✓ Resenha: A Ilha dos Dissidentes – Bárbara Morais

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Sinopse: Ser levada para uma cidade especial não estava nos planos de Sybil. Tudo o que ela mais queria era sair de Kali, zona paupérrima da guerra entre a União e o Império do Sol, e não precisar entrar para o exército. Mas ela nunca imaginou que pudesse ser um dos anômalos, um grupo especial de pessoas com mutações genéticas que os fazia ter habilidades sobre-humanas inacreditáveis. Como única sobrevivente de um naufrágio, ela agora irá se juntar a uma família adotiva na maior cidade de mutantes do continente e precisará se adaptar a uma nova realidade. E logo aprenderá que ser diferente pode ser ainda mais difícil que viver em um mundo em guerra.
Título: A Ilha dos Dissidentes
Autor: Bárbara Morais
Editora: Gutenberg
Pág. 304
Melhor Preço: R$ 19,90
Classificação: 9,6 (Excelente!)















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Sybil Varuna é a única sobrevivente do acidente com o navio Titanic III, e tal sobrevivência é a revelação do seu poder anômalo: respirar sob a água. Antes disso, ela era simplesmente uma moradora de um orfanato em Kali, o eterno palco da guerra entre a União e o Império. Ao acordar em um hospital após do naufrágio, ela é encaminhada a uma nova família e uma nova cidade. 

“É fácil se acostumar com a vida em Pandora. É fácil esquecer tudo o que eu tinha visto antes, em Kali. É mais fácil deixar que as pessoas que conheci em Arkai se acomodem no meu coração, sabendo que não corremos risco nenhum.”

Nessa primeira fase do livro, a narrativa é fluida e calma. Rubi, Dimitri e o pequeno Tomás se tornam sua nova família, e ela começa a frequentar a escola local e a conhecer mais adolescentes. Sua vizinha Naoki, juntamente com Leon e Brian tornam-se logo bons amigos, mas é Andrei que realmente a faz sentir-se em casa, com seu jeito jocoso e chamativo. Naoki tem o poder do grito supersônico, e isso a torna uma garota extremamente falante; Leon é cego, mas tem uma percepção incrível de cheiros e distância; Brian é irritante do jeito mais legal que um personagem pode ser, e o fato de poder atravessar objetos trazem situações inusitadas. 

Ao chegar na nova escola, ela acaba descobrindo a matéria “proibida”: Estudo Avançados de Técnicas Especiais, ou TecEsp. Aparentemente, apesar dos pesadelos e da nova realidade ela não entende porque a matéria é tão misteriosa, e não recebe um bom motivo para não tentar cursá-la. Entretanto, em uma das aulas, Sybil, Andrei e Ava são contemplados juntos a Leon como os escolhidos para mais uma missão secreta da União. 

“Acabo por desenvolver uma aversão tremenda ao professor. Ele é chamado de Z e ninguém sabe seu nome verdadeiro. É o homem mais pretensioso do universo, com suas tentativas de ser engraçado e sua mania de fingir ser melhor do que os outros.”

A União e o Império são rivais, mas seu conflito ainda não foi muito explorado neste volume da trilogia, então creio que o que posso esperar do próximo é uma explicação quanto a isso. Mesmo lendo sobre este conflito “no escuro”, estava com Sybil, que é nova e também não sabe muito e às vezes escolhe codinomes engraçados para quem não conhece. A narrativa em primeira pessoa, nesse caso foi uma alternativa interessante, e que ajuda a omitir detalhes sob a ignorância da protagonista. 

A partir desses novos momentos de missão, muitas cenas de lutas dignas de X-Men acontecem, o que me compenetrou completamente. Eu sou uma “hater” de cenas de lutas muito rápidas ou muito detalhadas, mas a autora soube dosar bem. Ao mesmo tempo em que estava adorando a luta livre e o combate com poderes, ficava preocupada com o que poderia acontecer com os quatro anômalos. O escapismo dos personagens de situações inimagináveis, usando apenas a lógica, me conquistou imensamente. 

Além dos momentos de tensão, há momentos mais calmos em que eles conseguem dialogar sobre como vão prosseguir até conseguir concluir tudo, e é mais um elemento no qual a escritora conseguiu se sair bem. Não só nesses diálogos, mas nos demais. Sem conversinhas despropositadas, os momentos de tédio na leitura são inexistentes. Calmaria sim, tédio não.

Do início da missão até o final, vários momentos decisivos acontecem e informações e acordos importantes são selados. Ou seja, já tenho mais alguns motivos para continuar lendo. Além, é claro, de ser uma distopia com elementos tão inusitados e planejados, que me ganhou logo nas primeiras páginas. 

Para os fãs das distopias estrangeiras, posso garantir que essa nacional tem elementos no mesmo nível, e outros até melhores. Um pouco de magia, de poderes super-humanos, de combates, de revolta contra um órgão opressor. A vida de Sybil é de encher os olhos de qualquer fã de distopias jovens.



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Um comentário:

  1. Oi, tudo bem?

    Eu não li nenhuma distopia nacional até agora, mas estou ansioso para fazê-lo. Eu conheci um pouco do trabalho da Bárbara, mas não sobre os Anômalos. Sua resenha me empolgou, e espero poder conhecê-los em breve.

    Beijos :)

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