✓ Resenha: Querida Sue - Jessica Brockmole

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Sinopse: Março, 1912: A jovem poeta Elspeth Dunn nunca viu o mundo além de sua casa, localizada na remota ilha de Skye, noroeste da Escócia. Por isso, não é de espantar a sua surpresa quando recebe uma carta de um estudante universitário chamado David Graham, que mora na distante América. O contato do fã dá início a um intercâmbio de cartas onde os dois revelam seus medos, segredos, esperanças e confidências, desencadeando uma amizade que rapidamente se transforma em amor. Porém, a Primeira Guerra Mundial força David a lutar pelo seu país, e Elspeth não pode fazer nada além de torcer pela sobrevivência de seu grande amor. Junho, 1940, começo da Segunda Guerra Mundial: Margaret, filha de Elspeth, está apaixonada por um piloto da Força Aérea Britânica. Sua mãe a alerta sobre os perigos de um amor em tempos de guerra, um conselho que Margaret não quer ouvir. No entanto, uma bomba atinge a casa de Elspeth e acerta em cheio a parede secreta onde estavam as cartas de amor de David. Com sua mãe desaparecida, Margaret tem como única pista do paradeiro de Elspeth uma carta que não foi destruída pelas bombas. Agora, a busca por sua mãe fará com que Margaret conheça segredos de família escondidos há décadas. Querida Sue é uma história envolvente contada em cartas. Com uma escrita sensível e cheia de detalhes de épocas que já se foram, Jessica Brockmole se revela uma nova e impressionante voz no mundo literário.

Título: Querida Sue
Editora: Arqueiro
Pág. 256
Melhor preço: R$17,90
Classificação: 9,5 (Excelente!)


Doce e delicado.

Assim que posso começar a descrever essa obra.

O ano é 1912, David Grahan acabou de ler um livro de poesias que realmente o tocou. A dona daquelas belas palavras precisava saber que tinha um fã. E despretensiosamente (talvez nem tanto assim) resolve enviar uma carta a autora.
O ano ainda é 1912 e Elspeth Dunn acaba de receber sua primeira carta de um fã! E ela veio do outro lado do oceano! 
Ilha de Skye é onde ela mora. Fica na costa noroeste da Escócia, é um lugar selvagem verde e pagão, de tamanha beleza que Elspeth nunca havia saído de lá. Já seu correspondente vivia em Urbana, Illinois nos EUA. Um lugar em que nada tem haver com o frescor de Skye.

David e Elspeth criam uma grande amizade, as trocas de correspondência são constante, a cada vinte dias em média, isso apenas pelo fato dos correios da época serem ainda mais lentos que os de hoje! rs

Sabe o que é inocência? Sabe aquela amizade sem malicia, uma amizade de troca de confidencias, uma amizade verdadeira onde um não se importa com a aparência do outro, sem status, nem nada mais do que troca de confidencias; rir, chorar ou apenas não se sentir mais sozinho? Esse é o grau de amizade que surge entre eles e que vai, inevitavelmente, se transformando ao longo dos anos.
Talvez tudo fosse mais simples se Elspeth não fosse casada e se a guerra não estivesse acontecendo.

"Você pode fazer uma coisa para mim? Quando a véspera se transformar no dia Natal, exatamente ao soar a meia-noite, vá até o lado de fora e erga o rosto para a lua. Sinta o gosto dos flocos de neve na boca e imagine que eles são os meus lábios rocando os seus. Irei para o lado de fora exatamente no mesmo instante. Prometo." - pág 123

O ano é 1940, Margaret é filha de Elspeth, e está apaixonada!
Vem trocando cartas com seu amigo (ou mais que isso) Paul que é piloto da Força Aérea Britânica. E infelizmente são tempos de guerra. Não se pode acreditar em nada do que é dito em tempos de guerra. As emoções são tão fugazes quanto as noites serenas.
Mas como Elspeth poderia dar conselhos a filha se nunca foi capaz de contar seu passado a menina, que nem ao menos sabe quem é seu pai.
E então, é essa mesma guerra que trás a tona o passado guardado de Elspet quando uma bomba destrói uma das paredes de sua casa, e cartas e mais cartas voam pelos ares. Ali estavam todas elas, emparedadas pelo tempo. Isso é o suficiente para Elspeth partir em busca do passado deixando Margaret sem saber como encontra-la, agora a menina precisa mais que nunca desvendar os segredos da mãe para poder encontra-la e traze-la de volta em segurança, afinal são tempos de guerra...

Os capítulos da estória são entrelaçados, entre passado e presente. Conforme vamos descobrindo o passado de Elspeth também vamos ligando os pontos no seu presente através das buscas de Margaret. O livro todo é feito de cartas, toda a narrativa são as cartas dos personagens, são conversas entre eles. Deu pra sentir a angústia? Consegui sentir o desespero de esperar noticias do amado em plena guerra. O valor que cada carta tinha, o cheiro que ela trazia. O livro expressa muito bem a magia que uma carta tem.

