✓Resenha: Entorpecida - Catalina Terrassa

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Sinopse: Hayley sempre se considerou a encrenqueira da escola, a garota sem memória, adotada pelo casal Kilvert e que vive em pé de guerra com a irmã por causa de seu péssimo gosto pelo sexo oposto.
Seu mundo começa a mudar após um incidente macabro em sua escola. A partir daquele dia sua vida jamais seria a mesma.
Ela é apresentada a um mundo desconhecido, cheio de magia, mistério e seres mágicos. Um mundo do qual um dia fez parte, e que está prestes a ser destruído por um "objeto" mágico conhecido como A Chave Mestra.

Título: Entorpecida
Formato: 14 x 21
Número de Páginas: 328

Observação:

Bem, pessoal... Meu estilo de resenha é um tanto diferente, pois costumo analisar uma obra de maneira técnica, frisando alguns pontos específicos – e de suma importância para mim. – Evito spoilers... sempre! Não comento sobre o desenrolar do enredo, e não o faço por dois motivos: a) Não quero comprometer a leitura alheia; b) Existe uma enorme diferença entre resenhar e resumir um livro. Sendo assim, peço um pouco de paciência para que eu entre no ritmo do Fundo Falso. Claro que opiniões e sugestões são bem vindas. Portanto, caso tenham algo a dizer, não se atenham e deixem suas palavras nos comentários.
Sobre a autora: Catalina é uma amiga virtual que mora no meu coração. Admiro sua força, sua personalidade firme e lhe sou imensamente grata por nunca me julgar. Obviamente, sou fã dos seus enredos intensos, repletos de aventuras e com deliciosos diálogos sarcásticos. Conforme comentei em outra resenha, trocamos poucas “figurinhas” em nossas conversas, porém, nunca foi preciso dizer muita coisa para que nossa amizade florescesse. Acredito que... Bem, caso Catalina e eu nos tornássemos personagens de um livro, ambas estariam em uma mesa do bar mais xexelento do uni-verso, bebendo cerveja quente, com os pés cruzados sobre o tampo, observando os badboys se digladiarem no bilhar e rindo à toa. Claro que eu seria a bruxa má do oeste e ela... Ok, ela também... kkkkk... Ainda assim, deixo claro que jamais faria uma resenha positiva apenas para não perder a amiga. Os elogios são sinceros, bem como as críticas. Certo, pessoal, vamos ao que interessa...


Quantas vezes uma fênix é capaz de renascer?

Resenha:

Gramática e Revisão: Seguindo a marca registrada da autora em seus textos, Entorpecida tem uma linguagem fluida, divertida e com diálogos repletos de alfinetadas bem humoradas. Catalina me surpreendeu com sua escrita nessa obra – não que fosse ruim antes, pois não era. O que quero dizer é que, apesar de singelos, os jogos de palavras usados estavam mais elaborados, com uma acuidade interessante. – A linguagem da autora é única, com uma narrativa que nos instiga a prosseguir na leitura sem notar o tempo passar. O único problema que encontrei – e tal idiossincrasia também já se tornou um ícone na escrita da Cat (adoro chamá-la assim), foram as (poucas) repetições. Ok, explico... Quando lemos uma das obras da Catalina, a impressão que temos é de que estamos diante de uma tradução de um best seller norte-americano. Na língua portuguesa, a conjugação dos verbos – na maioria das vezes – inibe o uso de pronomes pessoais (do caso reto), artifício que nos permite evitar o excesso de “ele” ou de “ela” nos textos. Em contrapartida, a língua inglesa exige o uso desses mesmos pronomes para dar coerência ao verbo – que, quase sempre, necessita do sujeito para sua conjugação. – Dessa forma, quando pegamos uma publicação traduzida, nos deparamos com o constante uso de pronomes pessoais e outros tantos possessivos e/ou demonstrativos, gerando a enfadonha repetição “ele, dele, nele, daquele”. Eis o lapso que muito me irritou em Entorpecida.

*Pessoal, peço para que me perdoem, caso não tenha sido clara o bastante para explanar minha opinião nas palavras acima.

Publicar pelo “Clube dos Autores” tem o mesmo significado de publicação independente – e, antes que alguém desdenhe o fato, friso que, além de obras de boas qualidades físicas (confecção), encontramos em tal site uma infinidade de excelentes autores. Ainda mais, a maioria dos escritores que lá estão NÃO FORAM REFUTADOS por outras editoras, como muitos costumam pensar. Pelo contrário, essas pessoas negaram contratos horrorosos que visavam benefícios a apenas uma das partes. Portanto, peço-lhes: abram suas mentes e deem oportunidades a todos. – Continuando... Tratando-se de uma publicação independente, notamos todo o esforço da Catalina, bem como seu carinho, para com o livro. Porém – pessoal, desculpem-me, mas sempre tenho um “porém” –, revisar nosso próprio texto é um perigo – falo por experiência própria –, pois nos envolvemos de forma dantesca com o texto e pequenos erros passam despercebidos (sim, já aconteceu comigo). Encontrei alguns erros ortográficos – que gosto de chamar de “erros de digitação” –, contudo, nada que desabone o talento da autora.

