✓ Resenha: Juntando os Pedaços - Jennifer Niven

terça-feira, 24 de janeiro de 2017




Sinopse: Jack tem prosopagnosia, uma doença que o impede de reconhecer o rosto das pessoas. Quando ele olha para alguém, vê os olhos, o nariz, a boca… mas não consegue juntar todas as peças do quebra-cabeça para gravar na memória. Então ele usa marcas identificadoras, como o cabelo, a cor da pele, o jeito de andar e de se vestir, para tentar distinguir seus amigos e familiares. Mas ninguém sabe disso — até o dia em que ele encontra a Libby. Libby é nova na escola. Ela passou os últimos anos em casa, juntando os pedaços do seu coração depois da morte de sua mãe. A garota finalmente se sente pronta para voltar à vida normal, mas logo nos primeiros dias de aula é alvo de uma brincadeira cruel por causa de seu peso e vai parar na diretoria. Junto com Jack. Aos poucos essa dupla improvável se aproxima e, juntos, eles aprendem a enxergar um ao outro como ninguém antes tinha feito.

Título: Juntando os Pedaços
Autor: Jennifer Niven
Gênero: Young Adult
Editora: Seguinte
Páginas: 392
Onde comprar: Saraiva
Classificação: 
Livro cedido em parceria com a editora. 





“Vai parecer uma desculpa esfarrapada, mas tenho uma coisa chamada prosopagnosia, o que quer dizer que não reconheço rostos, nem das pessoas que amo. Nem o da minha mãe. Ou o meu.” (p. 11)

Jack Massline tem uma doença rara chamada prosopagnosia que faz com que não reconheça rostos, até mesmo das pessoas que ama. Apesar de reconhecer traços como olhos, boca ou nariz, sua memória não consegue reconhecê-los quando não estão mais à vista, fazendo com que cada vez que vê alguém seja como a primeira vez que vê essa pessoa. Dessa forma, precisa reconhecer os outros através de aspectos como o cabelo ou as roupas.

Libby Strout foi considerada a Adolescente Mais Gorda dos Estados Unidos, ao pesar 296kg e ficar presa em sua própria casa. Precisou ser resgatada e, devido aos noticiários, ficou conhecida por todos. Libby começou a ganhar peso após a morte de sua mãe e após passar anos trancada em casa, precisa voltar para a escola cursar o Ensino Médio, mas agora com 136kg a menos.

“Ontem à noite ela estava aqui. Hoje de manhã ela estava aqui. Agora não está mais, e não vai ser só por alguns dias. Como uma coisa tão definitiva pode acontecer assim de repente? Sem nenhum preparativo. Sem aviso. Sem nenhuma chance de você fazer todas as coisas que queria. Sem poder se despedir.” (p. 176)

Ambos estudam no colégio Martin Van Buren, na cidade de Amos em Indiana, e suas vidas acabam se cruzando de forma nada amigável. De um lado, Libby, a garota que adora dançar e que sofre preconceito por seu peso e, do outro, Jack, um cara popular com o famoso cabelo Black Power, que, devido à prosopagnosia, tem como lema de vida acenar e sorrir – sempre sendo simpático com todos, mas sem compartilhar sua verdadeira personalidade com ninguém. Amigo de Jam e Seith, que adoram zombar os outros, acaba fazendo algo estúpido para livrar Libby do alvo de uma brincadeira de mau gosto.

“− As pessoas fazem merda por vários motivos, Às vezes, são simplesmente pessoas escrotas. Às vezes, outras pessoas fizeram merda com elas e, apesar de não perceberem, tratam os outros como foram tratadas. Às vezes fazem merda porque estão com medo. Às vezes escolhem fazer merda com os outros antes que façam merda com elas” (p. 74)

Juntando os pedaços é uma lição de vida, um livro que todos no mundo deveriam ler. Mostra a visão de uma vítima de bullying, da perda de quem amava e de como isso desencadeou uma séria de coisas. Também conta uma história linda de superação e de como duas pessoas quebradas conseguiram “juntar os pedaços” juntas.

