✓ Resenha: Os Três - Sarah Lotz

sábado, 21 de junho de 2014

Sinopse: Quinta-Feira Negra. O dia que nunca será esquecido. O dia em que quatro aviões caem, quase no mesmo instante, em quatro pontos diferentes do mundo. Há apenas quatro sobreviventes. Três são crianças. Elas emergem dos destroços aparentemente ilesas, mas sofreram uma transformação. A quarta pessoa é Pamela May Donald, que só vive tempo suficiente para deixar um alerta em seu celular: Eles estão aqui. O menino. O menino, vigiem o menino, vigiem as pessoas mortas, ah, meu Deus, elas são tantas... Estão vindo me pegar agora. Vamos todos embora logo. Todos nós. Pastor Len, avise a eles que o menino, não é para ele... Essa mensagem irá mudar completamente o mundo. 

Título: Os Três
Autor: Sarah Lotz
Editora: Arqueiro
Pág. 400
Melhor preço: R$26,27
Classificação: 9,2 (Ótimo)


“Os Três” é diferente de tudo que eu já li. Principalmente porque terminei de ler e simplesmente não tive minhas dúvidas esclarecidas. Nem de longe. Tive que dar uma olhada por aí em outras resenhas para ver que não fui só eu que fiquei com essa sensação de vazio ao final da leitura, como se eu tivesse perdido alguma coisa. Ou melhor, acredito que foi justamente essa a intenção da autora: deixar essa pulga atrás da orelha e que cada um tire suas próprias conclusões. 



“Os Três” vai muito além de suspense, ele cria certo terror psicológico, tem um quê perturbador. Lidamos com teorias que vão de alienígenas e possessão demoníaca a fanatismo religioso. Ele mostra o caos que o mundo se torna quando alguns acreditam que o fim do mundo está próximo. E de fato, é algo que paramos para pensar: como as pessoas se comportariam diante de tal situação? Se realmente acreditassem que o Fim do Mundo estaria próximo, com certeza o mundo ameaçaria sair dos eixos.

A narração é totalmente fora do convencional, temos primeira pessoa apenas nos capítulos inicias e finais, todos os outros são descritos na forma de documentário, trata-se de entrevistas, cartas, e-mails, skype, reportagens, biografia, até mesmo conversas em chats e twitter, tudo coletado pela escritora Elspeth Martins, para criação de seu livro “Da queda à conspiração”. Os relatos são realistas e empregam até mesmo erros de português dos próprios personagens e fala coloquial durante as entrevistas.

O livro é dividido em capítulos, sendo o inicial “Queda” e os demais “Conspiração” e Sobreviventes”, apresentados de forma intercalada.  Não é uma leitura rápida, pois o grande número de personagens e relatos exigem uma atenção extra, o que também tem um aspecto negativo, pois não nos envolvemos totalmente com os personagens. Achei interessante a narrativa em forma de documentário, pois conhecemos praticamente todas as opiniões e acontecimentos sobre o caso, mas também nos deixa na dúvida se a autora não exaltou certas informações ou distorceu alguns acontecimentos. Há muitos detalhes e principalmente nomes, sendo descritos os nomes dos repórteres, tradutores, testemunhas, etc. Entretanto possui alguns trechos desnecessários que tornam a leitura cansativa, além de um número grande de personagens dos quais só conhecemos superficialmente. 

Tudo começa com a Quinta-Feira Negra, 12 de janeiro de 2012, dia em que quatro aviões, de diferentes companhias, caem em diferentes locais do mundo (em Tókio, na favela Khayelitsha na Cidade do Cabo, na Flórida e no mar após decolar de Tenerife) com apenas algumas horas de diferença.

Os acidentes são devastadores e, a princípio, seria impossível existir qualquer sobrevivente. Entretanto, três crianças, de diferentes vôos, sobrevivem, são eles: Jess, Hiro e Bobby.

No primeiro capítulo temos a narração de Pamela May Donald, passageira de um dos aviões que caíram, com destino a Tókio. Ouve-se estrondos antes do avião sacudir e cair na floresta de Aokigahara (a conhecida floresta com fama de assombrada por ser um local escolhido por muitos para cometer suicídio). Pam, ainda viva, vê em desespero os destroços do avião e os corpos dos outros passageiros espalhados pelo chão. Em sua mente há um turbilhão de pensamentos e, aos avistar pessoas saindo das árvores, pessoas sem pés, pensa estar delirando. Em seu último ato com vida, pega seu celular e grava a seguinte mensagem:

“Eles estão aqui. Eu... Não deixe a Snookie comer chocolate, é veneno para os cachorros, ela vai implorar a você... O menino. O menino, vigiem o menino, vigiem as pessoas mortas, ah, meu Deus, elas são tantas... Estão vindo me pegar agora. Vamos todos embora logo. Todos nós. Tchau, Joanie, adorei a bolsa, tchau, Joanie, pastor Len, avise a eles que o menino, não é para ele...” (p. 17). 

Partindo pro segundo capítulo, já nos deparamos com o material coletado por Elspeth. Conhecemos alguns personagens importantes na trama, são eles Paul Craddock, irmão de uma das vítimas e tio de uma das crianças sobreviventes (Jess); Lilian e Reuben, avós do menino sobrevivente Bobby; Chiyoko, prima do sobrevivente Hiro e o pastor Len, a quem a mensagem de Pam se destinava.

Quanto a conspiração, são muitas as teorias que se espalham pelo mundo todo. Uma delas, de caráter religioso, prega que as crianças sobreviventes foram habitadas pelo espírito dos Quatro Cavaleiros do Apocalipse, mandadas para cumprir o objetivo divino de castigar os infiéis, a profecia do Fim dos Tempos. Também há a teoria sobre alienígenas e possessão, causando um fervor enorme da mídia sobre a história e principalmente sobre os sobreviventes.

