✓ Resenha: O Caminho Para Casa - Kristin Hannah

segunda-feira, 13 de março de 2017

Sinopse: Durante 18 anos, Jude pôs as necessidades dos filhos em primeiro lugar, e o resultado disso é que seus gêmeos, Mia e Zach, são adolescentes felizes. Quando Lexi começa a estudar no mesmo colégio que eles, ninguém em Pine Island é mais receptivo que Jude.
Lexi, uma menina com um passado de sofrimento, criada em lares adotivos temporários, rapidamente se torna a melhor amiga de Mia. E, quando Zach se apaixona por ela, os três se tornam companheiros inseparáveis.
Jude sempre fez o possível para que os filhos não se metessem em encrenca, mas o último ano do ensino médio, com suas festas e descobertas, é uma verdadeira provação. Toda vez que Mia e Zach saem de casa, ela não consegue deixar de se preocupar.
Em uma noite de verão, seus piores pesadelos se concretizam. Uma decisão muda seus destinos, e cada um deles terá que enfrentar as consequências – e encontrar um jeito de esquecer ou coragem para perdoar.
O Caminho Para Casa aborda questões profundas sobre maternidade, identidade, amor e perdão. Comovente, transmite com perfeição e delicadeza tanto a dor da perda quanto o poder da esperança. Uma história inesquecível sobre a capacidade de cura do coração, a importância da família e a coragem necessária para perdoar as pessoas que amamos.

Título: O Caminho Para Casa
Autor: Kristin Hannah
Gênero: New Adult / Drama
Editora: Arqueiro
Páginas: 352
Onde comprar: Amazon / Saraiva
Classificação: 10 (Excelente!) / Favorito!
Livro cedido em parceria com a editora. 




O Caminho Para Casa foi um dos livros mais intensos que li nos últimos tempos. Em questões de sentimentos reais, o deixaria acima de Proibido (Tabitha Suzuma), livro que também me marcou muito.

Nessa obra, a autora nos conta a história de Lexi, menina pobre, criada em abrigos e lares temporários, dividindo a guarda entre os mesmos e sua mãe, que foi usuária de drogas toda a vida. Lexi apesar de sofrida não teve em momento algum a tendencia de seguir pelos caminhos errados. Uma menina doce, que sempre buscou o melhor nas pessoas, mesmo naquelas que pouco tinham a lhe oferecer.
Quando a mãe de Lexi morre, sua assistente social a designa para morar com a tia-avô, da qual tomou conhecimento da existência a pouco tempo. É então que Lexi chega a Port George (Washington) e sua vida finalmente começa a melhorar de fato. Eva é uma mulher batalhadora, viúva e que não gerou filhos, acaba por encontrar em Lexi a alegria de ser mãe.

Mudando a perspectiva da narrativa passamos a conhecer Jude. Mãe atenciosa, pessoa de boa índole, amorosa e que dedica a vida aos filhos gêmeos: Mia e Zach.
Jude sempre sonhara em ser mãe, depois de alguns abortos espontâneos, seus gêmeos eram uma vitória e o amor por eles era inexplicável, assim como o amor por seu esposo e o dele pelos filhos. Familia Farraday, mais feliz não poderia haver.

Então Lexi entrará para essa familia, com a amizade inesperada com Mia, duas almas que se reconheciam em meio as dificuldades da socialização, duas almas destinadas a mais bela e pura das amizades.

O tempo faz uma grande passagem na trama, quando conhecemos Lexi ela tem 14 anos, assim como Mia e Zach, a amizade entre eles evolui, Lexi e Zach se apaixonam e aparece a dificuldade de lidar com a posição social da amiga e namorada diante da mãe ao completarem 18 anos. 

Zach passam por grandes momentos de questionamento: o que escolher, o amor de sua vida ou a faculdade e a carreira? É obvio que ambos ele não pode ter naquele momento, o abismo social entre eles é enorme, e como desistir da faculdade e de acompanhar sua irmã que tanto precisa dele? Uma irmã insegura que não conseguiria sair-se bem sem a melhor amiga e sem o irmão amado.

Em meio a tudo isso, uma tragédia se abate sobre a família.

"Você sempre diz que nada importa mais que o amor e a família. Estava falando a verdade?"


Como esse livro é muito intenso, eu escolhi fazer essa resenha com SPOILERS. Se você não quer pegar nenhum, recomendo que pule até a parte indicada!
*O spoiler não revela o final, mas um acontecimento importante por volta da página 170.


Vamos falar sobre a maternidade.
Jude é a mãe que todas nós que amamos nossos filhos, é. Ela cuida, ela quer o melhor, ela estando em uma posição social superior, pena em aceitar a nora, para ela pesa a carreira e as condições financeiras do filho, afinal toda mãe quer o melhor, o conforto e a estabilidade, ainda que aja com aparente egoismo.

