Stephen King na Folha de S.Paulo

sexta-feira, 22 de novembro de 2013


Coluna que reúne entrevistas com escritores mundo afora.
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Danny Torrance, o garoto acossado por visões fantasmagóricas e torturante telepatia em "O Iluminado", cresceu.


Enjaulou demônios do passado em caixas imaginárias, errou por muquifos repetindo o script paterno de ataques de fúria, roubou uma mulher desacordada. Então, seu criador, o escritor Stephen King, acenou com a redenção.

Na recém-lançada continuação de "O Iluminado", "Doctor Sleep" (que sai em 2014 no Brasil pela Objetiva), o autor escala Danny para ajudar uma adolescente com poderes semelhantes aos dele a escapar de uma tribo de mortos-vivos.


"Desde 1977 [ano da publicação de 'O Iluminado'], o personagem nunca saiu da minha cabeça", diz King, 66, em entrevista à imprensa estrangeira de que a Folha participou, em Paris.

"Queria saber o que tinha acontecido a ele. E isso não é comum: normalmente, quando termino uma história, minha relação com aquelas figuras acaba."

Ele conta ter inicialmente temido que "Doctor Sleep" desagradasse aos fãs.

"Quem me aborda para dizer o quanto se assustou tinha 14 anos quando descobriu o livro, sob as cobertas. É claro que amedrontei essas pessoas; eram presas fáceis, eram virgens", brinca.

"Com 50 anos, já passaram por horrores como a perda de pessoas queridas, o câncer. Por isso, o interesse pelo gênero nessa faixa é menor."

TELEPATIA

Ex-alcoólatra e ex-viciado em cocaína, o autor emprestou verniz autobiográfico, em "O Iluminado", a Jack Torrance, o escritor beberrão e instável que aceita ser zelador de um hotel --o que vai representar sua ruína.

Os mais de 300 milhões de exemplares vendidos por King em quase 40 anos de trabalho (ao menos 70 títulos, entre romances, contos, poemas, novelas e não ficção) fazem pensar que talvez as origens da telepatia de Danny tampouco sejam remotas: o autor parece ter acesso privilegiado ao que vai pela cabeça de seus leitores.

Com uma antena de longo alcance, capta angústias, paranoias e valores de um microcosmo de escolas secundárias, supermercados, reuniões de Alcoólicos Anônimos e campos de beisebol. Esses sentimentos são quase que psicografados em tomos --"Doctor Sleep" tem 536 páginas na primeira edição americana--, aos quais King adiciona o sobrenatural.

"Sou um romancista da emoção", define. "O que você pensa me interessa, mas antes quero comover, fazer você estremecer, seus olhos se esbugalharem. O assunto do livro você descobre depois."

'NOVEMBRO DE 63'

A literatura de King inclui carros, caminhões e latas de sopa que ganham vida, animais ensandecidos, extraterrestres, crianças com superpoderes psíquicos, cenários distópicos e viagens no tempo.

É a essa última estante que pertence "Novembro de 63", romance histórico lançado agora no Brasil. O título é referência à morte do então presidente dos EUA, John Kennedy, num atentado em Dallas.

O episódio, que completa 50 anos nesta sexta-feira, é um dos gatilhos do périplo de um professor do Estado do Maine contemporâneo para setembro de 1958, quando tentará corrigir os rumos da história.

"É um daqueles raros momentos históricos em que tudo pode mudar pelas mãos de alguém que não é político, cientista, Nobel ou líder mundial", diz o escritor.

Esse fascínio pelo "average Joe" (o zé-ninguém americano) é a pedra fundamental da prosa de King, ornada com uma pátina da "grande história" dos EUA, país que ele hoje vê como "um lugar surreal para se viver, porque os dois lados [republicanos e democratas] não se falam".

Do autor que deixa fãs decidirem qual será seu livro seguinte e leiloa papel num romance vêm críticas a best-sellers da autopublicação:

"Não há filtros, ninguém para ler antes e dar conselhos. Você simplesmente joga lá [na internet]. Não há nada a ser feito, a não ser [esperar que] o público esteja interessado em qualidade. E é óbvio que nem todo mundo está, porque os livros 'Cinquenta Tons de Cinza', francamente, não são muito bons".

NOVEMBRO DE 63
AUTOR Stephen King
TRADUÇÃO Beatriz Medina
EDITORA Suma de Letras
QUANTO R$ 79,90 (736 págs.)

Fonte

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7 comentários:

  1. HA Deus! Preciso comprar meu exemplar de O Iluminado para poder ler Doctor Sleep. Ainda não consegui nenhuma promoção deste livro, os preços são altos demais! Triste neh? Mas quer saber? Vale super a pena!

    Adorei o post! bjo bjo^^

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Por que dos livros dele serem tão caros?hehe. Queria muito ler todas as obras deste mestre do terror mas estes preços assustam mais que as estorias kkk

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  4. Stephen King é um gênio mesmo...fiquei doidinha quando soube que vai ter a continuação de O Iluminado, espero que seja tão bom quanto o primeiro livro que dá arrepios só de lembrar! Também li algumas resenhas de Novembro de 63 e foram bem positivas, quero muito ler, alias, quero ler todas as obras desse mestre, mas como o pessoal ai em cima disse, os livros dele são sempre bem carinhos né, dói no bolso, mas vale a pena! :)

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  5. Não li nenhum dos livros deste autor...Mas estou morrendo de curiosidade para ler qualquer um de seus livros!E já li muitas resenhas positivas de seus livros e cada vez mais necessito ler qualquer um de seus livros =)

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  6. Gostei muito desta coluna. Os comentários de Stephen King me deixaram bem curiosa para ler um de seus livros.

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  7. Eu vi essa notícia e achei muito interessante o autor lançar continuação de um livro que foi publicado há tanto tempo atrás. Os fãs mais antigos dele devem ter adorado! Vou ver se leio algum dia o tão famoso "O Iluminado".
    Abraços, Raquel.

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