✓ Resenha: Em Nome do Mal - James Oswald

terça-feira, 9 de dezembro de 2014




Sinopse: A violência paira sobre Edimburgo. O corpo mutilado de uma jovem, vítima de um ritual macabro ocorrido há sessenta anos, repousa no porão de uma mansão. Os braços abertos, as mãos pregadas no piso de madeira, os órgãos removidos e dispostos em seis recipientes de vidro em torno da vítima. Além disso, uma proeminente figura local é brutalmente assassinada, um imigrante ilegal corta a própria garganta em um bar no centro da cidade, uma mulher se joga na linha do trem e outras quatro pessoas são mortas de forma violenta. O inspetor Anthony McLean tem certeza de que há uma ligação entre os assassinatos, os suicídios e o ritual no porão, mas não consegue encontrar uma explicação racional para os fatos. Na medida em que as coincidências aumentam, ele é forçado a considerar uma explicação sobrenatural. Poderia existir algo diabólico rondando a cidade que ele jurou proteger? Se sim, como detê-lo? As respostas que McLean procura logo farão com que se depare com a própria essência do mal.

Título: Em Nome do Mal
Autor: James Oswald
Editora: Record
Pág. 336
Melhor preço: R$22,61
Classificação: 9,1 (Ótimo)




No thriller "Em Nome do Mal", vários crimes ocorrem quase simultaneamente e com estranhas relações entre si. Ou seriam apenas coincidências? Cuidado! Cenas fortes, muito sangue e vísceras estão nas páginas desse livro! 

Esse é o primeiro volume da série que tem como protagonista o inspetor Anthony McLean, formato muito comum nos thrillers policiais. Lá fora já foram lançados outros três - “The Book of Souls”, “Hamgman's Song” e “Dead Men's Bones”.

Temos como personagem principal o inspetor Anthony Mc Lean e como demais investigadores da polícia Duguid, Bob Rabugento e MacBride. O primeiro homicídio ocorre com um homem conhecido da cidade de Edimburgo, Barnaby Smythe, assassinado brutalmente em sua casa e encontrado sem marcas de luta e com as vísceras retiradas do seu corpo. Um de seus órgãos é encontrado em sua boca. O cofre da casa foi roubado, porém não há impressões digitais.
 Outro corpo é encontrado em um canteiro de obras de Sighthill, uma mulher com os braços estendidos em uma crucificação e os órgãos retirados. O corpo estava mumificado, o que indicava que sua morte havia ocorrido há pelo menos 50 anos. Em um local escondido foram encontrados seis frascos com um órgão da vítima e um objeto pessoal em cada frasco, em uma cena extremamente mórbida. 

"[...] Então ele se lembrou dos itens colocados no nicho. Uma abotoadura de ouro, uma cigarreira de prata, uma caixinha entalhada, um estojo de comprimidos e um alfinete de gravata. Apenas os óculos poderiam pertencer a um trabalhador na década de 1940, e mesmo naquela época seria improvável." (p. 102)

São também descobertas marcas de um estranho símbolo de proteção no chão da cena do crime, fazendo Mc Lean ter uma sensação ruim ao avistar os símbolos.

"Ele permaneceu parado no meio de um círculo complexo, formado por seis fios entrelaçados. Em seis pontos equidistantes da circunferência, eles se prendiam em nós fantásticos, formas impossíveis que quase pareciam se retorcer como serpentes diante dos seus olhos. Ele se sentiu acuado, o peito contraído, como se estivesse envolvido por uma faixa bem apertada. A luz ficou fraca, o borburinho constante da cidade lá fora se aquietou até quase o silêncio. Ele podia ouvir a respiração, o ar passando pelo nariz, sentir o coração batendo lenta e ritmicamente. Tentou mover os pés, mas estavam grudados no chão. Só conseguia mover a cabeça." (p. 86)
   
O assassino de Smythe, entretanto, é identificado de forma inusitada: após cortar a própria garganta. Jonathan era um imigrante ilegal em processo de repatriação que já havia sido preso, e como Smythe era o presidente do Conselho de Apelações da Imigração, o caso foi encerrado como se o assassino simplesmente tivesse matado quem julgou o responsável pelos seus problemas de imigração.
Ocorre mais um homicídio onde o corpo é encontrado em sua própria casa, com a garganta cortada e os órgãos também retirados e colocados na boca da vítima, muito semelhante ao caso Smythe. Eventualmente, ocorrem mais suicídios. E também mais arrombamentos, inclusive na casa da falecida avó de Mc Lean. Coincidências à parte, é encontrado nos pertences do ladrão uma abotoadura de ouro com um rubi grande idêntica à encontrada na cena do crime de Sightill. 

