✓ Resenha: Lobo por Lobo - Ryan Graudin

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017




Sinopse: O Eixo ganhou a Segunda Guerra Mundial, e a Alemanha e o Japão estão no comando. Para comemorar a Grande Vitória, todo ano eles organizam o Tour do Eixo: uma corrida de motocicletas através das antigas Europa e Ásia. O vencedor, além de fama e dinheiro, ganha um encontro com o recluso Adolf Hitler durante o Baile da Vitória. Yael é uma adolescente que fugiu de um campo de concentração, e os cinco lobos tatuados em seu braço são um lembrete das pessoas queridas que perdeu. Agora ela faz parte da resistência e tem uma missão: ganhar a corrida e matar Hitler. Mas será que Yael terá o sangue frio necessário para permanecer fiel à missão?


Título: Lobo por Lobo
Autor:  Ryan Graudin
Gênero: Distopia
Editora: Seguinte
Páginas: 360
Onde comprar: Amazon
Classificação: 9,9 (Excelente!)
Livro cedido em parceria com a editora.




“O mundo dentro destas páginas poderia ter sido o nosso. E foi, durante um tempo e em um lugar, então devemos fazer o possível para não esquecer isso.” (nota da autora)

A trama conta a história de Yael: a garota judia que sobreviveu ao sofrimento do campo de concentração e foi cobaia de um experimento nazista do Dr. Geyer. A narrativa mescla os acontecimentos atuais durante a corrida do Tour do Eixo – uma celebração dos territórios conquistados nos dois impérios do Eixo e da aliança entre Alemanha e Japão -, em 1959, com o passado da garota, em 1944, onde viveu todas as dores dos campos de concentração e a perda das pessoas que amava.

No passado, apesar de apenas uma garotinha, foi considerava forte o suficiente para ser alvo de uma experiência onde o intuito era alterar a produção de melanina, despigmentando os cabelos e a pele. Contudo, o resultado da experiência foi muito mais assustador: Yael adquiriu a habilidade de transformar sua aparência física na de qualquer pessoa.

“Yael teve muitos rostos. Muitos nomes. Muitos documentos. Porque as substâncias químicas que o Anjo da Morte tinha enfiado nas veias dela a transformaram”. (p. 20)

No presente, Yael faz parte da resistência e é infiltrada na sociedade nazista, sua missão é a mais importante: matar Hitler, e, para isto, precisa conseguir chegar perto dele o suficiente, como Adele Wolfe chegou em seu Baile da Vitória, ao vencer o Tour do Eixo e dançar com o Führer. Portanto, Yael precisará incorporar Adele dos pés à cabeça, competindo na corrida de longa distância em motocicletas Zündapp que atravessa a Germânia, a Itália, as areias do Saara, as montanhas do Oriente Médio, a Indochina, o porto de Shangai até chegar à Tóquio, num total de vinte mil setecentos e oitenta quilômetros, divididos em nove trechos percorridos por vinte corredores, todos lutando pelo menor tempo.

“Yael sentiu uma risada na garganta. Pronta? Fazia anos que estava pronta. O que tinha começado no campo de extermínio como uma sobrevivência obstinada havia se transformado em algo muito mais letal. O treinamento de Vlad a tornara letal no combate mano a mano. Ainda mais mortal com qualquer arma. Os livros de Henryka haviam deixado um estoque de línguas e informações à sua disposição. Primeiro, ela aprendeu russo. Japonês, italiano e inglês vieram depois, além de conhecimentos básicos de árabe. Yael tinha aprendido tudo o que era possível sobre as motocicletas Zündapp KS601. Tinha estudado os outros corredores da fase da classificação, decorado biografias e táticas para trapacear. Enfiar tudo aquilo numa palavra tão curta e simples como “pronta” parecia... engraçado.” (p. 38)

Tatuado em sua pele, cobrindo os números do experimento que marcava seu braço, um motivo para não se esquecer de quem era: cinco lobos, representando Babushka – a amiga que lhe entregava comida escondido, Mama – sua mãe, Miriam – quem cuidou dela, Aaron-Klaus – quem a levou até a resistência, e Vlad – seu treinador. Cinco motivos para seguir em frente e não se esquecer de quem era.

