✓ Resenha: Cidade Banida - Ricardo Ragazzo

sexta-feira, 28 de agosto de 2015




Sinopse: No futuro, a Terra foi assolada por inúmeras guerras, o que dizimou 99% da população humana e transformou sua vida animal e vegetal. Boa parte dos seres humanos acabou confinada dentro dos muros de Prima Capitale, regida pelas draconianas regras do Supremo Decano. Por causa da rigidez do governo, todos os bebês nascidos no lugar precisam passar pelo crivo dos chamados cognitos, seres com poderes psíquicos capazes de prever o futuro. Caso, nesta visão, seja revelado que o novo cidadão cometerá um crime, sua sentença é a morte. Seppi Devone foi um desses bebês vetados. No entanto, sua mãe, Appia, consegue fugir com ela, livrando-a da cruel sentença. Elas vivem incógnitas numa comunidade no meio da mata e Appia cria sua filha como um garoto. Mas, quando Seppi completa 15 anos, o destino bate à sua porta e a garota terá de enfrentá-lo. Afinal, a adolescente é a única esperança que muitos oprimidos têm de se livrar do mal a que são submetidos pelo Supremo Decano. Irá ela abraçar essa sua missão?

Título: Cidade Banida
Autor: Ricardo Ragazzo
Editora: Planeta
Pág. 384
Melhor preço: R$27,90
Classificação: 9,5 (Excelente!)







Cidade Banida se passa em um cenário pós-apocalíptico onde grande parte da população foi exterminada, através das guerras, das armas e até mesmo por ações da natureza. Alguns seres humanos que resistiram, contudo, desenvolveram poderes psíquicos, e foram chamados de Cognitos.

“À medida que os anos foram passando, alguns seres humanos desenvolveram poderes psíquicos poderosos e assustadores. Podiam mover objetos à distância, comunicar-se por pensamento, prever acontecimentos. Essas pessoas ficaram conhecidos como “cognitos”. Não demorou muito para que esses poderes incitassem a cobiça e novas disputas territoriais, que ficaram conhecidas como a Grande Guerra Psiônica. Como resultado desses conflitos, 99,99% da população terrestre desapareceu. Os poucos sobreviventes, comandados por Di-Baid, passaram a viver na Cidade Soberana de Prima Capitale.” (p. 19)

Os sobreviventes vivem na Cidade Soberana de Prima Capitale, que é dividida em quatro classes: castas, auxiliares, cidadãos e desertores. Nesta realidade, a fim de evitar a superpopulação e banir a violência, cada casal pode ter apenas um filho e todos devem receber a visão de um Cognito sobre seu futuro, o que determina se a criança irá viver ou morrer, sempre obedecendo ao lema POSD (paz, ordem, segurança e disciplina). Para os que não enquadravam-se restavam apenas duas opções: a morte ou o exílio na Cidade Banida.

Appia Devone, através de um cognito, descobre que o futuro de sua filha não será nada bom ao vê-la na cena de uma casa em chamas com várias pessoas lutando entre si. Para seu marido, Jonah, a opção é apenas uma: que a criança seja vetada pelo governo. Contudo, Appia está longe de aceitar esse cruel destino, pondo em risco a própria vida para conseguir fugir com sua pequena filha.


“[...] Seu erro custaria a vida daquela pequena menina que já era punida por algo que nem havia feito ainda. Haveria injustiça maior do que essa?” (p. 26)

Deixando a Prima Capitale para trás, nos deparamos com um cenário de selva bem diferente, composto por animais mutantes e até mesmo um leão herbívoro: uma pequena comunidade escondida na mata onde Appia passa a morar.

Seppi, a filha, agora com quinze anos, vive uma vida dupla, onde finge ser um menino para não correr o risco de descobrirem quem era ela e onde vivia. A garota possuía o estranho dom de conseguir se comunicar com animais, principalmente com Diva, sua fiel amiga leoa, além de ter uma mancha em formato de borboleta no ombro, o que a tornava, misteriosamente, valiosa. Mas após tantos anos em paz, toda a normalidade que Seppi conhecia e que, ocasionalmente, a entediava, vai pelos ares. Quando seus amigos Petrus e Timmo descobrem que Seppi é, na verdade, uma garota, não demora muito para a notícia se espalhar até que Caçadores de Recompensas da Prima Capitale a encontrem. Nas mãos dos Caçadores, o destino será apenas um: condenação e execução. 


Perante tamanho caos a única escolha de Seppi é fugir para a Fenda, mas conseguir chegar lá já é outra história. Ela enfrentará pelo caminho nada menos que robôs flutuantes, andrófagos tatuados e canibais, Nosorogs (grandes animais com dentes de marfim). E é nessa confusão de sentimentos, perigos e incertezas que a garota descobrirá que seus poderes psíquicos vão muito além de se comunicar com animais (conseguiria ela matar uma pessoa apenas com o pensamento?), irá se deparar com o verdadeiro formigueiro humano que é a Fenda e com sua rainha ainda mais peculiar, Maori, uma sábia de aparência bizarra e fortes poderes psíquicos.

