✓ Resenha: Proibido - Tabitha Suzuma

segunda-feira, 27 de julho de 2015





Ela é doce, sensível e extremamente sofrida: tem dezesseis anos, mas a maturidade de uma mulher marcada pelas provações e privações da pobreza, o pulso forte e a têmpera de quem cria os irmãos menores como filhos há anos, e só uma pessoa conhece a mágoa e a abnegação que se escondem por trás de seus tristes olhos azuis.
Ele é brilhante, generoso e altamente responsável: tem dezessete anos, mas a fibra e o senso de dever de um pai de família, lutando contra tudo e contra todos para mantê-la unida, e só uma pessoa conhece a grandeza e a força de caráter que se escondem por trás daqueles intensos olhos verdes.
Eles são irmão e irmã.
Com extrema sutileza psicológica e sensibilidade poética, cenas de inesquecível beleza visual e diálogos de porte dramatúrgico, Suzuma tece uma tapeçaria visceralmente humana, fazendo pouco a pouco aflorar dos fios simples do quotidiano um assombroso mito eterno em toda a sua riqueza, mistério e profundidade.

Título: Proibido
Editora: Editora Valentina
Autora: Tabitha Suzuma
Ano: 2014
Páginas: 304
Melhor Preço: R$ 20,32
Classificação: 10 (Excelente!)



Quando eu acabei de ler Proibido, tive que correr pra fazer um esboço da resenha, pois não queria perder todas as nuances de sentimentos que a leitura me proporcionou. Só que ele proporciona uma leitura que invade completamente o leitor e que faz com que mesmo após meses ainda lembremos de tudo o que ela nos proporcionou.

A essa altura do campeonato acho muito difícil alguém não saber sobre o que o livro retrata, mas se você é um dos poucos que não sabe quero lhe pedir para antes de ler essa resenha abrir seu coração, e sobre tudo sua mente. Dispam-se conceitos e preconceitos (os religiosos principalmente), pois essa é uma leitura que vai além de simplesmente uma temática polêmica, ela nos fala de amor. O amor na sua forma mais simples, daquele amor que simplesmente acontece e não dá a oportunidade de se escolher a quem vai se amar. Apenas se ama.

É normal eu me apegar aos personagens de um livro, mas eu terminei a leitura de proibido entre lágrimas, palpitações, mãos trêmulas, aperto no peito, nó na garganta e com essa sensação...
que não sei nem explicar, mesmo hoje quando estou apenas me lembrando.

Se eu tivesse que resumir Proibido em uma palavra seria: ARREBATADOR, mas uma palavra só não seria capaz de representar tudo o que essa leitura é capaz de proporcionar. Antes de fazer a leitura li algumas resenhas encantadas bem encantadas sobre a obra, mas só quando li pude entender o porquê daquele encanto. De todas as resenhas que li, só me recordo de uma negativa e nessa o argumento que a autora usou para criticar o livro foi o de que era pecado. E sinceramente? Para mim (Kris) esse não é um argumento válido para se rebaixar um livro, principalmente nos dias atuais onde os enredos mais aclamados relatam traições, sexo fora do casamento, crimes, entre tantos outros "pecados" perante o cristianismo.
Enfim, vamos voltar pra resenha...

Eu achei incrível a maneira que a Tabitha conseguiu criar uma história tão cativante e poética sob uma temática tão polêmica e descriminada. Um pecado tão hediondo aos olhos da sociedade que acabou sendo criminalizado. O livro foi escrito de uma forma muito analítica e que faz com que o leitor o analise também, não só de maneira sociocultural, mas também psicológica.

No enredo conhecemos uma família nem um pouco convencional, onde dois adolescentes criam os três irmãos mais novos, após terem sido abandonados pelos pais. O pai partiu para outro continente com uma nova mulher e a mãe que embora ainda viva com eles (em alguns momentos), os negligencia tendo os trocado à muito pelo álcool e por relacionamentos casuais. O que fez com que Lochan e Maya tenham que se virar desde cedo, assumindo o papel de pais dos irmãos mais novos, além de tentar esconder do mundo o descaso da mãe na esperança de assim evitar que o serviço social os levasse e acabasse separando o que restou da sua família.