Eu encontrei em Jude a mãe que eu queria ser, ela conversa com os meninos, ela não aplica castigos sem fundamento, e ela sempre diz que eles podem confiar nela. Porém em um momento, ela erra.
Quando os meninos chegam na adolescência e começam as festas regadas a álcool, Jude lembra-se que já teve essa idade e sabe que proibir não é o caminho, então pede que sempre sejam prudentes e não tenham medo de ligar caso bebam e não possam dirigir. Mas em uma dessas vezes ela da uma bronca nos três (Lexi sempre estava junto, era praticamente da família) e os deixa de castigo. Eu acredito que faria igual, mas o que vem em seguida me fez refletir muito. 

Na noite antes da formatura, Jude, Mia e Zack se desentendem ao discutirem sobre a faculdade e os rumos da vida em relação ao relacionamento dos três, e assim seguem para a última festa com a turma do colégio. Os três bebem, e nenhum deles tem plena condição de dirigir, no entanto a confusão gerada com a mãe na última festa os fazem tomar a decisão de não chama-la e seguem para a casa embriagados.
Acontece o acidente. Mia morre.

Então me veio a mente milhares de questionamentos sobre a atitude dessa mãe. Até onde a liberdade que ela deu a eles foi válida e até onde o castigo também foi. Será que devemos ser rígidos ou maleáveis com nossos filhos?

O que segue após a morte de Mia é extremamente pesado. O luto de todos é terrivelmente cruel de se ler. Mas o luto de Jude me fez sofrer de verdade, me fez levantar durante a noite várias vezes para olhar meu filho dormindo na cama dele e pensar no futuro.

O pior estava por vir, pois quem conduzia o carro não era Zack, conforme foi combinado, quem conduzia era Lexi, e mesmo com 1ml a mais de álcool no sangue que o permitido por lei, ela foi levada ao tribunal. Sua culpa pela morte de uma das pessoas que mais amava no mundo a fez se declarar culpada, com o peso das acusações sem piedade de Jude e a falta de voz de Zack, o mundo não fazia mais sentido para Lexi. Culpada, pena: 6 anos de reclusão.

Então o tempo corre pelos personagens, e nesse meio tempo muito sofrimento entra na vida de Lexi e de Jude. O grade foco da narrativa sempre está nas duas, ora focado numa, ora noutra. A perda de Mia na trama tem impacto forte no leitor, pois muito presente, ela chega a deixar o sentimento de falta nas páginas.

Jude é tão cruel com Lexi, que eu chorei de ódio por muitas páginas, eu a odiei como nunca odiei nenhum personagem. Meu senso de justiça nunca gritou tão forte, foi como se tudo aquilo estivesse acontecendo comigo e eu simplesmente não pudesse fazer nada, eu me senti completamente impotente e fora do controle, assim como Jude. Logo Jude que sempre pensou estar no controle de tudo. Foi injusto, injusto demais. A conexão desse livro comigo foi algo inexplicável. Por mais que eu odiasse tudo que Jude estava fazendo para Lexi, eu também entendia seu lado, ainda que descordando, eu sentia seu luto e a necessidade de jogar sua culpa em alguém. Não existia culpados ao mesmo tempo que todos eram culpados. Eu vi ela se fechar, ela negar o filho sobrevivente, ela negligenciar a neta(porque desgraça pouca é bobagem). Eu vi a Lexi desistir, depois de tanto lutar, depois de conquistar o amor do menino e da família, depois de superar o abandono da mãe, de negar as drogas, eu vi ela desistir de tudo, vi ela ser presa, vi ela abrir mão de ser mãe pelo medo de não ser melhor que aquela que a pós no mundo. Pelo medo da filha ver a mãe atrás das grades.

"Aqui estou, mãe. Depois de tudo, igual a você."

Se você pulou o spoiler, pode voltar a ler aqui!


A família Farraday sempre pareceu insensível a Lexi, mas existem passagens que podemos comprovar que Jude e o esposo sempre a amaram como filha. Mas todo amor sempre misturou-se muito ao egoismo de Jude diante dos filhos, e isso nos faz pensar o quão podemos ser tóxicas, sufocantes e severas, ainda que só queiramos o bem dos filhos.

O egocentrismo de Mia, foi colocado a prova e então descobrimos que o amor destrói todos os medos, e que amar, seja tanto no âmbito amoroso, como no familiar, é deixar livre, é viver livre.

No segundo período, já que a trama se estende por aproximadamente 12 anos, vemos que as coisas são mais difíceis de serem superadas quando só conseguimos enxergar o nosso lado do dado. Como compreender e perdoar não liberta o próximo e sim nós mesmos.

