✓ Resenha: Mar de Tranquilidade - Katja Millay

quarta-feira, 22 de outubro de 2014



Sinopse: Nastya Kashnikov foi privada daquilo que mais amava e perdeu sua voz e a própria identidade. Agora, dois anos e meio depois, ela se muda para outra cidade, determinada a manter seu passado em segredo e a não deixar ninguém se aproximar. Mas seus planos vão por água abaixo quando encontra um garoto que parece tão antissocial quanto ela. É como se Josh Bennett tivesse um campo de força ao seu redor. Ninguém se aproxima dele, e isso faz com que Nastya fique intrigada, inexplicavelmente atraída por ele.
A história de Josh não é segredo para ninguém. Todas as pessoas que ele amou foram arrancadas prematuramente de sua vida. Agora, aos 17 anos, não restou ninguém. Quando o seu nome é sinônimo de morte, é natural que todos o deixem em paz. Todos menos seu melhor amigo e Nastya, que aos poucos vai se introduzindo em todos os aspectos de sua vida.
À medida que a inegável atração entre os dois fica mais forte, Josh começa a questionar se algum dia descobrirá os segredos que Nastya esconde – ou se é isso mesmo que ele quer.

Título: Mar de Tranquilidade
Autor: Katja Millay
Editora: Arqueiro
Pág. 368
Melhor preço: R$18,72
Classificação:  9,1 (Ótimo)




Dor, desencontro, revolta e acima de tudo coragem pra reencontrar o prazer de viver em uma narrativa viva e carregada de reflexões nos levam a conhecer dois jovens feridos prematuramente pela vida. Descrito com a mais pura sensibilidade, a autora nos faz repensar nós mesmos. Esse é um daqueles livros que vem com a proposta de mudar seus pensamentos, em mostrar que nem sempre está no passado o que se deveria ter feito, muitas vezes se está vivendo sua segunda chance sem nem ao menos perceber.

Nastya é uma pianista muito promissora que aos quinze anos faz muito sucesso onde mora, tocando em todos os eventos da cidade e querida por todos. Até uma certa tarde, a caminho de uma gravação importante, onde é brutalmente atacada por um rapaz desconhecido, que sem explicações só pronuncia "Vadia Russa". A agressão foi tão grave a ponto de chegar a óbito e ser ressuscitada.

"Eu sabia que, quando cheguei ao hospital, fui levada imediatamente para a cirurgia e meu coração ficou parado durante 96 segundos, até que conseguissem reanimá-lo."

Houve um esmagamento dos ossos de sua mão esquerda, os médicos tentaram reconstruir, mas ela nunca mais tocaria piano. Para Nastya isso soou pior que a morte. Aquele rapaz foi capaz de tirar sua música e sua identidade.

"A voz da minha mãe. É a primeira coisa de que me lembro depois de abrir os olhos. Minha menina linda. Você voltou pra nós. Mas ela estava enganada." 

No primeiro momento nossa protagonista não se lembra com clareza dos fatos, mas infelizmente tudo volta após um tempo e ela julga melhor não falar sobre isso e nem sobre os pesadelos e suores noturnos, selando assim seu pacto de silencio. Com dois anos de muito tratamento e terapia, acaba decidindo sair da cidade e morar com uma tia. Outra cidade, outro colégio, outro nome, onde ninguém sabia o que se passou com ela, não podia mais suportar a piedade no rosto das pessoas.

Nastya se transforma, passa a vestir-se sempre de preto, roupas escandalosas e maquiagem exagerada. Aqui iremos ver uma  reflexão importante da autora, o preconceito que algumas pessoas tem com os que se vestem ou agem fora dos padrões e as levam à afastar-se ou invés de tentar aproximação, tentar conhecer e ajudar seu próximo. 
Seu objetivo é alcançado e Nastya se mantem distante de todos, porém não funcionou com Drew. E através de Drew ela conhece Josh, um garoto quieto e anti social, que vive em um mundo de perdas. Totalmente órfão aos dezoito anos, teme aproximar-se das pessoas com medo de perde-las também.

"Quando acordei, eu não tinha mais mãe nem irmã, mas pelo visto tudo acabaria bem, porque nós ganharíamos muito dinheiro. Os advogados da empresa de caminhões de carga disseram que foi um acordo generoso. Os advogados do meu pai acharam justo. Uma justa compensação pela vida da minha mãe. Uma justa compensação pela minha irmã morta. Eles não levaram em conta que na realidade, eu também perdi meu pai aquele dia. Algo nele se partiu, estilhaçou, derreteu, incinerou e desintegrou, como o carro em que minha mãe estava quando um caminhão de refrigerante de nove eixos passou por cima dele."

Então surge aquela cumplicidade, talvez uma pitada de piedade que as pessoas tem com quem já experimentou a dor, e Nastya sente-se mais próxima de Josh, ainda que negue parece que alguma coisa os atrai. De repente, sem que percebam passam a procurar um a presença do outro. Aqui ira nascer um romance arrebatador, construído lentamente à fim de amadurecer os personagens.