Finalizando esta parte, o livro é bem escrito, com um vocabulário deleitoso e com diálogos deliciosamente sarcásticos. O coloquial se faz presente, bem como as referências a Supernatural, Harry Potter e outros tantos famosos – uma jogada que eu adoro nos textos. – Gírias diversas deram o glamour jovial ao enredo, enriquecendo o texto nos momentos mais oportunos.

Peço à luz do norte que se altere e se torne sombra... Assim como à do sul, que ela cubra meus segredos com um lençol negro... E às luzes do leste e do oeste, para que selem este pedido...

Capa e Diagramação: A capa do livro – criação do designer Jocélio Soares (links no final da resenha) – está em sintonia com o enredo, estampando a protagonista rodeada pelas chamas... Eu amei esse trabalho, achei que tudo combinou perfeitamente, até mesmo a fonte do título (endor) deu uma estilizada de suspense. Sem aquele excesso de informações, a capa é simples e direta: Título, subtítulo e nome da autora.

A diagramação – e estou na dúvida se a autoria do trabalho pertence à Lilly Terrassa ou ao Jocélio Soares (tem mais cara de Lilly) – não deixa nada a dever para as grandes publicações editoriais. Fontes, espaçamentos e artes nas medidas perfeitas que não agridem o olhar dos leitores. Estou apaixonada pelos banners que adornam o início de cada capítulo – gritando por dentro: “Por que não pensei nisso antes?”...

Enredo: O talento criativo da autora realmente não tem limites! Depois de trabalhar com vampiros, com anjos e com demônios, Catalina nos presenteia com essa preciosidade. “Entorpecida” é um livro de fantasia com duendes nada convencionais – ou seja, diferente daquelas criaturas estereotipadas nos contos infantis –, fadas abusadas, e todos os elementais em suas mais diversas formas – elaboradas pela mente exímia da Cat. – A autora nos conduz por dois mundos distintos, universos paralelos que, em dado momento da trama, se eclipsam de forma assombrosa. O enredo é tão inteligente que me vi perdida, precisando retornar algumas páginas para compreender a complexidade de toda hierarquia montada por Catalina. Conforme citei certa vez, “Entorpecida” é o clímax literário sobrenatural. Você é fã de Harry Potter? Leia! Você gosta de romance? Leia! Curte aventuras e criaturas mágicas? Leia! Aprecia tudo isso em uma escrita bem humorada? Leia, porque você acabou de encontrar o livro certo!

As chamas pelo meu corpo começavam a me cobrir por inteira, e não apenas isso... Elas subiam pelas paredes e pelo teto. Vi nossas fotos na estante virando cinzas, e a dor no meu peito aumentou. Parecia que invadia toda minha alma.

Nesse primeiro volume da série, a autora narra a história da protagonista, seu passado obscuro e todas as diversidades que a obrigaram a deixar sua família e sua terra natal. Em contrapartida, temos vários mistérios jogados em pontos estratégicos do texto, contados pelos coadjuvantes da trama – fato que apenas aumentou minha curiosidade durante a leitura. – Explicações são dadas por meio de diálogos entre os personagens, com perguntas e respostas, um artifício que não cansa a mente do leitor e que prende nossa atenção – quid pro quo. – O mundo mágico criado pela Catalina parece tenebroso, porém, existe um glamour latente na descrição do mesmo. Feitiços relatados na íntegra nos incitam, e a jogada de mestre, o toque divino da autora: trechos de livros antigos de um mundo mágico e perdido... Tudo, obviamente, criado por Catalina. Embalados pelo som de Florence and The Machine – “No Light, No Light” – e The Calling – “Wherever You Go” – a história se desenrola com um primor delicioso.

Personagens: Catalina tem uma particularidade que amo em seus textos, uma gama enorme de personagens. E, por serem muitos, cito apenas aqueles que mais me chamaram a atenção, os que ganharam meu coração sem esforço algum. Claro que gostei de todos, porém, tenho meus queridinhos, e não posso deixá-los de fora. Vamos conhecer um pouquinho de cada um?

— Heyley – a protagonista, é divertida, debochada e marrenta, do tipo que não leva desaforos para casa. Não perde uma só oportunidade de desferir seus golpes nos abusadinhos da escola. Foi adotada ainda na infância, e tem plena ciência de tal fato. Porém, sua memória, por algum motivo (bem específico, que não posso contar, porque estou evitando os spoilers) foi apagada. Tudo o que aconteceu antes de sua adoção foi simplesmente deletado de sua mente, e os fatos se afloram quando um estranho lobo se aproxima. Em outro mundo, Heyley é chamada de Bettina.