Para piorar o clima de suspense e brutalidade, os capítulos são intercalados com relatos confusos e perturbados de pessoas cometendo crimes e se suicidando logo em seguida, seguindo vozes em suas cabeças. Haveria relação entre os homicídios e esses suicídios? Qual a relação das vítimas entre si? O que estaria por trás dessas estranhas coincidências? 

"Ele não sabe há quanto tempo está parado nesse jardim, olhando para a casa silenciosa. Estava escuro, mas agora talvez esteja clareando. Há quantos dias ele está assim? Faz tempo que sua mente parou de funcionar direito, e agora tudo o que ele faz é obedecer. As vozes não só falam com ele; também comandam seus atos. Ele não tem controle de seu corpo, como uma marionete, mas ainda sente a dor da impotência de fazer algo a respeito." (p. 251)

A narrativa é envolvente e com muito mistério. As cenas dos crimes apresentam brutalidade e são descritas satisfatoriamente para nós, que gostamos do gênero e de sangue rs. Os cenários envolvem locais típicos de tragédias, o que de certa forma acaba se tornando um pouco clichê. Os diálogos são bem elaborados, porém achei que apenas os personagens principais, como o inspetor, são melhores descritos, algumas vítimas conhecemos bem superficialmente, o que de acaba limitando o raciocínio investigativo dos leitores. A diagramação e a revisão foram muito bem feitas, não deixando passar nenhum errinho. A capa é instigante, porém não muito atrativa.

No geral a trama trás o famoso "mais do mesmo", policial bonitão com grandes conflitos familiares, chefe durão e um assassino cuidadoso. Contudo nessa obra, a trama possui aspectos bem interessantes, pois em alguns momentos a maldade humana, como por exemplo os assassinatos, se unem à acontecimentos sobrenaturais, temos então uma mistura do mal humano e de um mal maior. Normalmente os livros policiais não seguem esse caminho, se limitando apenas à aspectos humanos, por isso achei diferenciado e inovador esse estilo de romance policial, embora alguns pontos possam ser melhor trabalhados nos demais livros da série.

Para salientar, o escritor James Oswald acaba de ingressar no gênero policial, tendo lançado - e feito sucesso lá fora - os livros Dreamwalker, The Rose Cord e The Golden Cage da série The Ballad of Sir Benfro, no gênero fantasia.

Capitulo bônus: No final do livro somos presenteados com o primeiro capitulo da obra, capitulo esse que o autor resolver retirar pois acreditou ser muito violento e impactante para estar logo no inicio! E ele realmente é forte! Conta com a descrição de um estupro brutal seguido de um assassinato extremo, violento, e se não bastasse, feito pela perspectiva da vítima.

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5 comentários:

  1. Olá, Amanda.

    Nunca li um livro policial e sei que isso é uma coisa muito feia, mas irei mudar isso em 2015, porque 2014 praticamente já acabou. Gostei muito da forma em que você mostrou o livro, mas não acho que começaria por esse. >.<

    Beijos.

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  2. Oi Amanda!
    OMG! Quero claro! Adoro livros policiais e ainda mais qdo tem algo macabro no meio! Já coloquei na minha lista de desejados!

    bjo bjo^^

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  3. Olá!
    Não curti a capa deste livro-posso dizer que me deu um certo "medo"rsrs.Gostei da resenha Amanda,mas confesso que não é meu gênero preferido.
    bjos

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  4. Amanda Acho que é muito doido você ler um livro assim de ação policial por velho e muito louco ,se um filme você já fica 'ai meu deus' imagine um livro que você tem que imaginar os personagens ,lugares..é mt doido ,Mas não vou negar quando vir a capa me deu um certo medo rs .

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  5. Nossa! Gosto do gênero, mas não de sangue, rs.
    Pelo jeito tem que ter o estômago forte pra encarar essa obra!!!

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