“Enquanto eu não descobrisse quem eu era de verdade e qual a extensão do meu poder, as retas paralelas da minha vida jamais se encontrariam.” (p. 76)

Nesse longo caminho em busca da sobrevivência, do entendimento sobre seu passado, sobre a história da sua mãe, de seu pai e das regras da Prima Capitale, Seppi ainda precisará tomar importantes decisões quanto ao bem e ao mal e por qual caminho vale a pena seguir, em uma luta que, certamente, só poderia conduzir até a Cidade Banida de Três Torres: a cidade dos renegados, onde na arena Sablo, as pessoas lutarem até a morte, é mero entretenimento.

Com a ajuda de Lamar, que faz com que Seppi conheça sentimentos até então inexistentes, e do temperamento explosivo de Indigo, só posso adiantar que muitas reviravoltas acontecerão até que a garota reencontre a paz (será mesmo que ela encontrará?).

“— A borboleta em seu ombro. Você sabe o que significa? ̶ perguntou ela, esfregando a unha pontiaguda sobre a minha marca de nascença. — Transformação, minha cara. Você é uma totêmica e tem dentro de si o poder mais importante de todos: o da mudança.” (p. 126)

Nem preciso dizer o quanto o livro é rico em elementos. Logo nas primeiras páginas temos um glossário ilustrado dos principais animas e plantas que iremos encontrar na história. É um universo totalmente novo, criativo e completo. Temos o cenário da Prima Capitale, caracterizado pela cidade utópica (que não pode faltar em nenhuma distopia, é claro!), a selva onde Appia e Seppi se exilam, riquíssima em fauna e flora fantásticas, desde animais a plantas e frutos, temos também os perigosos canibais e os corajosos guerreiros da Fenda.

A narrativa de Ricardo Ragazzo é envolvente, deixando o leitor sempre curioso para descobrir o que virá a seguir, em um ambiente repleto de mistério, suspense e adrenalina, praticamente tudo pode ocorrer no capítulo seguinte! Além disso, toda a história é bem contada não deixando nenhuma ponta solta e tornando a leitura bem clara (confesso que fiquei com receio de não conseguir compreender a história totalmente quando vi o glossário cheio de elementos fantásticos rs). O único ponto que não me agradou tanto foram os capítulos longos, mas sou suspeita a falar, pois acho capítulos curtos mais dinâmicos (opinião pessoal).

O tema é criativo e instigante, alguns traços já são característicos de distopias, como a existência de uma cidade “perfeita”, mas o autor conseguiu fugir do clichê e trazer uma história super diferenciada, num universo totalmente novo e cheio de características próprias, mesclando mistério com suspense e ação.

Os cenários são únicos e caracterizados, desde a Prima Capitale, como a selva e a Fenda, além, é claro, da Cidade Banida. Tudo bem descrito trazendo uma imagem nítida na cabeça do leitor, inserindo-nos dentro da história.


Seppi é a personagem principal e também a que mais amadurece durante a narrativa. Apesar da pouca idade, e do pouco tempo em que a história passa (considerando apenas após a descoberta da garota pela Prima Capitale), Seppi toma decisões cruciais com responsabilidade e maturidade de gente grande, aprendendo a lidar com seu poder e utilizá-lo da melhor forma possível, afirmando que é igual às demais pessoas, apesar de ser tratada como “a escolhida” e arcando com as conseqüências de seus atos.


A capa é atraente, mas acredito que poderia ter sido melhor trabalhada. As cores em tons escuros condizem com o cenário local, contudo não me agradou totalmente. O que realmente deixou a desejar nessa obra incrível foi a revisão, encontrei muitos erros de digitação, principalmente nos diálogos e após os travessões de fala. Contudo a diagramação foi bem feita, as ilustrações do glossário são ótimas, realmente transportando o leitor para o ambiente e ajudando na compreensão do enredo.

“— Não importa quanto somos fortes, ágeis, habilidosos e resilientes, Seppi. Nada disso importa se somos incapazes de mudar quando necessário. O poder da mudança permite-nos a possibilidade de renascer a cada nova experiência, nova aventura, novo acontecimento.” (p. 127)

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4 comentários:

  1. Achei a premissa muito boa mas não leria por agora. Atualmente, estou fugindo de distopias hahhahhaha
    Quanto a capa, realmente poderia ter sido melhor trabalhada. Se for uma série, quem sabe no próximo eles melhorem?
    Beijos
    http://balaiodebabados.blogspot.com.br/

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  2. É bem legal quando tratando-se de um gênero já batido, o autor consegue surpreender e fazer algo diferente. Fiquei extremamente curiosa quanto ao livro porque AMO distopias e to querendo comprar mais livros do gênero. Tá anotado aqui.

    Beijos. Tudo Tem Refrão

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  3. Oi Amanda! Td bem?

    Eu quero demais ler este livro! Adoro o gênero e o autor.
    Gostei demais da sua resenha, só me deixou mais curiosa! Parabéns!

    Bjo bjo^^

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  4. Uauuu Fiquei mega curiosa para ler , a Deia postou a foto no Face e eu ja fiquei com vontade de ler , após a resenha entao , quero muito !!!

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