— Ryan – o professor lindão que é a cara do Wentworth Miller (ao menos na minha imaginação). Adoro a personalidade do Ryan, seus mistérios, seu humor ácido, sua tristeza latente. O típico personagem que se faz apaixonar logo nas primeiras linhas. Citar o nome de Ryan no universo paralelo seria entregar parte do ouro. Então, vocês terão que ler para sanar a curiosidade.

— Nikki – uma fada elegante, brava, com o stress elevado em nível ninja. Por motivos pessoais – que não citarei, pois isso é coisa minha e da autora (me sinto tão malvada hoje... rsrs...) –, Nikki é uma personagem especial para mim, eu amo essa fadinha irritada.

— Kim – imaginem um duende fofinho, baixinho e com as bochechas rosadas... Ok, agora, apaguem essa imagem da mente, porque... de fofinho, Kim nada tem. Pelo contrário, ele seria um cosplay de Jason Momoa – aaaaaaaaaaah, eu me tornaria a “Senhora Duende” numa boa. – Kim é o ponto alto da diversão em toda a trama, gargalhei muito com ele.

Considerações Finais: A obra nos atrai de uma forma surreal, com mistérios que são desvendados pouco a pouco, deixando brechas para aguçar nossa curiosidade e correr para o segundo volume. Um je ne sais quoi místico e único, criação digna de Catalina, nos envolve, instigando nosso intelecto a raciocinar durante a leitura. Um livro digno de adornar nossas prateleiras e... Vou além... Seria ótimo assistir a essa trama nas telonas. Como sempre, a autora nos brinda com algo que somente ela sabe fazer, contrapor uma linguagem simples com mistérios intrínsecos, um emaranhado de enigmas que nos remete para dentro do enredo. Sim, de repente, nos vemos ali, na história. Ainda estou embasbacada com a trama de “Entorpecida”. Aprovado, indicado, ovacionado.

Links da Autora: Blog | Fanpage | Skoob | Site

Links da Obra: Fanpage | Skoob | Onde Comprar

Links do Designer: Fanpage | Devianart

Pessoal, espero que tenham gostado da resenha, do meu estilo diferente de apresentar minha opinião sobre uma publicação, e agradeço a todos por estarem aqui, visitando o Fundo Falso. Estarei de volta em breve, sempre com resenhas de obras nacionais, enfatizando o talento dos escritores brasileiros.

Um grande abraço e até a próxima!

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7 comentários:

  1. Oi Vanessa!

    Gostei do seu estilo de resenha! Assim ficou mais detalhado, acho.
    Sobre o livro, bem, ele está na minha lista de desejados a um bom tempo, mas nunca encontrei um preço bom que me instigue a comprá-lo!

    Bjo bjo^^

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    1. Oi, Ana Paula.
      Obrigada pelo comentário e pelo elogio.

      Entorpecida é um livro delicioso, te garanto que o investimento vale a pena - sei que o valor foge dos padrões, mas leve em conta que é uma publicação independente e que, portanto, impressão por demanda sai caro mesmo. Ainda assim, te instigo a comprá-lo, você não vai se arrepender!

      Beijoooos! ♥

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  2. Olá Vanessa, tudo bom?
    Parece ser super demais, já vai entrar para minha 'humilde' lista de livros, porque cá entre nós, pra gente sempre é pouco haha...Adorei a resenha, sempre gosto de dar uma passada aqui no seu blog que sempre tem posts super legais. Beijo ♥
    Ficaantenada.blogspot.com

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    1. Obrigada pelo comentário e, claro, pela sua visita aqui.

      Sou suspeita ao elogiar o trabalho da Catalina, porque já me tornei fã da autora... e, siiiiim, livro nunca é demais!!! Espero que você também goste de Entorpecida...

      Beijos!!! ♥

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  3. Olá! Apenas soube da resenha hoje e via instagram.

    Adorei a resenha. Com relação a revisão, estou fazendo o possível para melhorar.

    A diagramação foi feita pela Lilly, não coloquei o nome nos créditos porque muita gente fica de mimimi pelo fato de ela ser minha sobrinha.

    E mais uma vez obrigada.

    Beijos!

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    1. Não esquenta a cabeça, Cat, eu sou chatona mesmo resenhando... Aliás, deveria ser chata também quando fosse revisar meus próprios livros kkkkkkkkkkkkkkk...

      Sérioooo, quase implorando pra Lilly me dar ideias mirabolantes pras diagramações!!!

      Eu que agradeço por me deliciar com essa história diva ;)

      Beijos!

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  4. Gostei muito da resenha e do seu blog, se puder deixe um comentário no meu blog ou me siga, sigo de volta http://projetoef5.blogspot.com.br/

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