encontramos de fato nessa obra.

De início, a trama pode parecer um new adult, onde acompanhamos a protagonista em uma longa viagem de carro pelo interior, o destino é a casa dos pais de seu namorado. Eles se conheceram a pouco tempo, cerca de dois meses, mas ela já pensa em terminar esse relacionamento. Ao mesmo tempo em que sente que ela e Jake, seu namorado, tem uma grande conexão, não consegue enxergar nele nada que lhe cause euforia ou empolgação, o relacionamento é apático.

Assim, a protagonista sem nome irá "discutir" essa relação com o leitor ao longo da estrada e da breve estadia na casa dos pais de Jake.

Tudo na obra tem um ar deslocado, estranho. A atmosfera da narrativa é obscura e claustrofóbica. A interação dos personagens centrais com os demais que surgem ao longo na obra são bem questionáveis, assim como os desencontros do casal, mas contrário ao que podemos pensar, isso é o fundamental para que entendamos o desfecho.
As passagens onde os pais de Jack aparece merecem ser relidas após a conclusão, existem muitos fatos ali, do qual não posso mencionar sem soltar spoiler, que pode ser o cheque-mate para leitores mais atentos, e nossa visão sobre eles mudam completamente quando chegamos ao final.

Ao longo das páginas notamos muitos pontos reflexivos, de fundo existencial, e o interessante é que fiquemos atentos a todos eles. Assim como aparentes incoerências na trama. Existe muitas pistas do que está errado nessa narrativa, e ao final, tudo me pareceu como num jogo de vídeo game, onde detalhes te levam a desvendar o enigma.

Na segunda parte da trama, sem spoilers, parece que o gênero do livro muda e teremos uma passagem de suspense, um thriller que beira o terror, e um suposto assassino. É válido dizer que desde o início da trama a protagonista vem recebendo estranhas ligações em seu celular, primeiro silenciosas, depois com estranhas palavras de um homem, mas o pior é o número do qual essas chamadas vem.

Para aguçar nossa curiosidade, intercala-se aos capítulos diálogos sobre um suposto assassinato ou suicídio, do qual para o leitor parece ser a história central. Parece ter relação com Jack ou sua namorada. Tudo nessa história causa medo sem um aparente porque. 

Preciso dizer que o começo, apesar da escrita super fluida, é introspectivo, pesado e de pouca ação, mas é necessário para o impacto do final. Eu achei surpreendente, não esperava que o autor explorasse um tema tão delicado dessa forma. 
Se você gosta de livros com impacto psicológico, esse é um bom livro para você! E lembre-se: quando alguém te disser que está pensando e terminar com tudo, isso pode ser bem mais profundo do que aparenta ser.

" - A Memória é única cada vez que é relembrada. Não é absoluta. Histórias baseadas em fatos reais normalmente têm mais a ver com ficção do que com fatos. Tanto ficção quanto memória são relembradas e recontadas. Ambas são formas de histórias."


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2 comentários:

  1. Adorei sua resenha =)
    Realmente esse livro é um pouco perturbador. No final tive que voltar algumas páginas e reler, achei que não tinha lido direito rs'
    É atordoante!
    Conseguiu me enganar em várias situações e me surpreendeu no final.
    Também recomendo ☆

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  2. Oii, tudo bem?
    Que livro incrível! Já estou louca pra ler, parece ser um ótimo thriller. Que bom que o fato da obra parecer deslocada e das atitudes dos personagens são explicadas no final, odiaria ler um livro assim e me desapontar no final. Espero ter a oportunidade de ler em breve.
    Bjos.

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