E sendo assim Lochan e Maya perderam suas infâncias e acabaram se tornando adultos prematuramente. E essa cumplicidade criada como um casal que cria os filhos, acaba despertando neles um amor que vai além do fraternal. Um amor que só as almas gêmeas poderiam ter e assim começam para eles as lutas interiores, em busca de entender a si mesmo e entender a esse sentimento. Que parece tão certo, mas que existe pela pessoa errada.

Proibido nos apresenta uma história do amor em sua mais cruel forma; Do amor lindo, natural e avassalador. O livro em momento nenhum é apelativo, ou pervertido, a Tabitha conduz a história de uma maneira tão singela, que nos leva a partilhar todos os pensamentos do casal e se questionar incessantemente "E se fosse comigo?" Ela brinca com os sentimentos do leitor, nos leva ao paraíso, para em algumas linhas depois nos lançar no mais profundo abismo. Nos faz amar e querer tanto a felicidade dos protagonistas e desprezar completamente outros personagens. Ao mesmo tempo ela não nos deixa esquecer que os dois apesar de tão prematuramente amadurecidos, ainda são só crianças que não tiveram a opção de viver a infância e nos questiona na voz dos próprios personagens: Se esse amor não foi induzido pela situação em que eles foram forçados a viver? Se eles psicologicamente não usaram disso pra suprir a carência mutuamente? Se aquilo não era um crime e se sim, quem era o culpado por ele? Como a sociedade encararia esse relacionamento?

A figura da mãe relapsa me causou um asco tão pungente, que é até difícil definir o grau. E ela foi o algoz do livro do início até o fim, elucidando também os riscos que o despreparo de um núcleo familiar pode causar. E  levando a leitura culminar num final tão intenso que me lançou num estado de torpor, onde há tempos uma leitura não me permitia chegar.

Eu recomendo essa leitura, sem sombra de dúvidas e indico a todos que conheço, sempre que posso. Porém não deixo de dizer que para fazê-la é necessário que se você esteja nu em relação a preconceitos, caso contrário é melhor que nem a faça. Pois uma leitura discriminativa desse livro seria até uma heresia.

Para mim Proibido é um livro tão intenso que é a representação mais forte do amor proibido, que eu já vi desde Romeu e Julieta, pra falar a verdade Romeu e Julieta se o lessem iriam chorar por eles, ao perceber que o motivo que impede o amor deles não chega nem perto do que se põe entre Lochan e Maya.



Proibido é uma leitura Excelente, capaz de abalar muros que existem dentro de nós e nem nós mesmos sabíamos! Recomendo-a aos leitores maduros, pois apesar de ser um Youg Adult ela requer bastante discernimento. 
Espero que tenham gostado da resenha e deixem suas impressões nos comentários.
Beijos!
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4 comentários:

  1. Oi Kris!

    Qdo este livro saiu, eu fiquei tão desesperada por ele!!!! kkkkkk Depois que consegui comprá-lo, acho que desanimei um pouco de ler... ele ta aqui, na minha estante e pretendo sim lê-lo, mas ainda não deu aquela vontade de antes, sabe? rsrsrsrsrs

    Adorei sua resenha, continuo curiosa qto ao enredo e assim que a vontade vier, vou lê-lo com certeza!

    Bjo bjo^^

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    Respostas
    1. Aninha (sente a intimidade) espero que você sinta ao lê-lo.
      Tudo o que eu senti. Espero mesmo que você goste como eu gostei.
      É uma leitura ímpar <3
      Beijooo

      Excluir
  2. Nunca havia me interessada por esse livro, e ainda continuo sem interesse. Com certeza não lerei, não sou muito de romances e não achei o tema bom, um romance entre irmãos.

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  3. Oi!
    Eu não tinha ouvido falar do livro ainda... E mesmo lendo a sinopse e a sua resenha eu ainda não sei o que pensar dele. Quero dizer, me interesso por ele, mas ao mesmo tempo acho que não vou gostar. Faz sentido?
    Enfim, fiquei curiosa com ele, então se eu tiver a oportunidade eu lerei

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