“Ela passou o dedo de leve sobre os outros, deixando seus nomes se prolongarem na ponta de sua língua.
− Babushka, Mama, Miriam...
Aqueles consumidos pelas cinzas.
− Aaron-Klaus, Vlad.
Yael engoliu em seco. Cinco lobos. Quatro lembranças e um lembrete.” (p. 51)

Aos poucos vamos conhecendo a história de Yael, sua história difícil e seu treinamento pesado para realizar a missão mais importante da resistência. Também conhecemos Felix Wolfe, o irmão gêmeo de Adele que aparece para tornar as coisas ainda mais complicadas. Sob a pele de Adele, Yael deve vencer o Tour do Eixo para ganhar a chance de concluir sua missão, contudo, muito mais pessoas irão se envolver ao longo do caminho e a corrida não será, nem de longe, simples. A garota deverá enfrentar não só condições extremas como também a ira e a competitividade exacerbada dos demais.

“− Os fantasmas vão ficar. Assim como seus números. Assim como minhas cicatrizes. Assim como nossa dor. – Vlad tirou a mão. – Mas você não precisa ter medo deles.” (p. 247)

A narrativa começa um pouco parada, mas ao decorrer da história – e da corrida – vai adquirindo um tom cada vez mais envolvente, trazendo muita ação e a vontade enorme de saber se Yael conseguirá enfrentar os outros competidores, vencendo suas sabotagens e mantendo seu disfarce até o final.

Yael é uma personagem muito forte, totalmente única. Gostei dela de imediato, é uma garota corajosa que faz o que for preciso para realizar sua missão e acabar com o nazismo, que apesar de tudo pelo que passou ainda possui um bom coração.

“Seu reflexo não era reflexo nenhum. Era um espelho estilhaçado. Algo cujas peças precisava juntar, várias e várias vezes. Memória por memória. Lobo por lobo.” (p. 51)

Os cenários são muito empolgantes, pois englobam desertos, montanhas e todas as situações de sobrevivência extrema pelo qual os competidores precisam passar. A trama toda é cheia de história e acontece num cenário que, de fato, poderia ser o nosso se as coisas tivessem acontecido de forma diferente. É um livro para refletir e que ficamos pensando na história mesmo depois de terminarmos a leitura, com uma trama forte e inteligente, em uma proposta bem diferente e original.

Todo o livro é muito atraente: a capa é linda e chama a atenção, a diagramação é bonita e a revisão está impecável. Com uma leitura viciante, uma personagem única e uma trama que mescla história com ficção e fantasia, além de muita ação, é impossível não ficar ansiosa pelo segundo livro e para viver um pouquinho mais com Yael. 

“Este livro, no fundo, trata de identidade. Não apenas de como nos vemos, mas como vemos os outros. O que faz as pessoas serem quem são? A cor de sua pele? O sangue em suas veias? O uniforme que vestem? Dei a Yael a capacidade de trocar de pele para tratar dessas questões, além de destacar o absurdo da superioridade racional.” (Nota da autora)

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2 comentários:

  1. Oi Amanda, tudo bem?
    Eu não sabia da existência desse livro, e gostei de conhecer a história. Enquanto eu lia sua resenha, fiquei com a impressão de estar vendo um trailer desses filmes sabe (rsrs). Um experimento para alterar a melanina que acaba criando alguém com capacidade para s transformar em qualquer pessoa.. premissa interessante, ainda mais envolvendo Hitler né.
    Com certeza eu vou ler.
    Beijos
    Quanto Mais Livros Melhor

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  2. Oi Amanda,
    Eu não conhecia esse livro, mas gostei muito da premissa, não sei se eu o leria pq evito a leitura de obras que se passem na guerra pois não sei por qual razão são meio que gatilhos emocionais pra mim, mas gostei tanto da resenha que fiquei tentada a ler.
    Beijooos

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