✓ Resenha: A Vida Como Ela Era - Susan Beth Pfeffer

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015



Sinopse: Quando Miranda começa a escrever um diário, sua vida é como a de qualquer adolescente de 16 anos: família, amigos, garotos e escola. Suas principais preocupações são os trabalhos extras que os professores passaram tudo por causa de um meteoro que está a caminho da Lua.
Ela não entende a importância do acontecimento; afinal, os cientistas afirmam que a colisão será pequena. Mas, mesmo assim, acredita que esse será um evento interessante a se observar, com binóculo, do quintal de casa.
Para surpresa de todos, o impacto da colisão é bem maior do que o esperado, e isso altera de modo catastrófico o clima do planeta. Terremotos assolam os continentes, tsunamis arrasam os litorais e vulcões entram em erupção. Em 24 horas, milhões de pessoas estão mortas e, com a Lua fora de órbita, muitas outras mortes são previstas. Os supermercados ficam sem comida, e Miranda e sua família precisam, então, lutar pela sobrevivência em um mundo devastado, onde até a água se torna artigo de luxo.

Editora: Bertrand Brasil
Pág. 378
Melhor preço: R$22,79
Classificação: 9,6 (Excelente!)





Miranda é a personagem principal, uma adolescente de 16 anos que mora em Howell, na Pensilvânia, com seus dois irmãos - Jon, mais novo e Matty, mais velho - e sua mãe. Ela escreve seu dia a dia em um diário.

No contexto de "A vida como ela era" um asteroide está a caminho da lua e irá atingi-la, porém não apresenta nenhum risco para as pessoas, será apenas um espetáculo interessante para assistir do conforto de suas casas, não afetando em nada a vida na Terra. Entretanto, é claro que tal notícia causa alvoroço entre a população. E é claro que todos os professores de Miranda pediram trabalhos de casa sobre a lua para serem entregues na sexta-feira, dois dias após o acontecimento, pois é só nisso que se fala.

“Nunca pensei muito sobre o fato de que a Lua que vejo é a mesma que Shakespeare, Maria Antonieta, George Washington e Cleópatra viram. Para não mencionar os zilhões de pessoas de que nunca ouvi falar. Todos os Homo sapiens e Neandertais olharam para a mesma Lua que eu olho. Ela também aparecia e desaparecia no céu.” (p. 20)

Chegado o dia, a colisão da lua mais parece com um grande evento: todos saíram de suas casas para assistir nas ruas. O que ninguém imaginava é que algo daria errado quando o asteroide atingisse a lua, que parece se mover e se aproximar muito da Terra, sendo colocada fora de sua órbita. Todas as pessoas se desesperam e começa o caos. Pelo noticiário da televisão, várias notícias passam a chegar em tempo real de todo o mundo sendo afetado pela mudança da órbita da lua, como o aumento das marés, incluindo o surgimento de tsunamis nos Estados Unidos, a Estátua da Liberdade levada pelo mar, a submersão das cidades litorâneas.

“Mas o céu não exibia mais a metade da Lua. Ela estava inclinada, na posição errada, como se estivesse minguante, e parecia maior, muito maior, maior que a Lua que nasce no horizonte, só que não estava nascendo. Ela estava no meio do céu, grande demais e visível demais. Era possível ver, mesmo sem os binóculos, detalhes das crateras que, antes, eu observava com o telescópio de Matt.” (p. 29)

No dia seguinte, algumas pessoas tentam agir normalmente, incluindo Miranda, que vai à escola. Mas uma forte tempestade com muitos trovões acomete a cidade, fazendo a energia acabar. Sua mãe a busca na escola e vão para o supermercado, pede para ela e seus irmãos se dividirem e comprarem tudo o que conseguirem: comida, remédios, pilhas, velas, roupas de inverno e todos os suprimentos necessários para o Fim do Mundo. Claro que Miranda acha que sua mãe ficou louca.

Em questão de dias o Fim do Mundo realmente parece começar, pois os supermercados fecham, a comida começa a acabar (ainda bem que a família de Miranda fez um estoque!), as aulas são suspensas, a gasolina sobe para um preço exorbitante, quase não há energia elétrica - aparece apenas por poucos minutos ou horas - as ruas tornam-se perigosas. Pelos correios, a lista das pessoas mortas identificadas é cada vez maior. Pelo mundo todo catástrofes começam a ocorrer com cada vez mais frequência: vulcões entram em erupção, fazendo as cinzas vulcânicas cobrirem a luz do sol, além de terremotos e inundações. A temperatura em torno dos 40ºC do verão começa a ser substituída por temperaturas até -20ºC no inverno. Também ocorre uma nevasca, as rádios param de funcionar, as plantações morrem, o gás natural da cidade acaba, Miranda não tem mais notícias de seu pai e sua madrasta, que está grávida, além de ver pessoas que conhecia morrerem. Algumas cidades e até países são inteiramente destruídos.

“É um modo tão estranho de viver. Não acredito que ficaremos assim por muito tempo. Por outro lado, estou começando a me esquecer de como era a vida normal, com relógios marcando a hora certa, lâmpadas acendendo quando apertamos o interruptor, internet, postes de rua, supermercados, McDonald’s e...
Matt me disse que não importa como o futuro será, nós estamos vivendo um momento muito especial da história. Ele falou que a história nos afeta, mas que também podemos afetar a história, e que qualquer um pode ser um herói se quiser.” (p. 69/70)

Frente a esse cenário, o dia a dia de Miranda torna-se uma luta pela sobrevivência e tudo é registrado em seu diário: a fraqueza pela escassez de comida, a diminuição da imunidade, os extremos de temperatura e todas as manifestações climáticas, a dúvida se as pessoas que ama ainda estarão vivas, a dúvida se um dia as coisas irão voltar ao normal, se conseguirá sobreviver e se sua família também conseguirá.

