Resenha: O Clube dos Anjos - Luis Fernando Verissimo

terça-feira, 28 de agosto de 2012



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Nome: O Clube dos Anjos: Gula
Autor: Luis Fernando Veríssimo
Editora: Editora Objetiva
Pág. 132
Onde Comprar: Saraiva



Sinopse: Não é todo dia que se quer ouvir uma crocante fuga de Bach mas todos os dias se quer comer. A fome é o único desejo reincidente, pois a visão acaba, a audição acaba, o sexo acaba, o poder acaba - mas a fome continua.
O Clube dos Anjos, de Luis Fernando Verissimo, é uma insólita e bem-humorada celebração da gula, na série Plenos Pecados. O livro conta a história de dez homens que se entregaram a esta afinidade animal, a fome em bando - sem temer a morte. Na verdade, a perspectiva de morrer só aumentaria, para eles, o prazer na comida, e o desafio filosófico da gastronomia: a apreciação que exige a destruição do apreciado.








RESENHA POR LETÍCIA

“Não é todo dia que se quer ouvir uma crocante fuga de Bach, mas todos os dias se quer comer. A fome é o único desejo reincidente, pois a visão acaba, a audição acaba, o sexo acaba, o poder acaba - mas a fome continua.”

O trecho citado acima é a abertura do livro O Clube dos Anjos: Gula, de Luís Fernando Veríssimo. O livro aborda como tema um dos 7 pecados capitais, o qual acredito que seja o mais comum entre as pessoas, o da Gula.

Daniel, o autor-personagem narra a história de um grupo de dez amigos que se reúne de longa data, todos os meses para apreciar comidas finas e é claro, celebrar a Gula. Depois de 21 anos, o clube fica abalado devido a morte de seu líder Ramos. A última reunião havia sido um desastre e, por um simples acaso, ou obra do destino, Daniel encontra um cozinheiro maravilhoso e com disposição de ouvir as suas histórias e bobagens e o convida a preparar o próximo jantar da turma. Não se sabe ao certo como, mas Lucídio, o cozinheiro de origem desconhecida, sabe o prato predileto de cada integrante do grupo. Após o primeiro jantar, banhado de muito vinho e mistério, ocorre a primeira morte. No desenrolar da história muitas outras mortes, todas devido ao prazer da Gula, mesmo sabendo que o destino era a morte, todos se entregavam a esse prazer. Na verdade, a perspectiva de morrer só aumentaria, para eles, o prazer na comida, e o desafio filosófico da gastronomia: a apreciação que exige a destruição do apreciado. O mistério da trama, só se revela ao final do livro, e misto com humor, torna o livro mais interessante de ser “devorado” a cada página.
Veríssimo ao misturar trechos de Rei Lear, Shakespeare insere mais mistério a história. Ato quatro, cena um:

“Como moscas para meninos maus somos nós para os deuses, eles nos matam para seu divertimen-to”.

Além do mistério, ele ironiza o desejo de comer misturado ao prazer, ao tesão em saber que o resultado da entrega a esse pecado é a morte. A trama meche com os sentidos, deixa o leitor aflito, curioso, pois as mortes vão acontecendo hipóteses sem sucesso vão sendo criadas, e no final de livro de forma hilária a verdade é revelada.
Em comparação com os outros livros da série Plenos Pecados, esse livro é o que mais da uma sensação de transcendência ao leitor, além de suscitar o paladar, propõe uma reflexão sobre os desejos incontro-láveis. Mesmo sendo um livro curto, o autor consegue ter boa construção de personagens e desenvolve muito bem a história.


História:
Capa:
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