Serviços de assinatura de obras virtuais ganham força no mercado editorial

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014


Eu já tinha até baixado uns desses aplicativos de acervos virtuais, mas não tinha me apegado, nem prestei atenção em como funcionava. Depois dessa matéria que entendi bem, achei até bem interessante - claro que para quem não se apega a ter livros na estante como eu - uma maneira muito prática de rotatividade da leitura.



Mal o público brasileiro começou a se acostumar aos e-books, e outra mudança significativa no mercado editorial já se avizinha. Forte tendência apontada para os próximos anos é o uso de serviços de assinatura mensal para o acesso ilimitado a acervos de livros virtuais, já significativos nos Estados Unidos e Europa. Em vez de comprar exemplares únicos, o usuário paga um valor módico e, assim, pode ler à vontade. Apelidado de “Netflix dos livros”, esse novo jeito de consumir literatura pega carona no bom desempenho dos vídeos e músicas transmitidos via streaming. 

Entre os pioneiros, destaca-se o Scribd (US$ 8,99 mensais, cerca de R$ 21,15), há pouco reforçado com 225 mil livros da Smashwords, editora independente norte-americana. Até poucos meses, antes de se reciclar, o site era conhecido por funcionar como repositório de e-books piratas. Ao lado dele, ganham força as plataformas Oyster (US$ 9,99/mês, ou R$ 23,51), Ereatah (US$ 14,99/mês, ou R$ 35,27) e a brasileira Nuvem de Livros (R$ 20/mês). Por enquanto, a maioria das opções é em inglês.

O otimismo acerca do novo modelo é compartilhado entre editores e escritores. “Os autores que financiam as próprias edições vão ficar malucos com isso. Muitos parecem valorizar os livros mais que os próprios filhos. Eles fariam qualquer coisa para conseguir mais leitores”, disse ao jornal The New York Times Mark Coker, executivo-chefe da Smashwords. Da parte do mercado editorial, um trunfo em potencial é a chance de conhecer os pormenores dos consumidores. Sem fazer segredo, as empresas monitoram os hábitos de leitura dos usuários para disponibilizar as informações às editoras. Garantem o anonimato, mas não oferecem a opção de não ser vigiado. 

Com o recurso, as companhias mensuram, por exemplo, quanto tempo os leitores levam para terminar um livro, investigam se alguns trechos são pulados ou até se o e-book é abandonado antes do fim. Munidas desses dados, elas podem adaptar os produtos e, quem sabe, buscar uma “fórmula” para a criação de best-sellers. O executivo-chefe do Scribd, Trip Adler, confirma o uso do monitoramento dos hábitos de leitura e diz ser essa uma “contribuição para as pessoas publicarem livros melhores”. 

Algumas conclusões preliminares até já foram divulgadas. Segundo o Scribd, romances de mistério precisam ser curtos, sob pena de os leitores pularem várias páginas. Esse problema já não afeta tanto as biografias, que costumam ser lidas até o fim com interesse, ao contrário dos frequentemente rejeitados livros sobre ioga. As leituras mais rápidas são os títulos eróticos, seguidos de romances em geral. Os livros religiosos tomam mais tempo.


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