“Sinto como se eu estivesse encolhendo junto com o meu mundo, diminuindo e endurecendo. Estou me transformando em uma pedra e de certo modo isso é bom, porque pedras são eternas.
Mas, se é pra viver assim eternamente, então não quero.” (p. 265)

Toda a história é narrada pelos olhos de Miranda. Percebemos que ela é uma típica adolescente e que sempre acaba se desentendendo e brigando com sua mãe, mesmo no cenário caótico, mas também percebemos que ela ama sua família acima de tudo e está disposta a dar sua vida, se for preciso, para salvá-los. A garota de apenas dezesseis anos também amadurece muito no período de um ano que envolve os acontecimentos do primeiro livro da série.

Os capítulos são divididos em estações do ano, mostrando as terríveis alterações climáticas de cada época, narrados em primeira pessoa na forma de diário. Eu particularmente acho esse tipo de narrativa bem interessante, a leitura fica mais emocionante e flui muito bem e de forma rápida. Além de ser completamente envolvente, pois eu mesma me peguei várias vezes pensando no que faria em tal situação e como reagiria, até porque os fatos que ocorrem no livro são verossímeis e poderiam ocorrer na vida real.

Outro ponto que achei interessante e que este livro ressalta é a importância da escrita. Miranda anota com datas todos os acontecimentos que ocorrem no mundo e com ela mesma, como a morte de alguns conhecidos, se tornando um importante registro dessa série de acontecimentos.

“Outras vezes, pensei que escrevia para o dia em que não existissem mais pessoas, mas as borboletas soubessem ler.” (p. 375)

Os personagens principais são poucos, mas bem descritos em suas particularidades. Entretanto, a narrativa acaba concentrando-se em Miranda, podemos conhecer bem sua personalidade através de seu diário, mas não conhecemos tão bem os demais personagens.

Os cenários também se concentram na cidade da protagonista, Howell, porém temos uma visão ampla dos acontecimentos não só nos Estados Unidos como em todo o mundo. O caos da cidade é bem descrito, assim como a nevasca que a acomete.

O tema é um dos meus preferidos. É uma distopia, porém sem acontecimentos futurísticos ou sobrenaturais. É algo que realmente poderia ocorrer. Aliás, esse contexto de fim do mundo pode ser visto em outros livros, porém aqui temos a concentração na parte real da vida das pessoas, na sobrevivência e nos seus sentimentos, e não em outros pontos, como, por exemplo, a existência de criaturas fantásticas.

A revisão e a diagramação foram muito bem feitas, não encontrei nenhum erro. A capa é muito bonita e chamativa, despertando a vontade de ler mesmo sem conhecer a sinopse.



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10 comentários:

  1. Oiiii, se eu fosse comprar um livro pela capa com certeza essa não seria uma boa opção
    mas como dis o ditado nunca julgue um livro pela capa a narrativa da sinopse transmitida pela sinopse
    me cativou bastante pra ler e sua resenhas passou bastante o que eu pensava


    Dá uma Passadinha Por Lá: http://ospapa-livros.blogspot.com.br/

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  2. Oi Amanda!

    Tbm adoro esse tipo de enredo!
    Não conhecia o livro e fiquei curiosa! Adorei a resenha! Parabéns!

    Bjo bjo^^

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  3. Oi Amandinha !

    Nunca Ouvi Falar desse Livro ,Mas Ele me conquistou de uma forma Que quero muito Ler .
    Parece ser muito Bom mesmo .

    Bjuuus !

    Da Uma Olhadinha La , esta rolando Sorteio : http://garotinhaadolescentea.blogspot.com.br/

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  4. Este comentário foi removido pelo autor.

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  5. Este comentário foi removido pelo autor.

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  6. Olá Amanda,
    Essa é a primeira resenha que leio do livro e já fiquei cheio de expectativa. Vi muitos comentários dele no twitter, mas ainda não tinha parado nem para ler a sinopse. Também gosto quando as distopias retratam algo mais próximo da nossa realidade, tipo o retratado no livro.

    P.S: Perdão, pelos os comentários excluídos.

    Lucas - Carpe Liber

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  7. Ainda não li esse mas pela resenha vai entrar na minha lista do prox mês :)
    E não perca o SORTEIO do livro que armazém do chef está realizando
    http://armazemdochef.blogspot.com.br/2015/02/livro-selecao-brasileira-de-gastronomia.html

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  8. Humm fiquei super curiosa tenho que ler!
    Beijinhos

    http://princesamae.blogspot.pt/

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  9. Oi,
    Gostei muito da resenha estou super curiosa para ler esse livro desde o dia que vi ele na livraria.Adoro distopias e com certeza esse esta na minha lista.
    Beijos
    Raquel Machado
    Leitura Kriativa
    http://leiturakriativa.blogspot.com.br/

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  10. Oi Amanda!
    Curti bem a resenha e fiquei bem curiosa pra ler e saber o final da história.
    bjokas e boa semana

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