“Estamos fazendo isso. Isso está acontecendo. Nós nos encontramos e mudamos o mundo. O dele e o meu.” (p. 386)

Também vítima de bullying na adolescência, não tem como não me identificar com a Libby e aplaudir de pé sua coragem e superação. Mesmo perdendo uma das pessoas que mais amava – sua mãe – e tentando compensar sua falta na comida, enfrentando a humilhação pública ao ser exposta na tv como a adolescente mais gorda do mundo e ter de ser resgatada da sua própria casa – de onde não conseguiu mais sair devido ao seu tamanho – Libby utiliza todas as suas dores para se tornar alguém muito melhor e conseguir compreender a si mesma, se tornando extremamente corajosa e segura, pronta para lidar com os babacas que tentam diminuí-la ou fazê-la pensar que ninguém gosta dela, quando isso não é verdade, e, literalmente, plantando amor onde as pessoas lhe jogaram preconceito e raiva – mesmo que sem motivo algum.

“É exatamente por isso que não tenho perfil nas redes sociais. Tantos comentários maldosos e desagradáveis e bullying disfarçados de Só estou dando minha opinião, como a Constituição do nosso país maravilhoso permite que eu faça. Se você não gosta, não leia. Blá-blá-blá. (p. 106)

Libby nos ensina que alguém gosta da gente e que podemos ser mais fortes do que jamais imaginamos. E é desta forma que a garota ajuda Jack Masseline a organizar e compreender sua vida, tumultuada por conta de uma doença rara que o incapacita de reconhecer rostos.

A doença de Jack foi pouco citada na trama, o foco fica sobre o bullying que a Libby sofreu e compara a forma com que ela e ele veem o mundo, como um elo que liga os dois.

“A perda da minha mãe era tão grande que parecia que eu estava carregando o mundo. Então, quando comecei a comer – muito -, carregar o peso a mais não parecia fazer diferença. Mas acabou sendo demais. É por isso que às vezes precisamos largar alguma coisa. Não dá pra carregar tudo pra sempre.” (p. 374)

O tema do livro é forte e emocionante, a narrativa da Jennifer Niven é muito gostosa de ler, pois intercala a visão da Libby com a do Jack, tanto no presente quanto no passado, trazendo capítulos curtos e nos deixando loucos de vontade de continuar lendo e saber mais sobre a vida e a opinião de cada um.

A capa é básica, mas bonita. Tanto a revisão quanto a diagramação estão impecáveis.

“Por mais que seja assustador correr atrás dos sonhos, é mais assustador ainda ficar parado.” (p. 274)

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3 comentários:

  1. Oi Amanda, tudo bem?
    Eu quero ler esse livro porque gosto de histórias que tratem de assuntos importantes assim, como o bullying. Acho que vou me emocionar muito com essa história.
    Beijos
    [SORTEIO] Aniversário de 1 Ano: Livro - Perdida
    Quanto Mais Livros Melhor

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  2. Oiii Amanda

    Quando vejo o nome dessa autora imediatamente já penso em uma história profunda, diferente e muito muito triste...rsrs. Ainda não pude conferir esse novo trabalho dela, mas tenho curiosidade, porém vou esperar o momento mais tranquilo, pois são geralmente histórias mais densas que preciso ter tempo pra poder realmente apreciar.

    A resenha ficou linda

    Beijos

    aliceandthebooks.blogspot.com

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  3. oi ^^
    eu estava doida querendo ler uma resenha desse livro desde que anunciaram o lançamento dele. a história me chamou bastante atenção pelo fato de um dos personagens ter dificuldade de reconhecer as pessoas.
    adoro livros emocionantes e pretendo ler em breve.
    obrigada pela resenha amanda.Seguindo o Coelho Branco

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