A autora posicionou muito bem seus personagens em diálogos verdadeiros. O amor acima de tudo? Talvez, mas não deixou de lado a essência dos homens naquela época, a vontade de David em provar ser valente, a ânsia dele por aventura, o modo como trata Els é verdadeiro e não exagerado como nos romances em geral.
Els por sua vez é uma artista, tem a alma leve e valente. Não aceita as imposições da sociedade para a época, não faz grandes revoluções quanto a isso, apenas escreve sobre, o que a torna real e a aproxima muito da maioria das mulheres, aceita mas não concorda. Els vai nós mostrar o que muitas mulheres sentem mais não assumem: a perda de sentimento dentro do casamento. Ela quer ser feliz, ela quer viver um amor de verdade. Mas ela nunca deixou de amar seu marido, ela ama, mas não é apaixonada, não atravessaria o oceano por ele. Não por ele. Mas por David sim.

"Minhas hesitações se diluíram. E então nos encontramos, conversamos, nos tocamos. Qualquer dúvida que ainda persistisse voou para longe. Como poderia estar errada uma coisa que trazia a sensação de ser tão certa?" pág 139

A autora da obra teve um cuidado extra em pesquisar bem os fatos antes de sair escrevendo, fez muitas citações literárias da época, usou palavras condizentes e não notei nenhum fato fora de sua ordem cronológica.

Enfim, passei a madrugada lendo e terminei de um dia para o outro. A diagramação é ótima e a leitura fluida. Bem escrito, bem posicionado, leve e gracioso, com drama na medida certa. Não poderia classificar com menor nota, atendeu todas as minhas expectativa e cumpriu o que prometeu!
E por fim você me pergunta - Quem raios é Sue? 
E eu te digo - Vai precisar ler para entender!

"Um livro é um jardim carregado no bolso" - pág 55



A autora fez uma bela pesquisa pelas obras datadas dos séculos séculos XIX e XX, que foram apreciados pelos nossos personagens entre 1912 e 1940.

Poeta - Robert W. Service
Escritor - Walter Scott - A Dama do Lago
Escritor - Henry GrayGray's Anatomy
Escritor - Jack London
Escritor - Wilkie Collins
Escritor - H. Rider Haggard
Escritor - Edgar Allan Poe
Escritor - Zane Grey
Escritor - Henry James
Escritor - Alexandre Dumas

E ainda esses dois escritores(?), Louis Henri Boussenard  e George Darley que não encontrei no Wikipédia e a obra: "O Coração Delator".



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10 comentários:

  1. Oi Andréa!

    Que resenha linda! Juro que fiquei emocionada... quero ler com certeza!
    E a foto do Bibi folheando o livro??? Linda demais! Adorei! rsrsrsrsr

    bjo bjo^^

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    1. É um livro lindo e com um ótimo final! Vale a pena!
      kkkk o Bibi é único! Adora fuçar meus livros!!

      Bjus!!

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  2. Já tinha ouvido falar bem desse livro , raramente leio romance de epoca ,mas esse livro me despertou uma vontade imensa de ler , achei a resenha super fofa , e mais fofo ainda é esse Bibi ai que vontade de apertarrrr . Se ver esse livro em promoção vou comprar com certeza . Bjus

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    1. Realmente, é um livro muito fofo! Mas o Bibi é terrível! Se deixar rasga tudo rsrs
      Acredito que logo abaixe ainda mais o preço ;)

      Bjus!

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  3. Não sabia que o livro tinha essa carga de citações ^^ gostei muito, como não querer ler uma história que se passa em tempos de guerra e revela uma troca de correspondências <3 <3 ?
    Muito fofo o jovem leitor rsrs.
    Beijocas ^^

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    1. Sim Larissa, é um livro rico em conteúdo! Vale muito a pena! ^^

      Bjus!

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  4. Na primeira vez que vi a capa desse livro nem me interessei de conhecer um pouco mais sobre a historia, de tao simples que eu a achei...tenho defeito de julgar por capa :( Mas agora lendo a resenha, achei tao linda a amizade pura e verdadeira que se formou entre o leitor e seu idolo, que me deixou super curiosa para conhecer eles e os de 1940 tbm... conhecer um pouco sobre o tempo super dificil q enfrentaram tbm :/
    beijos

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    1. Eu tenho o mesmo problema Jack! Eu sou apaixonada por capas!

      Bjus!

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  5. Oi!
    Antes de tudo tenho que te contar que estou encantada pelo layout do seu blog, é muito lindo!
    Já li várias resenhas positivas sobre esse livro, parece ser uma história bonita, ainda mais por ser com cartas... Não tenho o livro, mas está na minha lista, espero conseguir comprar logo!
    Beijos
    http://sobrelivrosesonhos.blogspot.com.br/

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    1. Olá Evelise!
      Ahh obrigado! Seja bem vinda! ^^
      Se gosta de um romance não tem como não gostar! É muito lindinho!
      Bjus!

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