✓ Resenha: Achados e Perdidos - Stephen King

domingo, 12 de fevereiro de 2017




Sinopse: “— Acorde, gênio.”
Assim King começa a história de Morris Bellamy. O gênio é John Rothstein, um autor consagrado que há muito abandonou o mundo literário. Bellamy é seu maior fã e seu maior crítico. Inconformado com o fim que o autor deu a seu personagem favorito, ele invade a casa de Rothstein e rouba os cadernos com produções inéditas do escritor, antes de matá-lo. Morris esconde os cadernos pouco antes de ser preso por outro crime. Décadas depois, é Peter Saubers, um garoto de treze anos, quem encontra o tesouro enterrado. Quando Morris é solto da prisão, depois de trinta e cinco anos, toda a família Saubers fica em perigo. Cabe ao ex-detetive Bill Hodges e a seus ajudantes, Holly e Jerome, protegê-los de um assassino agora ainda mais perigoso e vingativo.

Título: Achados e Perdidos
Autor: Stephen King
Série: Bill Hodges # 2
Gênero: Thriller/Suspense
Editora: Suma de Letras
Páginas: 352
Onde comprar: Amazon
Classificação: 10 (Excelente!)
Livro cedido em parceria com a editora. 






“Essa merda não quer dizer merda nenhuma” – Jimmy Gold

O livro inicia em New Hampshire, 1978, com Rothstein - um escritor de 80 anos, bem sucedido pela trilogia O corredor, O corredor procura ação e O corredor reduz a marcha, que há anos parou de escrever e passou a viver isolado em sua casa. Certo dia é assaltado por três homens com máscaras de esqui que roubam seu dinheiro e vários cadernos com manuscritos. O mandante de tudo é Morry Bellamy – um jovem na casa dos vinte anos, recém saído do reformatório, um garoto rebelde com o sonho de se tornar escritor e totalmente obcecado por Jimmy Gold, personagem criado por Rothsteins, contudo totalmente inconformado com o final que o autor deu para seu personagem favorito.

“O cérebro que concebera Jimmy Gold, a irmã de Jimmy, Emma e os pais egoístas à beira do alcoolismo, tão parecidos com os de Morris, estava agora secando no papel de parede. Morris não estava exatamente chocado, mas sim impressionado. Ele esperara algum sangue e o buraco entre os olhos, não essa explosão exagerada de cartilagem e osso. Era sua falta de imaginação, ele achava, o motivo pelo qual conseguia ler os gigantes da literatura moderna americana, ler e apreciar, mas não ser um.” (p. 31)

Paralelamente conhecemos a história de Thomas Saubers, um pai de família desempregado que, para conseguir uma oportunidade de trabalho, vai ainda na véspera ao City Center para uma Feira de Empregos. Acontece que a tal feira é a mesma em que Brady atropelou várias pessoas no livro Mr. Mercedes. Após o acidente, Tom demora para voltar a andar e a crise financeira piora cada vez mais. Um belo dia, seu filho Peter encontra um baú enterrado no quintal, com o tesouro que precisava para ajudar os pais: bastante dinheiro, além de alguns cadernos misteriosos.

“Ele ficou de pé a tempo de ver o carro (era mesmo um Mercedes, um grande sedã tão cinza quanto aquela manhã enevoada) se chocar contra a multidão, jogando corpos longe enquanto seguia em frente, desferindo um arco impreciso. Sangue escorria da grade.” (p. 28)

Ao passo em que o dinheiro começa a chegar milagrosamente pelo correio da família Sauber, Peter começa a ler os manuscritos e encontra a continuação da série O corredor, se apaixonando pela literatura.

A narrativa mescla trechos de 1978, onde Morris acaba sendo preso após beber até perder totalmente a noção de seus atos, e 2013, onde Peter encontra o baú enterrado por Morris – que coincidentemente morou na mesma casa há anos atrás – e, não só melhora a situação da família, como também vira fã de literatura e de Jimmy Gold. Também descobrimos por onde anda Hodges, policial que se aposentou após prender Brady Hartsfield, o assassino do Mercedes, quase morrer mas também salvar a vida de milhares de pessoas. Apesar de afastado da polícia, ainda faz trabalhos investigativos em sua empresa Achados e Perdidos, com a ajuda de Holly, prima da dona do Mercedes utilizado nos assassinatos.