O livro fala sobre luto, sobre superação e sobre perdão, esteja preparado para sofrer! E se você for mãe, te desafio a não derramar uma lágrima nesse livro!



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11 comentários:

  1. Andréa,ao ler sua resenha pude sentir bem de perto as emoções que ela despertou,pois também sou mãe e no meu caso de um casal,o que acabou intensificando,talvez um pouco mais,algumas reflexões.Com certeza quero muito ler essa obra e sentir de perto todas essas emoções e sensações ao conhecer de perto a trajetória de Lexi,Mia e Zach,além é claro de Eva e Jude principalmente.Achei triste o que aconteceu, principalmente com Lexi.Amo livros que falam de perdão e superação.😘❤

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  2. Nossa, cheia de emoções essa história né?
    Primeira resenha que leio do livro e me bateu uma super vontade de conhecer essa história.
    Parece ser uma leitura bastante envolvente, que consegue prender o leitor do inicio ao fim e gosto muito disso!
    Vejo falarem muito bem da escrita da autora e isso vem me deixou interessada.
    A história do livro em questão parece ter sido muito bem construída.
    Espero poder conferir em breve.
    Beijos,
    Caroline Garcia

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  3. Oi Andréa.
    Que linda resenha, adorei a parte com spoiler.
    Eu adoro livros que me fazem refletir, porém também encontro-me tendo um sentimento de piedade por Jude, claro que nada justifica, mas como você mesma falou, até onde vai a liberdade?, tudo é tão emociante e confesso que estou muito curiosa para ler.
    P.S Amo o livro Proibido (Tabitha Suzuma).
    Bjs.

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  4. Ai meu Deus! Adorei a resenha, e fechei os olhos para os spoiler (alguns) rs'
    Não sei se ainda tenho a capacidade de chorar mais durante esse mês. Estou procurando ler comédias para acalmar um pouco meu psicológico, mas esse livro entrará para a minha lista sem dúvidas!

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  5. Olá,
    Sempre, sempre quis ler esse livro, me apaixonei pela capa, pelo enredo, super fofa a historia..
    Eu conheci más a outra capa, essa não tinha visto porém amei muito a capa, super simples...não vejo a hora de ler ele!

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  6. Gente que livro é esse??? Estou super curiosa... mais um pra lista

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  7. Oi Andrea, tudo bem?
    Faz um mês mais ou menos que eu vi esse livro e confesso que de primeiro não fui muito com a cara dele. Mas conforme fui lendo as resenhas, fui percebendo que ele abrange de forma muito profunda, alguns temas que devem ser falados.
    Mal posso esperar para ler.
    Beijos
    Quanto Mais Livros Melhor

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  8. Andica!
    Sou bem fã da autora e gosto dos enredos que ela traz em seus livros dramáticos mas que conquistam o leitor de forma arrebatadora.
    Já preparei a caixinha de lenços porque sei que irei me emocionar demais.
    “Não confunda jamais conhecimento com sabedoria. Um o ajuda a ganhar a vida; o outro a construir uma vida.” (Sandra Carey)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
    TOP Comentarista de MARÇO, livros + KIT DE PAPELARIA e 3 ganhadores, participem!

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  9. Oi Andréa,
    Nossa, não tinha ideia do que se tratava este livro, é um drama familiar tão intenso que me emocionei só com a sinopse. Eu não sou mãe, então não sei dizer o que está certo ou errado na criação de um filho, mas sei que cada mãe tem sua forma de educar e amar seus filhos. Temos duas dinâmicas familiares bastante opostas. De um lado tem Jude, mãe dedicada e atenciosa e, do outro lado, temos Lexi, uma menina que não cresceu cercada de amor ou de uma mãe que lhe desse atenção. Tudo que acontece depois do encontro desses personagens são provações e aceitações. Eu certamente, farei a leitura deste livro, pois a história já me cativou e fiquei muito curiosa em conhecer a escrita da autora!!

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  10. Nossa, não fazia ideia que esse livro tratava de maternidade. Um dia a SUbmarino colocou ele a venda por 0,47 se não me engano hahahaha pessoal endoidou, eu tentei mas não consegui comprar :'(
    enfim, a trama parece ser mesmo muito tocante, a família tão feliz parece nos trazer muitos ensinamentos sobre a maternidade, sobre como nosso egoísmo na tentativa de fazer o melhor acaba estragando um pouco as coisas. Fiquei curiosa!

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  11. Oi!
    Tinha visto esse livro antes e pela sinopse não fiquei muito interessada nessa historia, mas lendo a resenha fiquei curiosa para ler, parece ser uma livro bem forte e muito profundo com uma carga bem grande de sentimentos, no qual acaba nos trazendo vários sentimentos ao longo da historia, fiquei interessada nessa historia e se tiver oportunidade quero ler !!

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