São tantos desencontros e sofrimento entre Josh e Nastya, que cheguei a me perguntar, para que sofrer tanto? Porque não se entregar ao amor que pode ser uma cura à ambos? E então me lembro que existe o medo. Para Josh o medo da perda, para Nastya o medo do que poderá oferecer, medo de ser para sempre uma casca vazia sem nada por dentro.

Apesar da trama girar em torno da recolocação social, de conflitos internos e questões emocionais dos personagens, esse NA (new adult) trás também um grande mistério, aquele que mudou a vida da nossa Nastya. Porque aquele rapaz à havia espancado sem piedade? Porque tanto ódio? Seria vingança, seria um psicopata ou estaria ela apenas no lugar errado na hora errada? Apesar da trama se repetir muito nos livros do gênero, aqui seremos direcionados além da dor de lidar com o que restou de sua vida, iremos experimentar o desejo pela vingança e a libertação da alma diante o perdão.

A narrativa é feita em primeira pessoa e intercala Nastya e Josh. Aos poucos vamos conhecendo o passado de cada personagem e dessa forma a leitura se torna ágil e prazerosa, deixando aquele gostinho que atiça nossa curiosidade. Todas as minhas teorias para o motivo do espancamento caíram, e nada do que cogitei se apresentou. E talvez a realidade nua e crua tenha feito jus a violência que vivemos hoje.

E então finalizo dizendo que, na capa temos sorvete derretido e o que isso afinal tem haver com a história? Nastya encontra no que mais gosta, sorvete, sua calmaria, mas talvez seu mar de tranquilidade esteja alem disso, e eu ousaria dizer que está no perdão.

"Talvez eu ainda não seja capaz de acreditar no perdão, mas consigo acreditar na esperança e gostaria de acreditar no sonho das segundas chances."

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11 comentários:

  1. Oi Karen!

    Eu adorei a capa deste livro, mas a sinopse não tinha me chamado tanto a atenção.... ao contrário da sua resenha que me deixou curiosa! rsrsrsrsrsrrs

    Bjo bjo^^

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  2. Olá, eu gostei da proposta do livro parece ser diferente e bem envolvente, além de ter uma capa linda <3

    Visite Meu Mundo, Meu Estilo e My Fluffy Rainbow

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  3. Olá!! Estou muito ansiosa para ler esse livro! Gente, só ouvi elogios para ele até agora! E a cada resenha que eu leio/vejo fico ainda mais curiosa para ler! Com certeza está na minha lista de futuras compras! *-* Um beijão! <3

    www.letras-e-cores.com

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  4. Adorei a resenha e fiquei louca para ler :D

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  5. Estou morrendo de vontade de ler esse livro! Ontem li uma resenha dele que me deixou morta de curiosidade, a sua só veio pra completar essa vontade :D

    Beijos!

    Iris - literalmentefalando.com.br

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  6. Olá, tudo bem?
    Primeiramente: Que capa é essa? Amei!!!

    Gostei muito da sua resenha e me interessei pelo livro, parece ser envolvente e gostoso de ler :D
    Beijos e parabéns pela resenha ^^

    citacoesdeumleitor.blogspot.com.br

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  7. Eu já ouvi algumas pessoas falando mas não sabia que era tão bom, nem sabia que era um NA. Fiquei com vontade de conhecer melhor os personagens, só pelo pouco que você falou. Normalmente o protagonista dos NA são bad boys, nunca vi nenhum que era anti social, já achei isso super diferente e quero ler esse livro logo :)
    Beijos!

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  8. Eu to bem ansiosa para por as minhas mãos neste livro rs, ele é um drama/romance eu confesso que não curto muito ler livros que a parte drama seja central ou seja muito presente, mas este a sinopse e as resenhas que tenho lido, me convencem que devo dar uma chance,
    fiquei intrigada pelo personagem que causa este sofrimento a menina, e me perguntando o por que.
    beijos.

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  9. Quando vi essa capa imaginava uma coisa completamente diferente, nunca sonhei que esse livro era um new adult. Só lendo sua resenha já fiquei doida pra ler ele. Os personagens parecem ser ótimos, e o enredo também parece ser ótimo! A única coisa que não gostei tanto é da capa, mas não diminuiu minha vontade de ler o livro.
    Bjss

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  10. Legal , eu não tinha idéia do que se tratava esse livro ,nem imagina que era tão intenso !!Ou tão dark , não gosto de livros com tragedias assim ,ou agressão que te marcam eu acabo ficando com aquilo na cabeça , aquela sensação desagradavel pela protagonista , é como assistir noticiario de morte , que só passa tragedia rs . Mas eu daria uma chance a esse livro sim !!! Otima resenha deu para entender bem o "clima" do livro .

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  11. Nossa ,nunca imaginava que esteve livro fosse assim .Mas slá é bom eu leria .

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