Resenha: Quarto - Emma Donoghue

sexta-feira, 1 de julho de 2011


Nome: Quarto
Autor: Emma Donoghue
Editora: Verus
Pág. 350
Onde Comprar: Saraiva






Sinopse: Para Jack, um esperto menino de 5 anos, o quarto é o único mundo que conhece. É onde ele nasceu e cresceu, e onde vive com sua mãe, enquanto eles aprendem, leem, comem, dormem e brincam. À noite, sua mãe o fecha em segurança no guarda-roupa, onde ele deve estar dormindo quando o velho Nick vem visitá-la. O quarto é a casa de Jack, mas, para sua mãe, é a prisão onde o velho Nick a mantém há sete anos. Com determinação, criatividade e um imenso amor maternal, a mãe criou ali uma vida para Jack. Mas ela sabe que isso não é suficiente, para nenhum dos dois. Então, ela elabora um ousado plano de fuga, que conta com a bravura de seu filho e com uma boa dose de sorte. O que ela não percebe, porém, é como está despreparada para fazer o plano funcionar.






Jack é fruto de um sequestro que dura a sete anos. Nascido no cativeiro, Jack não conhece o mundo, ou o Lá Fora. O Quarto é seu único universo, e atravessar a porta, que está sempre muito bem trancada, significa cair no Espaço Sideral.

Esse é um livro extremamente emocionante, narrado pelo próprio Jack, que tem apenas 5 anos de idade. Quando pensamos nisso, não temos certeza se a autora conseguiria manter um texto coerente e interessante, mas posso afirmar que Emma foi genial, e entrou com toda perfeição na cabeça de uma criança.

Trecho após Jack ter encontrado um camundongo no quarto, e sua mãe ter colocado papel alumínio nos buracos para o bichinho não voltar:

"Deitamos em cima do Edredom. Tomei um montão. Acho que o camundongo podia voltar se a gente ficasse bem quieto, mas ele não voltou, a Mãe deve ter enchido todos os buraquinhos. Ela não é má, mas às vezes faz coisas malvadas." pág.70

Obs: Achei lindo o fato da Mãe ainda amamentar seu filho aos 5 anos de idade.

Os diálogos são ternos e doces, pensamentos carregados de inocência e curiosidade, transforma uma história de horror em um lindo ato de amor.
O horror psicológico que esse livro carrega não diz respeito apenas ao dia-a-dia em cativeiro, no empenho de uma mãe tentando transformar o quarto em um mundo lindo e feliz, mas também aos traumas que a exclusão social pode acarretar para o individuo. O que se passaria na cabeça de uma criança quando ela descobrisse que existe um mundo lá fora, e que existem mais pessoas nele além de sua mãe?

Esse é um livro especial, difícil de sair da cabeça. Ainda não sou mãe, mas posso dizer que é um sonho que irei realizar, e que depois de "Quarto" quero adiantar a experiência!


Os trechos abaixo podem conter SPOILERS
"No Quarto, eu e a Mãe tínhamos tempo para tudo. Acho que o tempo é espalhado muito fino cima do mundo todo, (...) por isso só tem um tiquinho de tempo espalhado em cada lugar, e aí todo mundo tem de correr pro pedaço seguinte." pág 312

"(...), em todo lugar que eu olho para as crianças, os adultos quase todos parecem não gostar delas, nem mesmo os pais. Eles chamam os filhos de lindos e tão bonitinhos, mandam as crianças fazerem tudo de novo para eles poderem tirar fotos, nas não querem de verdade brincar com elas, preferem tomar café conversando com outros adultos." pág 312

História:
 Capa:
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