Resenha: Antes Que Eu Vá

terça-feira, 16 de agosto de 2011


Nome: Antes Que Eu Vá
Autor: Lauren Oliver
Editora: Intrínseca
Pág. 360
Onde Comprar: Saraiva




Sinopse: Samantha Kingston tem tudo: o namorado mais cobiçado do universo, três amigas fantásticas e todos os privilégios no Thomas Jefferson, o colégio que frequenta - desde a melhor mesa do refeitório à vaga mais bem-posicionada do estacionamento. Aquela sexta-feira, 12 de fevereiro, deveria ser apenas mais um dia de sua vida mágica e perfeita. Em vez disso, acaba sendo o último. Mas ela ganha uma segunda chance. Sete "segundas chances", na verdade. E, ao reviver aquele dia vezes seguidas, ela desvenda o mistério que envolve sua morte - e, finalmente, descobre o verdadeiro valor de tudo o que está prestes a perder.






"Talvez você possa se dar ao luxo de esperar. Talvez para você haja um amanhã. Um, dois, três ou dez milhões de amanhãs... Tanto tempo, que você possa nadar nele, deixar rolar e enrolar-se nele, deixá-lo cair como moedas por entre os dedos. Tanto tempo, que você possa desperdiçá-lo.
Mas para alguns de nós, há apenas o hoje. E a verdade, afinal, é que você nunca sabe quando chegará sua vez."

Antes Que Eu Vá é um livro sobre escolhas erradas.

Samantha Kingston é uma das garotas mais populares do colégio Thomas Jefferson. Não é especialmente linda, mas junto com Lindsay, Ally e Elody chama a atenção por onde passa. Rob é seu namorado perfeito (ou quase), daqueles mais cobiçados do colégio. E no mais, o universo gira em torno de seu umbigo.
O dia 12 de Fevereiro, sexta-feira, era para ser um dia especial pois perderia sua virgindade. Mas Sam acabou perdendo a vida...
Sete chances. Sam luta para acertar as coisas, um dia após o outro. As horas voam, e as coisas insistem em se repetir. Muitas escolhas, mas somente uma questão: Será tarde demais?

"Sei que alguns de vocês devem estar pensando que talvez eu mereça. Talvez eu não devesse ter enviado aquela rosa para Juliet, ou jogado bebida nela na festa. Talvez não devesse ter colado do teste de Lauren Lornet. Talvez não devesse ter dito aquelas coisas a Kent. provavelmente há quem acredite que eu mereça, porque ia deixar Rob ir até o fim - porque não ia me guardar.
Mas antes que comece a me acusar, permita-me fazer uma pergunta: o que fiz foi realmente tão ruim? Tão ruim que eu merecia morrer por isso? Tão ruim que eu merecia morrer assim?
O que eu fiz foi realmente tão pior do que o que todo mundo faz?
E realmente muito pior do que o que você faz?
Pense a respeito." Pág. 64

A narrativa de Lauren é impecável. Fascinante. Mesmo nos momentos que o leitor se contorce de raiva da protagonista, a leitura não fica cansativa e o leitor se vê preso e encantado pela dubiedade de Samantha. A evolução que a personagem sofre ao decorrer da estória é tocante.
A cada capitulo (a cada qual refere-se a uma nova chance), a autora insere diálogos da personagem com o leitor, nos fazendo refletir pesadamente sobre nossa atitudes.

"Eis uma coisa a se lembrar: a esperança o mantém vivo. Mesmo quando você está morto, é a única coisa que o mantém vivo." Pág. 106

Temos aqui um livro que aborda a questão do Bullying.
Juliet é alvo constante de Sam e suas amigas. No dia do Cúpido, data em que todos mandam rosas uns para os outros no colégio e assim determinando os mais e menos populares, Sam está acostumada a receber inúmeras rosas (não tantas como Lindsay) e ver Juliet sem nenhuma, então resolve pregar uma peça.
A garota esquisita e reservada esconde um passado do qual a entristece a cada dia. E ela pode ser a chave para o mistério que envolve a morte de Sam.

"Não fui a nenhuma das aulas, então, não recebi nenhum Namograma. Nem me importo. No passado preferia morrer a ser vista nos corredores do Thomas Jefferson no Dia do Cúpido sem nenhuma rosa. No passado teria considerado um destino pior que a morte.
É claro, isso foi antes de eu saber." Pág. 151

O livro também coloca em pauta assuntos domésticos, como o relacionamento dos adolescentes com a família. Todos nós sabemos que ser adolescente não é nada fácil. É nessa idade que começamos a descobrir o mundo, o sexo, as drogas. E quase sempre a família é o freio desse carro desgovernado.
Sam não tem um bom relacionamento com seus pais. Quando era mais nova, após uma briga com sua mãe, traçou uma marca vermelha no chão do quarto, da qual sua mãe estava proibida de ultrapassar. Anos se passaram, mas a magoa continuou ali juntamente com a linha.

"Como se algo se rompesse quando você faz 12 anos, ou 13, ou qualquer que seja a idade que você atinja quando não é mais criança, mas um "jovem adulto", e depois disso você é uma pessoa totalmente diferente. Talvez até menos feliz. Talvez uma pessoa pior." Pág. 211

Kent é um garoto reservado, não é popular e nem tão bonito, mas tem um coração de ouro. É apaixonado por Sam desde criança, quando ela ainda não tinha vergonha dele, quando as aparências ainda não importavam e o que valia mesmo era a cumplicidade.
Sam é extremamente cruel com Kent. Kent é extremamente doce com Sam. E o que posso dizer é que a vida (ou a morte) vai ensinar a Sam o valor real das coisas. Esse casal arrebatou meu coração! Eu ri e chorei com eles. Kent ficará guardado dentro de mim.

"Uma tristeza temporária pelo que perdi me domina. Em algum lugar no giro interminável da eternidade aquela minúscula fração de segundos em que nossos lábios se encontram se perdeu para sempre" Pág. 277

Pode ser que um leitor mais velho não consiga enxergar a intensidade dessa estória, por ter diálogos bem imaturos, falar sobre bebedeiras, sexo e drogas. Só que tudo isso faz parte da adolescência e é justamente por isso que os personagens são tão palpáveis. Senti meu coração congelar em vários momentos e por razões diferentes como medo, empatia, raiva e tristeza.

A escolha final da autora foi nos mostrar que todos os atos têm consequências e quase sempre não podem ser desfeitos. Mas deixa uma mensagem clara de que a vida não é sobre quantas vezes você transou, o quão popular você é, ou com que roupa deve ir à uma festa. A verdade é que a melhor parte da vida são as emoções que experimentamos e a intensidade delas. Como o amor que Kent nutre por Samantha. Ele tinha tanto a ensinar a Sam. Tanto sobre a vida, e especialmente sobre amor.

Por fim, talvez a intensidade da escrita de Lauren se deva a um fato particular. Tanto na dedicatória do livro quanto nos agradecimentos finais, podemos notar que a autora perdeu alguém muito querido. Lauren, você foi fantástica!

"Algumas coisas se tornam lindas quando você realmente olha" Pág. 261

História:
Capa:
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