“Leais ouvintes, eu acredito que essas crianças foram habitadas pelos espíritos dos quatro cavaleiros. [...]
Observei quando o Cordeiro abriu o primeiro dos sete selos. Então ouvi um dos seres viventes dizer com voz de trovão: “Venha!” Olhei, e diante de mim estava um cavalo branco!
Um cavalo branco, ouvintes. De que cor era a insígnia daquele avião da Maiden Airlines que caiu na Flórida? Uma pomba branca. Branca.
Quando o Cordeiro abriu o segundo selo, ouvi o segundo ser vivente dizer: “Venha!” Então saiu outro cavalo; e este era vermelho.
De que cor era a insígnia do vôo da Sun Air? Vermelha. Todos vocês viram, irmãos e irmãos, todos vocês viram aquele grande sol. Vermelho. A cor do comunismo. A cor da guerra. A cor, queridos ouvintes, do sangue.
Quando o Cordeiro abriu o terceiro selo, ouvi o terceiro ser vivente dizer: “Venha!” Olhei, e diante de mim estava um cavalo preto.
Bom, é verdade que aquele avião inglês, o que caiu no mar, tem uma insígnia laranja-vivo. Mas pergunto: de que cor eram as letras naquele avião? Pretas, ouvintes. Pretas.
Quando o Cordeiro abriu o quarto selo, ouvi a voz do quarto ser vivente dizer: “Venha!” Olhei, e diante de mim estava um cavalo amarelo. Seu cavaleiro chamava-se Morte.
Sabemos que a cor do cavalo da morte é escrito no original grego como khlros, que é traduzido como verde. A insígnia daquele avião na África que caiu... de que cor era? Isso mesmo. Verde.” (p. 94).

De fato, há vários aspectos estranhos. Como se não bastasse os acidentes daquele nível terem deixado sobreviventes sem um aranhão, as crianças se mostram diferentes após o acidente. Alguns apontam apenas como estresse pós-traumático, mas outros depoimentos sugerem uma mudança total da personalidade, além de não demonstrarem tristeza ou sofrimento com os acontecimentos. Também nos deparamos com mais mistérios: o avô de Bobby se recupera do Alzheimer após a chegada do menino e o tio de Jess tem pesadelos (ou alucinações?) com seu irmão morto no acidente.

A capa é simples, porém o fundo preto e as laterais das páginas também em preto dão um clima de suspense e deixam o livro muito bonito, entretanto o livro não possuir orelhas comprometeu sua aparência. Quanto a diagramação, achei as letras um pouco pequenas, mas não chegou a atrapalhar a leitura. A revisão foi adequada, pois percebi apenas um erro de português. A página de jornal, que vem com o livro, do dia posterior ao acidente é bem criativa.

Apesar do final não corresponder às minhas expectativas, eu gostei muito do livro. Achei a narrativa em forma de documentário super interessante, a história em si e todos os acontecimentos envolvem muito mistério – o que eu adoro! – e, apesar de ser um livro longo, eu li rápido, pois realmente prendeu minha atenção. Se você gosta de finais bem esclarecidos talvez não seja uma boa pedida, mas se você gosta de mistério e da mistura do sobrenatural com a realidade humana, não vai se arrepender de ler Os Três!



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6 comentários:

  1. Oi Amanda!

    Acabei de ler mais uma resenha sobre este livro e mesmo ele sendo tão diferente de tudo que já li, quero ter a oportunidade de lê-lo.
    Só pelas conspirações, já fiquei curiosa, e a diagramação contar com esses detalhes, tbm me deixou curiosa!

    Adorei sua resenha! bjo bjo^^

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    1. Olá Ana Paula!
      Vale muito a pena ler sim, pra quem gosta de um bom mistério é um prato cheio! rs
      Obrigadaa ^^
      Bjs!

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  2. Estava louca nesse livro. Achei a sinopse bem instigante, mas só que por se tratar de relatos acredito que a leitura não me prenderia tanto, apesar que sou apaixonada por um bom mistério rsrs
    Eu achei um luxo as laterais do livro serem pretas.

    A sua resenha ficou ótima. Adorei.

    Beijos, Taty Assis.
    P.s: tem resenha nova no blog. A resenha da vez é do livro Atraído da Emma Chase. Espero que goste *-*
    http://aculpaedosleitores.blogspot.com.br/2014/06/resenha-atraido.html?m=1

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    1. Olá!
      Realmente o estilo de documentário torna a leitura um pouco cansativa em alguns trechos, mas foi o primeiro livro que li nesse estilo e achei bem interessante! A história é cheeeia de mistérios então, pelo menos pra mim, foi difícil ficar muito tempo longe do livro! rs
      Obrigadaa ^^
      Bjs!

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  3. olaaaa
    Assim que vi a capa desse livro eu ja sabia que nao iria conseguir gostar dele, reconheço sem duvida alguma que ele tem uma grande e forte premissa e que o livro deve prender o leitor ate o final, mas eu nao conseguiria dormir kkkkkk me conheço u.u sei que livros do estilo de suspense nao foram feitos pra mim
    Acho que vou obrigar algum amigo meu a ler, pq fiquei muito curiosa para saber tudo o que acontece no livro, saber todos os detalhes!! kkkkk
    beijos

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    1. Olá!
      rsrs realmente esse livro é pra quem gosta do estilo! Tem muito mistério e sobrenatural, pra que não gosta deve ser meio difícil ler rs, mas eu confesso que adoro um bom suspense!
      Bjs!

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