De forma perturbadora, o ex-policial faz frequentes visitas à Brady na Clínica de Traumatismo Cerebral onde está internado em estado semicatatônico, após sofrer de lesões irreparáveis no cérebro causadas pelo Porrete Feliz de Hodges, ao ser capturado durante a tentativa de explodir um show lotado de adolescentes.

“Em geral, fica sentado no quarto, olhando pela janela para o prédio do estacionamento ou para uma foto de flores na parede do quarto. Mas houve certos acontecimentos peculiares ao redor de Brady Hartsfield durante o último ano, mais ou menos, e, como resultado, ele se tornou meio que uma lenda na clínica.” (p. 237)

Contudo, quando as histórias se juntam, temos um assassino obcecado e sem piedade - recém saído da prisão e disposto a fazer qualquer coisa para recuperar o dinheiro e os manuscritos, um adolescente esperto que fará de tudo para proteger sua família, nosso querido Hodges sempre colocando a própria vida em risco para salvar as pessoas e uma mistura de fanatismo, literatura, dinheiro e sangue, em uma história de assassinato mas que – para a alegria dos fãs de terror – deixa uma pequena brecha sobre possíveis atividades paranormais ainda envolvendo o assassino da Mercedes.

“[...] Se o que Andy estava dizendo fosse verdade, significava que John Rothstein estava escrevendo havia dezesseis anos. E se escrevesse oitocentas palavras por dia, isso somava... Morris não conseguia nem começar a fazer as contas, mas era coisa à beça.

− Puta merda mesmo – disse Andy.

− Se ele quer que queimem tudo quando morrer, ele é maluco!

− A maioria dos escritores é. – Andy se inclinou para a frente, como se fosse fazer uma piada. Talvez tenha sido uma piada. Ao menos para ele. – Quer saber o que eu acho? Alguém devia organizar uma missão de resgate. Talvez você, Morris. Afinal, você é o fã número um dele.” (p. 125)

A trama é super envolvente, pois liga um personagem que fez parte do primeiro livro, Mr. Mercedes, com toda uma história de assassinato envolvendo literatura e obsessão. Tem ação, suspense, cenas nojentas de sangue e uma pitadinha de sobrenatural no final para deixar os leitores com água na boca. 

King narra no decorrer da história os principais acontecimentos do livro anterior, fazendo com que os leitores recordem da história e até mesmo explicando para quem ainda não leu Mr. Mercedes, pois, apesar de se ligarem, Achados e Perdidos pode ser perfeitamente entendido pelos leitores que ainda não leram o primeiro livro.

Como já de praxe em livros do King, a história conta com personagens inteligentes, muito bem construídos e cheios de personalidade, cenários bem descritos e trechos macabros – apesar de achar este livro um dos mais lights no quesito terror. Revisão e diagramação ótimas, além de uma capa simples mas bonita e sanguinária.

“[...] Nenhum ser humano é tão real para Lábios Vermelhos quanto Jimmy Gold, Andrea Stone, o sr. Meeker, Pierre Retonne e todo o resto. Isso é um sinal de insanidade verdadeira, mas também deve tornar Peter maluco, porque ele entende como aquele lunático se sente.” (p. 322)


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Um comentário:

  1. Oi Amanda, acho que estou enrolando para começar a ler os livros dessa série viu. Porque já estou com o primeiro livro, então não sei o que está me segurando. Vai ser meu primeiro contato literário com o mestre King e estou ansiosa para conferir se ele é tudo isso que as pessoas falam mesmo.
    Beijos
    [SORTEIO] Aniversário de 1 Ano: Livro - Perdida
    Quanto Mais Livros Melhor

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